Cavalguei por quinze minutos para chegar a margem do rio, o caminho era arenoso e molhado devido a chuva, o que fazia com que o caminho ficasse mais difícil e estreito. Atravessei uma larga com meu cavalo, mas em determinado momento o cavalo simplesmente travou o pé no chão, se recusando a seguir comigo.
Seus olhos focavam um vento mais nebuloso e perso, algo muito estranho devido a calmaria das palhas e árvores que encontrava ao andar pela cidade. Deve ter sido a mudança repentina do ambiente que fez meu cavalo se assustar. Não podendo competir com sua teimosia, acabei saltando dele e andando adiante, a procura de Josh.
No meio do caminho, ainda me remoo o fato de Nate ter se recusado a vir comigo. "Elas são os demônios" disse e abandonou o seu trabalho. Seu trauma com sua ex mulher o deixava traumatizado e incapaz, o que fazia com que eu sentisse pena e ao mesmo tempo muito ódio dele por ser tão covarde.
Por que ele simplesmente não pode seguir a vida como nós? Covarde..Covarde..
Chegando por perto de uma margem de um rio, pude parar para beber água, me preparando para o longo caminho que se seguia. Mas, antes de me levantar, eu senti um cheiro horrendo parecendo emergir das profundezas da água. Um cheiro que apesar de sentir muitas vezes, não conseguia me acostumar. Era o cheiro da morte. Alguém estava morto bem perto de mim devido o odor extremamente forte e enjoante, tentando me livrar do embrulho no estômago, acabo tentando farejar o cheiro, rezando mentalmente para que não fosse Josh.
Sou interrompido, porém, vendo uma jovem moça olhando fixamente pra mim, me distraindo do que pretendia procurar.
— Senhorita, — digo, falando devagar para ver se ela entendia minha língua, e ao vê—la concordar com a cabeça continuei. — Esta área está propícia a um novo conflito de guerra, recebi ordens para evacuar algumas pessoas da área. Meu amigo porém,..
— Eu conheci seu amigo. — Ela interrompeu, me olhando de cima a baixo.
— Se lembra de onde ele estava para que eu possa encontrá-lo?
Ela apontou para o rio, fazendo minha garganta secar.
— O vi boiando enquanto a correnteza o levava. Eu sinto muito.
Meus olhos começam a arder. Começo a travar uma guerra comigo mesmo para que eu não demonstre emoções ao lado de uma mulher, mas a sensação de perda começava a ser cada vez mais crescente, deixando com que caia sobre meu rosto uma ou duas lágrimas.
— Merda!.. Isso não pode ter acontecido.. — Coloquei o punho perto de meus lábios e o mordi com força, tentando me concentrar na dor física e esquecer de meus pensamentos.
— Vou avisar as minhas irmãs para sairmos daqui.. — Ela sorriu tristemente. — Você poderia me esperar? Para nos mostrar o caminho seguro.
Concordo com a cabeça, ainda muito atordoado para conseguir dizer algo.
∾
Três moças vieram ao meu encontro, não pareciam perturbadas ou amedrontadas, apenas estavam muito eretas e pálidas, andando com pressa e sem perguntas.
Quando as vi de início, sequer me mexi. Elas eram as mulheres mais lindas que já havia visto. Possuíam uma beleza natural e chamativa, capaz de serem confundidas com anjos.
Uma hora esse silêncio tinha que acabar.
— Preciso seguir adiante para evacuar mais pessoas. Verão um cavalo logo a frente, — apontei com os dedos para depois da neblina escura. — Me esperem enquanto encontro mais pessoas.
— Ela deve ter perdido a fala. — Disse a morena. Ela tinha um olhar devastador e felino, parecia de outro mundo..E parecia também, faminta. — Creio que o senhor seja capaz de intimidar qualquer garota.
— Hãm, bom.. — Me engasgo em minhas palavras. — Essa não é a minha intenção.
Eu paro de falar quando percebo que a moça loira chegou bem perto do meu pescoço e começou a me cheirar.
—Mmmmm — ela disse — adorável.
— Como? — Pergunto.
Isso foi de fato a coisa mais estranha que tinha visto. O pior era que eu estava totalmente parado, como se estivesse hipnotizado e não me afastei mesmo estranhando sua atitude.
— Você tem um cheiro bom. — ela disse, se encostando no meu ombro. Se virou para a mulher morena, que parecia ser a mais influente das três e disse: — Eu o quero.
Raios? Que tipo de assunto é esse? Quero gritar para que ela pare de encostar em mim, quero que elas se afastem, mas nenhuma palavra sai da minha boca.
— Não, não mesmo — disse a mais baixinha, seus olhos vermelhos surreais me olhavam. Estou sonhando? — Eu o vi primeiro.
— Madames, temos que sair depressa. Há uma guerra que vai acontecer recentemente.
— Guerra? Mmmmmm. Vai ter sim. Vamos guerrear por você. — A baixinha diz rindo.
De repente, a loira da um soco na cara da baixinha. Ela rosna de raiva.
Coloco o braço ao redor das duas, tentando a impedi-las, mas elas parecem bem fortes.
— Concentrem-se, meninas.. — Disse a morena. — Não é isso que quero que façam. Eu preciso dele para nos ajudar. Olhe o porte, a experiência.. É um ouro muito raro andando por aí para ser simplesmente jogado fora.
Elas param de tentar brigar entre si ao ouvir a outra.
— O que está acontecendo aqui? — Pergunto, sem entender.
Dizia a mim mesmo que devia ir embora. Simplesmente bater o pé, mas não o fiz. A minha atração por elas foi maior do que a consciência de que eram perigosas.
— Então você faz, Maria! — Gritou a mulher loira, irritada e tempestiva. — Eu sempre acabo matando.
— Tem razão irmãzinha. — Diz quem descobri se chamar Maria. — Leve Nettie pra longe, ela sempre quer acabar com todo tipo de comida.
NETTIE?
Oh, não. A psicopata que matou a amante de Nate? Que eu acorde.. Preciso acordar!..
Me preparo para sair, quando Maria me agarra forte pelo braço.
— Eu deixei? — Ela pergunta. — A partir de hoje, você não fará nada que eu não queira.
As outras duas começam a rir como hienas felinas. Isso me irrita.
A mão de Maria crava em meu braço. E achei muito estranho não ter conseguido me soltar, apesar de toda a força que usei.
Sinto seus dentes cravando o meu pescoço, sugando toda a minha vitalidade.
Começo a queimar por dentro. O que for que estivesse acontecendo, não podia ser real. Isso não é humano.
Sinto a morte me alcançando. Não grito, não peço ajuda, apenas me rendo..
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