Capitulo Três

2986 Palavras
Capítulo 3 Depois que ele saiu da cozinha, indo trabalhar, me levantei da mesa e caminhei para meu quarto. Minha cabeça estava tão confusa, e eu tinha tantas perguntas, milhares e milhares. Quem é a mãe de Anna? Por que ele é assim? E muitas outras. Eu estava nervosa com essa coisa de casamento. Muito nervosa... Não estou preparada para isso também, não estou preparada para nada! A minha manhã foi entediante. Meus créditos acabaram e não tive como ligar para minha família, ainda bem que tinha wi-fi lá na casa, pelo menos em redes sociais eu podia ficar on. Fiquei jogada na minha cama, e logo meu celular apita dizendo que precisa de carga, mas onde irei achar um carregador? E por burrice minha, acabei esquecendo o meu. Deixei o celular debaixo do travesseiro, e me levante para explorar a casa. Não tinha nada pra fazer mesmo. Caminhei pelos corredores, observando alguns quadros de alguns pintores que amo muito. Tinha tantos quartos... Pra que tudo aquilo? Por acaso ele recebia visitas? Sua família vinha todo final de semana? E cada a família dele? Mais perguntas. A maioria dos quartos estavam arrumados, parecia que a décadas ninguém entrava lá. Vi quase todos, e isso demorou um bom tempo. Caminhei até o fim do corredor, onde em uma porta dava a uma mini biblioteca, que era belíssima, cheia de livros de todos os tipos. E depois que sai, a última porta tento abrir, porém estava trancada. -Se eu fosse você não tentaria abrir - Escuto a voz de Oliver no início do corredor. Um frio me passa. -Eu só estava... -Bisbilhotando? - pergunta se aproximando de mim, com a sobrancelha lindamente erguida. - O almoço está pronto, você deveria está na mesa me esperando. -O tempo passou e eu nem percebi... E... - eu - Caramba, por que estou gaguejando? Eu não sou de gaguejar!! Pare agora , Eva! Ordeno a mim mesmo. -Gostei da biblioteca - digo tentando mudar de assunto. Ele me encara. -Me espere na mesa - diz saindo dali, sem falar mais nada. Dou a língua pra ele e saio para meu quarto, onde prendo meu cabelo e desço para a cozinha, onde vejo Anna sentada em uma cadeirinha grande para que ela fique à altura da mesa. - Eva!!! Tenho um monte de coisas para brincar com você - ela diz toda empolgada. Eu acho lindo esse jeito, de nem me conhecer direito, mas me tratar com essa alegria toda. Acho que só ela ali na casa gosta de mim. -Ela não é mais criança , Anna - A voz de Oliver surge atrás, ele se senta ao lado da filha, e Anna faz uma carinha de triste. -Na verdade Anna, eu adoro brincar. Eu irei amar brincar com você - digo sorrindo para ela, que no mesmo instante tira a carinha de triste e sorri abertamente pra mim. Oliver me encara, e eu lhe dou um sorriso falso. O almoço está uma delícia, perfeito. Anna não parava de falar, e eu achava graça com as coisas que ela dizia. As vezes eu podia ver um sorriso pequenino no rosto de Oliver, um sorriso bem pequeno mesmo, com as coisas que Anna falava. -Papai, você disse pra mim que me levaria no parque hoje - diz cruzando os braços e fazendo biquinho. -Anna, já conversamos - Oliver diz. - Agora coma sua comida. Anna bufa e come sua comida do prato. Eu não falava nada, e nem me arriscava. Após o almoço terminar, Anna desce da cadeira com a ajuda de Oliver e vem correndo até mim, pegando em minha mão. - Vem, temos muito o que brincar - diz toda inocente me puxando pela mão. Olho para trás e percebo que Oliver sorria para a filha, porém quando me vê, seu sorriso some e o rosto sério toma conta novamente. Dou de ombros e sigo Anna que me puxava para o anda de cima, onde entremos por outro corredor, diferente do corredor onde eu durmo. Lá às portas eram mais lindas, o teto com lâmpadas bonitas, enfim, era um corredor diferente dos outros, e eu nem tinha visto esse ainda. Entramos em um quarto, onde era o de Anna. Todo rosa bebê, com muitos brinquedos, acho que nunca vi tanto brinquedo na minha vida, e muitos livros também. -Você já lê? - pergunto. -Não muito, eu sei ler