Narrando: Jasper.
Impressionante como seus olhos brilham ao ver o solitário que havia comprado.
Uma parte de mim estava convencida de que ela aceitaria, mas isso não impedia que meu coração oco não se agitasse em alegria.
Não era nada que ela mereceria ganhar, era simples, mas também ousado, do jeito que sabia que ela gostaria. O que me surpreende foi o fato dela não ter previsto um pouco antes, e sim cerca de segundos antes. Apesar de algumas dúvidas estarem presentes, eu ainda me sinto leve como nunca estive antes.
Depois da impulsão de Alice de me agarrar na frente de todos do aeroporto, saímos de lá caminhamos juntos de mãos dadas pela cidade.
É apenas mais uma pequena cidadezinha excluída do mundo, tendo poucos habitantes e um clima ideal para a nossa espécie, que com certeza não tinha sido escolhida aleatoriamente pelos Cullens.
Eu estava sendo levado por Alice em todo lugar, para conhecer a cidade onde eu moraria.
Ela comentava sobre tudo o que via; os restaurantes, as lojas, as casas pequenas enfileiradas pintadas de branco, as árvores balançando devido o vento forte e a ameaça da chuva (que ela previu).
Mas embora eu gostasse de ficar ficar rodeando por ai sem nenhum motivo com ela,minha ansiedade só aumentava ao saber que o amanhecer estava para chegar e ainda continuávamos caminhando. Não só odiava o dia, mas sentia repulsa com o que causava com o meu corpo.
— Acredito que não precisamos conhecer mais a cidade, Alice. Daqui a pouco vai amanhecer.
— Há hotéis por aqui... Podemos ficar, vai chover muito forte daqui a pouco. Uma tempestade.
— Sim, você me disse. — Digo, revirando os olhos, mas me sinto pesado e sem forças só de pensar que ficaríamos mais tempo andando. Não queria deixar transparecer que eu era um covarde, por isso não comentei nada com ela. Talvez seja o único do mundo que tenha pavor ao dia.
Eu e Alice passamos tanto tempo juntos isolados da cidade, que ela não poderia advinhar que que eu nunca saia durante o dia.
— Uma imensa, destruirá todo o meu cabelo... — Ela continuou, sorrindo largamente. — Há tantos hotéis incríveis por aqui.
Eu a encaro desconfiado.
— Tudo bem.— Ela se entregou. — Parece frescura.
— Sim, madame.— Sussurro no seu ouvido.
Ela realmente odiava que eu a chamasse assim e eu amava irrita-la. Sei também que ela não odiava pelo fato de não gostar, mas sim por seu corpo sempre ser muito claro ao ter minha boca muito perto de seu corpo.
Percebo seus braços se arrepiarem com a proximidade de minha boca em seu ouvido e me sinto realizado.
— Não me provoca. — Ela afastou, cruzando os braços. — Isso me deixa.. — Ela desviou o olhar. — Você sabe muito bem como isso me deixa.
— Então por que só não vamos para a casa do Sr e Sra Cullen?
— Por que a pressa? Está com sede? — Ela me olha com preocupação.
— Não..
— Jaz.. eu sei a maioria do que vai acontecer no futuro, mas isso não significa que eu saiba ler mentes. Dá pra me dizer o que está acontecendo?
— Diz logo, Jasper! — Ela grita ao perceber meu silêncio.
— O dia me traz lembranças ruins.— Tento dizer isso da melhor maneira possível, revelando algo, ao mesmo tempo que o escondo.
Ela me olha curiosa, então apenas encaro o nada e fico martelando em minha própria cabeça. Que eu não me lembre, que minha mente continue em paz, que eu não me lembre dela, que eu não me lembre daquilo.. daquele inferno..
Mas as memórias começaram a vir, me fazendo gritar e perder minha postura. Alice me olha preocupada e eu sabia que era porque minha expressão mostrava terror e medo.
Medo de mim mesmo, medo do que fiz. Era sempre durante o dia que eu começava os treinamentos.. A noite era apenas a caçada.
De dia, o treino. De noite, a caça.
Treinei assassinos. Criei monstros.
Eu sou um monstro.
— JASPER!— As lembranças se vão ao ouvir a voz de Alice.
— Ah, desculpa... — Digo, tentando suavizar minha expressão. — Me desculpa..
Ela sorri.
— Escute, me perdoe por insistir nisso, está bem? Quando você quiser me falar sobre isso, eu estarei aqui. — Ela me da um abraço forte e meu corpo relaxa instantaneamente. O poder que ela exercia sobre mim, apenas com sua proximidade.
— Por você encararei essa chuva imensa, só espero que não bagunce muito o meu cabelo. — E assim que ela disse isso, a chuva começou.
— Ou te leve junto. — Ironizo.
Ela fecha os punhos de raiva.
— O quê você disse?
— Que você é linda, meu amor. — Rio e ela ri de volta.
...
Aquilo não era uma casa. É totalmente imensa. Poderia abrigar umas trinta pessoas confortavelmente. Além disso, é decorada e ao seu redor não deixa de ser igualmente bonito.
— Olá! Posso ajudá-los com alguma coisa? — Vi uma mulher mais velha, com aproximadamente trinta anos se aproximar. Seus cabelos batiam em seus ombros e ela demonstrava muita tranquilidade.
Eu ainda estava um pouco chocado para responder. Aquilo era novo demais pra mim.
— Jasper, essa é a Esme — sussurrou Alice no meu ouvido. — A esposa do Carlisle. — Ela se virou para a mulher e começou a nos apresentarmos.
Mas eu continuo a encarando em silêncio. E com vontade imensa de sair correndo.
