cap 09 ainda bem que ele apareceu

741 Palavras
• Clara . . . — Já escolheu a cor que vai passar? — Já, vou passar essa aqui, ó — falou me entregando um esmalte rosa claro. Tava no tédio total já, louca pra chegar em casa e descansar. Mas será que ela deixa? Assisti a todos os episódios da terceira temporada de Vis a Vis com ela, fiz bolo e ainda fiquei falando da vida dos outros, já que isso é especialidade nossa. E na hora que eu tô indo embora, ela me inventa de querer fazer a unha. — Impressionante como ele é mentiroso! Disse que ia resolver problema e agora, na cara de p*u, posta foto em baile, rodeado de mulher. — Agora você tá vendo como é r**m, né? Lembra que você fez o mesmo com ele? — Mas isso foi no começo, ele nem lembra mais disso. — Mesmo assim. Ele só tá fazendo o mesmo que você fez! Sustenta suas gracinhas, parceira. Tá parecendo ciúmes isso aí. — Ah, tadinha! Eu nem gosto dele tanto assim pra chegar ao ponto de sentir ciúmes. No máximo eu tenho uma quedinha. — Eu sei bem essa “quedinha” que você tem, viu... — Você também não pode falar nada, fica aí de implicância com aquele outro. Se eu te conheço bem, na primeira oportunidade tu pega ele. — Tá de gracinha hoje, hein? Prefiro ficar sozinha! Eu, ficar com um homem insuportável daquele? — Quem vê assim nem pensa que você também não é. Até nisso vocês dois dão certo — me encarou rindo — é sério, vai me dizer que você não acha ele bonito? — Acho! Mas do que adianta ser bonito fisicamente e querer se achar superior, só porque é dono daqui? — Sim. Não que eu esteja defendendo o que ele fez com você, mas você deveria dar uma chance de conversar com ele. Te garanto, ele só tá assim, com essa pose toda, porque você é igual a ele: não leva desaforo pra casa. Tem hora que ele é chatinho, mas pode ter certeza que é uma ótima pessoa. Isso eu te garanto. — Pode até ser, mas eu não vou dar o braço a torcer puxando assunto. Se um dia a gente conversar, eu tento ser mais legal. Tá aí, parceira, acabei. Ficou lindo porque eu fiz — falei vendo ela tirar foto da unha. — Nem devia te elogiar porque tu é muito convencida, mas ficou lindo. A unha da cliente também ajuda, né — falou rindo. — Ata — falei rindo. — Agora eu tenho que ir, já é onze horas da noite — falei arrumando minhas coisas que estavam jogadas pela cama. — Pera aí que eu levo você lá. — Precisa não, eu vou sozinha. — Uma hora dessas? — Vai dar no mesmo se você me levar, você vai ter que voltar sozinha também. — Sim, mas acontece que eu sou moradora daqui, geral já me conhece. — Fica na fé aí, quando eu chegar te ligo — falei saindo do quarto com ela me seguindo. — Tchau, dona. — Já vai? Achei que você ia dormir aqui hoje. — Não, amanhã eu tenho que trabalhar cedo e minha mãe já tá ligando aqui também. Vou nessa, beijo. — Outro pra você, minha filha. Vai com Deus. — Amém. Me leva lá no portão? — Não quer mesmo que eu te leve, né? — Não, tô de boa. Te ligo quando eu chegar, beijo. Me despedi e segui meu caminho. Como sempre, tava até mais movimentado hoje. Geralmente aqui é mais parado. Só fica cheio mesmo em dia de baile, festa ou algo do tipo. — Fica de boa e finge que me conhece — falou apertando meu braço e colocando uma arma na minha cintura. — Calma, por favor, não faz nada comigo — falei começando a entrar em desespero. — Eu te entrego tudo que você quiser, mas não faz nada comigo! — Não quero nada de valor seu, não, princesa. A única coisa que eu quero aqui é você — falou me puxando pra um beco e me colocando contra a parede, me deixando sem espaço pra sair. — Por favor, me deixa ir. Olha, eu juro que não conto pra ninguém o que aconteceu aqui — falei chorando. — Fica suave que eu não vou te machucar, mas pra isso você tem que colaborar comigo — falou tentando me beijar.
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