desenhos - ela diz sorrindo e caminha para uma caixa, onde abre e tira mais brinquedos de dentro. Eu fico observando o quarto, era lindo, bem infantil, perfeito para Anna. Tinha um grande guarda roupa de madeira, que brilhava, me aproximo e toco na madeira, admirando o quanto é trabalhado. - Veja minhas roupas - ela pede e eu abro as portas, vendo milhares de roupas e sapatos. -Suas roupas são lindas - digo para ela que sorri docemente. Logo depois que tranco o guarda roupa, caminho até sua cama onde de me sento, e me viro para o criado mudo, vendo um porta retrato dela e de Oliver. Pego a foto e fico admirando, nessa foto Oliver sorria, e seu sorriso é tão lindo, ele deveria sorrir mais. Coloco à foto no lugar, e vejo Anna arrumando a casinha das bonecas, sorrio com sua inocência, se a coitada soubesse o que seu pai é... -Você quer ser a loira ou a morena? - ela pergunta me mostrando duas bonecas. -A loira, pra combinar com meu cabelo - digo e ela sorri dando um pulo do chão e fica pulando toda agitada. - O que foi? - pergunto. -Já sei, vou fazer um penteado em você. - diz correndo para sua gaveta e pegando pente, piranhas, liguinhas.. -Não quer mais brincar de boneca? - pergunto deixando a boneca loira no chão. -Depois a gente brinca, vou ser sua cabeleireira. - diz pulando na cama e começa a mexer em meu cabelo. -Tudo bem, quero um penteado bem bonito, tá? - pergunto e ela concorda. -Vou fazer um bem lindo pra você ir para o baile de princesas e... - ela continuou falando sobre bailes, festas e eu apenas sorria com sua doçura. Anna tinha cinco anos, e eu pensava que ela tinha três ou quatro, mas cheguei perto. - Terminei, você está linda - ela diz olhando para mim. Levanto e caminho para o espelho onde vejo uma trança simples, mas olho empolgada para ela. -Você é a melhor cabeleireira que eu já fui, sabia? Será que poderia fazer mais vezes em mim? - pergunto. Anna fica tão feliz e diz que sim, e fala que irá fazer outros tipos de penteados em mim. -Anna? - pergunto me sentando na cama novamente e a observo vestindo sua Polly. -Oi? - ela pergunta não olhando para mim, e sim concentrada em sua boneca. -Onde está sua mãe? - pergunto e encaro a porta para ver se não tinha ninguém. Acho que se Oliver me ver perguntando isso, é capaz de não gostar. -Hm, não sei - diz colocando a Polly pada dormir - Papai disse que ela foi embora pra outra cidade. Eu acho que papai não gosta dela. -Eles se separaram? - pergunto. -Não sei também, eu não lembro - diz - Eu era criança naquela época - ela diz e sorrio de lado com sua ousadia boa de dizer que "era" -Então você já é uma mocinha, né? - pergunto sorrindo. -Sim, papai disse que sou uma mocinha - ela diz e acaricio seus fios castanhos. -Você sente falta de sua mãe? - pergunto. Talvez eu não devesse perguntar, mas eu precisava saber de alguma coisa, eu estava me sentindo perdida, e se Oliver não estava disposto a me falar, o jeito seria perguntar para Anna. -Não, faz um tempo que ela deixou eu e papai. E nesse tempo eu era muito pequena, não lembro mais. - diz - mas eu sinto falta de ter uma Mamãe. Minhas colegas todas tem, só eu que não - diz triste. -Não fique triste - digo e me abaixo sentando ao seu lado e beijando sua bochecha. - E seus avós? -Não tenho - ela diz. Bem, acho que ela nunca conheceu os avós, acho que Oliver nunca a levou para conhecer, pois ele não me parece um cara que se envolve com família. Fiquei a observando brincar, e não percebo quando Oliver entra no quarto. -Eva, vem aqui - ele me chama e eu levanto seguindo para a direção da porta, onde a encosto e encaro Oliver - Amanhã casaremos. Isso foi um choque, um baque. -Que ?? Não, claro que não. Amanhã? Eu não me preparei psicologicamente ainda, você ta ficando doido? Eu... - Eu não término de falar pois a mão de Oliver segura meus dois lados da bochecha, apertando e me fazendo se calar. -Eu não estou pedindo, quantas vezes eu tenho que te dizer isso? - pergunta irritado e me assustando. Meus olhos se enchem de