• Clara . . .
Uma semana depois...
— Tem casa não, é? — falei chegando perto dela, que tava sentada na praça tomando açaí com ele.
— Ter eu até tenho, né. Mas ele me chamou pra tomar açaí de graça, cê acha que eu ia perder?
— Ah é? Também queria um açaí, sabe... não que eu esteja te pedindo, né — falei olhando ele tirar vinte reais do bolso e me dar.
— Compra lá, quero o troco, viu — falou rindo.
Entrei na sorveteria que era do lado de onde eles estavam e fiz meu pedido. Assim que saí, já pude ver ele sentando e conversando com os dois. Não ia embora por causa da presença dele, então fingi que nem vi e voltei pro meu lugar.
— Educação mandou lembranças, hein — falou me olhando sentar ao lado dela.
— Moço, você nem gosta de mim, vou te cumprimentar pra quê?
— Por educação, né, minha filha.
— Ah sim, a mesma que você teve quando apertou e deixou meu braço roxo, né?
— Tu lembra disso até hoje? Porque eu nem lembrava mais que você acabou com a minha blusa.
— Mas é aquele negócio, né? Quem bate esquece, quem apanha não — falei comendo.
— Eu não entendo essa briga chata de vocês dois por bobeira. É tão difícil assim um pedir desculpas pro outro e ficar de boa? Sem essas briguinhas bobas!
— Como você quer que eu me desculpe com uma pessoa que nem educação pra conversar tem? — falou se levantando.
— Ah, eu? Eu não tenho educação pra conversar? Você quer mesmo conversar comigo sobre educação?
— Caraí, cês são insuportáveis, hein! Parece irmão brigando. Começa assim, daqui a pouco tão se pegando por aí, vai vendo.
— Cê fumou hoje, né? Pra tá falando umas parada dessa — falou se levantando. — Vou nem render, tô metendo o pé.
— Eu também vou ter que ir, tenho umas parada aí pra resolver — falou jogando o copo na lixeira.
— A gente se vê por aí. Bora?
Me despedi e fui andando na frente, enquanto ela ainda ficou lá falando alguma coisa com eles e depois veio correndo na minha direção.
— Vamo lá pra casa agora?
— Já parou pra pensar que eu fico mais na sua casa do que na minha? — falei rindo.
— Fazer o quê, se a minha é mais legal, né?
— E falando nisso, você já olhou a casa pra gente aqui? Não vejo a hora de falar que tenho meu cantinho logo.
— Tô olhando sim, inclusive achei algumas, mas não são do jeito que a gente tem em mente. Também tô doida pra sair da casa dos meus pais. Mas então, vai lá pra casa ou não?
— Mas você é chata, hein... vou ficar lá só um pouquinho.
De uns dias pra cá, tô ficando mais na casa dela do que na minha — e eu quase nem gosto, né? Fomos conversando até chegar na casa dela. Assim que chegamos, a mãe dela já foi me oferecendo várias coisas pra comer, e ela ficou revoltada como sempre. Diz que quando eu tô aqui, a mãe dela dá mais atenção pra mim do que pra ela. Eu só fico rindo. Depois eu que sou a boba que fica brigando por nada!