Liz Narrando — Mãe, para tudo — eu disse com a voz falhando. — Que conversa é essa de filha? Como assim? Minha mãe me olhou como se aquele momento fosse o mais temido da vida dela. Os olhos marejaram na hora. O Fantasma abraçou ela pelos ombros, num gesto silencioso de apoio. Aquilo me deu ainda mais nervoso. — Vamos sentar — ele disse com a voz firme, mas cuidadosa. Eu realmente precisava. Minhas pernas já não estavam me obedecendo. Henrique me guiou até o sofá e sentou ao meu lado. Ele não soltou minha mão em nenhum segundo sequer. Eu me agarrei a ele como se fosse a única coisa sólida naquela sala. Minha mãe e Dilson sentaram no sofá de frente pra gente. Ela pegou um copo de água, bebeu devagar, respirou fundo várias vezes. Eu conheço aquele gesto. Era o jeito dela criar coragem.