lágrimas. Não sou de chorar fácil, mas tem tanta coisa acontecendo. Ele percebe as lágrimas e me solta, fechando os olhos e respirando fundo. - Te darei mais um tempo - diz apenas isso e se retira dali. Fico parada olhando esse saindo dali apressadamente. -Sem coração - sussurro e massageie onde ele apertou. -Você não quer mais brincar? - Anna aparece na porta do seu quarto. Me abaixo para ficar na sua altura. -Eu vou ao meu quarto, preciso resolver algumas coisas. Podemos brincar depois? -Ah, tudo bem então - diz tristonha - Depois a gente brinca - ela entra no seu quarto e tranca a porta. Sigo para meu quarto, onde me deito na cama e pego meu celular quase descarregado. Desço para a cozinha, onde encontro uma senhora arrumando-a. -Oi... - a chamo. -Olá - ela diz olhando docemente pra mim. -Eu queria saber se a senhora tem algum carregador para que eu ponha meu celular para carregar? - pergunto. -Não precisa - Escuto a voz de Oliver surgindo na cozinha, e a senhora sai logo depois. - Me dê seu celular, para proteção - ele diz estendendo a mão, porém não dou. -Não, o celular é meu! - digo brava e coloco minha mão que estava no celular para trás. -Não perguntei se era seu, agora me dê... - diz e tanta pegar, porém não deixo e dou um passo para trás. -Não irei te prejudicar se é isso que pensa - digo. -Eu mando aqui, e eu disse que não pode usar o seu celular - diz agora avançando e agarrando minhas duas mãos atrás de minhas costas. Seus lábios ficam a centímetros do meu, posso sentir nossa respiração se misturando, e seus olhar penetram no meu, um olhar severo. Sinto quando seus olhos descem para meus lábios e logo depois voltam para meus olhos. - Me obedeça - diz puxando o celular de minha mão e colocando em seu bolso. Saiu dali pisando duro e indo para meu quarto, me jogo na cama e fico no tédio, e com muita raiva daquele cretino. Duas semanas depois. Sim, já se passaram duas semanas, e eu não falei mais com minhas família (Sarah, Mamãe) e minha amiga Luiza. Estava um tédio total, eu nunca saia, nem conheço Seattle direito. A única coisa que me diverte um pouco nessa casa, é a presença de Anna, e também tem o Christophe, um amigo do super m*l morado do Oliver, que de vez em quando aparece na casa e nós ficamos conversando um pouco. Nada pessoal, apenas conversamos, e isso quando Oliver não estava lá, por que ele é super chato e m*l humorado. Christophe pensa que eu e Oliver somos realmente um casal. Oliver não disse nada a ele sobre o nosso casamento de mentira. Por falar em casamento, já estava tudo pronto, e Oliver já tinha marcado a data e desse vez não falei nada. O casamento já é sábado, daqui a cinco dias, hoje eu fui experimentar o vestido, que era de um branco lindo, perfeito e com uma enorme calda. Fui com uma estilista que Oliver pagou, e ela me ajudou a escolher. Eu me sentia um nada nessa casa, sem nenhuma amiga para conversar, desabafar... Como eu sentia falta de Luiza e Sarah! Já estava de noite, e eu estava em meu quarto deitada pensando em como Mamãe e minha irmã estavam. Levantei-me para ir a sala tentar usar o telefone fixo, já que Oliver pegou o meu celular e não me devolveu mais. Coloquei minha sandália, e desci para a sala, onde me abaixo na mesinha e pego o telefone. Na mesma hora, a porta da sala se abre, e vejo Oliver entrando com uma mulher... Mulher não, prostituta, só pode, com aquelas roupas curtíssimas. Ele beijava ela, agarrava ela, estavam quase trepando ali no meio da sala. Como ele pode fazer isso, sendo que ira casar comigo? Cretino, i****a, como eu odeio ele!!!! Nesse dias ele tem me tratado m*l, muito m*l, sem piedade mesmo. As vezes apertava meu braço forte, ele era assim com quase todos, menos com Anna, parece que com Anna ele se transformava em outra pessoa, em um Oliver bom. Voltando ao acontecimento daquele momento, vejo Olivier subindo com a tal mulher para o corredor onde fica os quartos de hóspedes, e não para o corredor onde é o quarto dele - Eu nunca conheci o quarto