Porque de repente havia me lembrado de que eu era apenas um ser comum aleatório que havia acabado de chegar em um lugar desconhecido, que por sinal vivia uma família que já estava muito bem e tranquila somente entre eles e que talvez não tivessem a mínima vontade de nos receber.
— Eu e Jasper descobrimos sobre vocês e.. precisamos de ajuda. — Ela foi simples e objetiva.
Esme deu um amplo sorriso pra mim e depois se virou para Alice.
— Vocês são como nós? Havia suspeitado no início devido a cara de sede desse rapaz. — Ela disse apontando pra mim.
Eu não estou com sede. Meu Deus!.
— Meu marido me falou um pouco de uma vampira baixinha nos espionando às vezes, procurando um lar. Não pensei que seria um casal, mas é até melhor, será mais tranquilo. Entrem, por favor.
A educação de Esme me fazia querer sumir de tanta vergonha. Eram pessoas gentis demais, e isso por motivos desconhecidos me deixava muito constrangido. Talvez por eu não ter nem um pouco de toda essa educação.
Entrei na casa, apesar de todos os pensamentos que me faziam querer ir embora.
Sentamos no sofá. Estava tão paralisado que nem percebi que uma garota loira estava bem próxima de mim. Essa definitivamente era Rosalie. Só pelo modo de sentar como se fosse a superior e sua cara de tédio, misturada com uma expressão que poderia dizer o que fazem na minha casa?
Percebi também que um homem grandalhão estava do seu lado, rindo de uma piada que havia contado e que eu não tinha escutado, porque estou submerso em meu próprio pânico.
— Ei, não me chama de sininho. — Alice parecia magoada.
Então era isso, ele a havia chamado de sininho. Não era engraçado, então continuei parado como uma estátua.
E então os últimos Cullens apareceram descendo as escadas calmalmente. Carlisle conversava com Edward de um assunto que este não parecia nem um pouco interessado, e Edward às vezes nos encarava curioso.
Os dois se aproximaram de nós. Era difícil saber quem era quem, pois eram muito parecidos, apesar de não terem nenhum laço de sangue.
— Eu sou o Edward. — Murmurou ele, parecendo ter lido minhas perguntas. Então o outro deveria ser Carlisle.
— Óbvio. — Disse Edward, me encarando. — Se falta apenas ele em sua convicção.
— Como? —Perguntei.
— Eu estou tentando tirar a sua dúvida, quando pensou se o outro deveria ser Carlisle.
Ele lia mentes?
Isso é um perigo.
Tenho que tomar cuidado com o que vou pensar de agora em diante. Espera, ele está ouvindo isso.
Ele está rindo.
ISSO É UMA INVASÃO DE PRIVACIDADE, EDWARD CULLEN!
— Não liguem para Emmett, é apenas a forma dele de brincar. — Disse Carlisle pela primeira vez. — Rosalie apenas é um pouco presunçosa, mas é uma boa pessoa, assim como Edward. Deveríamos saber o que os trazem aqui?
— Hãm.. Hum.. Eu não sei o que dizer.. — Começou Alice nervosa. — Eu me lembro de ter acordado no hospício. — Ela encarou as unhas. — E, depois, bom, um vampiro estranho estava querendo me matar.. e fui transformada em um de vocês por um zelador de lá.
— Hospício? — Perguntou Emmett, ignorando todo o restante de sua frase.
— Todos pertencemos a algum lugar. — Disse Edward, a olhando com preocupação. Carlisle meneou a cabeça em concordância. — Não sabe sobre sua família?
— Nem mesmo sei como era o rosto deles. — Ela sorriu, embora isso soasse ainda mais triste. Sempre estava tentando dar o seu melhor para que ninguém se preocupasse, o que era uma tentativa inútil comparado com as circunstâncias. — Apenas me lembro de ter acordado, me disseram que minha família já estava morta, mas mesmo assim parece surreal não me lembrar de nada antes disso.
— É.. talvez o vampiro que te perseguia possa ter algum dom? — Rose sugeriu.
— Não foi ele, eu teria descoberto. — Ela apontou os dedos pequenos na sua cabeça. — Tenho um dom um tanto peculiar.. vejo coisas que irão acontecer no futuro.. e vi que ele não iria fazer nada sem ser me matar.
— Talvez se você..
— Esse assunto me enlouquece. — Ela interrompeu. — São apenas hipóteses atrás de hipóteses e no final continuo sem respostas.
— Voce descobrirá com o tempo. — Esme se aproximou dela e segurou sua mão.
— E você, garoto? — Perguntou Rosalie. — Tem algo para nos contar?
Me retraio.
— Hum.. meu passado não é tão legal.
Percebo alguns olhares passarem rapidamente por minhas cicatrizes. É sempre assim e me xingo por pensar que eles não fariam isso.
— Não estamos julgando você. — Respondeu Edward, lendo minha mente.
— Dá pra.. sair da minha cabeça?
— Eu não controlo isso.. Sinto muito.
Aperto meus braços.
— Todos temos algo da qual não nos orgulhamos. Você vai superar. — Disse Rosalie. — Não totalmente, mas boa parte disso vai deixar de te fazer m*l.
— Obrigado. — Sorri.
— Precisamos de ajuda a nos controlar. — Alice murmurou. — Gostaríamos de saber mais sobre como conseguem ser tão fortes.
— Podem ficar por aqui, se quiserem. — Carlisle respondeu, me trazendo total alívio.
O pior de perceber isso, é que estava carente deles. Estava ansioso que me aceitassem e foi bom ouvir isso.
A família Cullen parece com um lar tranquilo, onde o amor está em primeiro lugar.