dele, por que sempre fica trancado, mas eu já tentei entrar e confesso que minha curiosidade ainda vai me matar. Estranhei ele não ter ido para seu quarto, mas deixei de lado, e eu terei uma conversar com ele, não é a primeira vez que ele trás uma mulher, e eu que não quero ter fama de corna ou chifruda, ah, mas isso não. E se ele continuar com isso, quem terá fama de corno e chifrudo será ele. Anota aí, Oliver!! Nem consegui falar com minha familia, o telefone apenas chamava. Fui para o quarto e ao passar no corredor pude ouvir gemidos daquela c****a i****a. Deitei na cama e apaguei. De manhã cedo, eu já estava de pé, e arrumada para o café da manhã. Coloquei um vestido azul claro, e uma sandália, deixei meus cabelos soltos e pronto, por fim meu perfume. Na mesa do café, já estava Oliver e Anna comendo. -Bom dia - sorrio para Anna que fica alegre em vir. -Bom diaaa! - fala entusiasmada. - Hoje irei fazer um cinema a que em casa, e papai irá participar, e você também , Evaa! -Hm, um cinema? - pergunto colocando meu café e olhando para Oliver, que não dizia nada, apenas encarava seu alimento a frente. - E o que iremos assistir? - Tô pensando em... Hm... Bela e a fera? - ela pergunta. Hmm, então seu pai estaria no filme? Ele seria a fera? - Sorrio com meus pensamentos bobos. Oliver levanta da mesa e deixa um beijo na cabeça de Anna - Bom estudo - diz e se retira sem falar nada para mim, mas também não me interessa. Passei o dia trancada sem fazer nada. Eu estava sofrendo ali, sem ninguém, me sentindo solitária e prestes a entrar em uma depressão. Não saiu, não trabalho, não estudo. A única coisa que passava meu tempo era a biblioteca e a comida que era um delícia, apenas isso. E as vezes eu ia para a academia que tinha alí, já que em Milão eu sempre ia. Oliver não veio almoçar em casa hoje, e achei melhor, pois almocei mais a vontade com Anna. De noite, eu e ela preparamos a pipoca e o filme, e deixamos tudo pronto para assistir quando Oliver chegasse. Eu subi para meu quarto, onde tomei um demorado banho, e vesti um shortinho Jens claro, e uma blusa branca de algodão manga comprida. Passei meu perfume e desci, mas antes de entrar na sala, vejo pelo canto Oliver beijando e fazendo carinho em Anna, que chorava de tanto achar graça. Quando eu entro, ele coloca ela do seu lado e seu sorriso diminui. Mas, que MERDA! O problema era eu? Eu era o motivo dele sempre ficar com aquela cara de m*l humorado dele? Eu, hein! Me sento no outro sofá e fico apenas esperando Anna colocar o play no filme. Oliver estava com uma roupa mais leve, mais caseira. Usava uma calça jeans preta e uma blusa de algodão azul forte. Seus cabelos bem penteados como sempre, e seu cheiro Másculo sempre ali. -O filme começou - Anna diz e fica atenta a tudo, e eu também. Logo na metade do filme quando a Bela começa a cantar, Anna também começa a cantar e dançar, e isso me faz rir de seus movimentos. Olho sem querer para Oliver, e ele me encarava, mas dessa vez seus olhos não estavam frios ou distantes, ou com rancor e raiva, estava diferente, estava com algo que eu não consegui dizer o que era, mas ainda era um olhar profundo, e confesso que era um olhar quente. Não era pra mim tá achando isso dele, pois ele me faz muita raiva, mas fazer o que? Mentira que eu não vou falar. Quando o filme acaba, Anna acaba dormindo no sofá, e eu me levanto para desligar tudo. Oliver pega Anna no colo e a leva para o quarto. Não esperei ele voltar, mas Oliver voltou e ficou parado na porta me encarando. -O que foi? - pergunto desligando tudo, e a sala fica escura, iluminada apenas pela claridade do abajur que fica no corredor de baixo. Me aproximo dele, e cruzo os braços, ele apenas me encara e não fala nada. - Boa noite - digo passando, mas ele segura meu braço e me faz parar. - O que foi? - pergunto olhando em seus olhos, que não estavam frios como as outros vezes. -Boa noite - diz me soltando e saindo ali. O que deu nele?
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