Capítulo 8: Matthew

1356 Palavras
O horário de saída já havia passado e nada da Lisa ser liberada da detenção. Queria poder ajudá-la, mas não há o que fazer, apenas esperar por ela. Adam e Quézia já tinham ido embora, mas ainda não estavam falando comigo- não entendo a implicância dela com a Lisa e nem o motivo do Adam ficar daquele jeito comigo- afinal, todos somos humanos- apesar de termos nosso dom especial. "Matthew?- Lisa me chama, me tirando do devaneio- aqueles trinta minutos de detenção se passaram tão lentamente." "Podemos ir?"- me ofereço para levar sua mochila e ela aceita. "Sim, obrigada por me esperar." "De nada- começamos a caminhar- vamos ter que ir à pé outra vez." "Tudo bem"- ela dá de ombros. "Mas como já havíamos marcado de sairmos, vamos para a praça." "Você havia dito que não queria estar perto dos seus amigos." "Sim, eu disse, mas mudei de ideia. Podemos ir?" "Claro"- ela dá um sorriso tímido. Caminhamos lado a lado e eu tomo uma atitude, segurando em sua mão. Ela novamente sorrir, mas não fala nada. A praça fica há dez minutos da minha casa- o que nos fez caminhar por cerca de trinta minutos. A rua estava movimentada, mas outra vez seguimos pelo atalho para chegarmos mais depressa e aproveitarmos o tempo juntos. Não sei se ela deixará eu beijá-la outra vez e confesso que gostei muito de seus lábios, tão macios. Meu coração ficou acelerado por vários minutos. "Matthew, podemos guardar segredo sobre o que aconteceu na hora do intervalo? Porquê se isso chegar no ouvido dos meus pais, eu posso ter problemas." "É claro, eu iria dizer o mesmo por causa dos meus pais também, mas quero te perguntar algo." Ela se vira para mim e acabo ouvindo seu pensamento, no qual ela pensa que a pedirei em namoro, mas não fiz isso porquê precisamos nos conhecer melhor antes. "Eu posso te beijar novamente?- ela me observa um pouco triste, mas faz que sim com a cabeça- não fique triste comigo. Eu quero namorar com você, mas precisamos nos conhecer melhor primeiro." "Você consegue ler minha mente?"- ela solta minha mão, chateada- "achei que não tinha esse dom." "Sim, eu tenho, mas não é sempre que consigo ler mentes, é algo bem raro e não sei como e nem quando acontece." "Entendo"- ela passa a mão no meu cabelo- "eu também quero namorar com você e concordo com sua opinião. Só senti minha mente sendo invadida quando alguém a lê." "Me desculpe por isso"- faço carinho em seu rosto- "eu quero te beijar." "Você não precisa pedir permissão para me beijar, Matthew." Como já estou com a mão em seu rosto, apenas levanto seu queixo e beijo a boca dela, o que faz os olhos dela se fecharem automaticamente. Sua língua passeava por minha boca e apenas nos soltamos por falta de ar. "Você beija bem- ela faz carinho em meu cabelo- já estamos chegando na praça, então é melhor evitarmos esses tipos de contatos, mas saiba que eu quero te beijar novamente." "Tá bem- solto a mão dela e seguimos pelo caminho como se nada tivesse acontecido entre nós dois. Meus amigos estavam sentados no banco da praça, de mãos dadas e, quando nos viram, nos olharam sério, mas os ignorei e seguimos para a pista de skate. Ao longe, várias pessoas estavam se aproximando para iniciarem seus esportes, mas como eu não havia levado meu skate, então, fiquei apenas observando os cidadãos. Meu coração continuava acelerado e eu queria beijá-la novamente. Dessa vez, parecia que ela havia lido minha mente e cochichou em meu ouvido: "Aqui é legal, mas poderíamos ir para um local mais reservado." "Sugere algum lugar?"- pergunto curioso. "Não conheço muito por aqui, mas onde caminhamos hoje parece um bom lugar." "Tudo bem, vamos"- seguro em sua mão e caminhamos para dentro do atalho, na floresta. Não demorou muito para que nossos lábios se tocassem outra vez. Sinto o coração dela se acelerar e minhas mãos soando. Seguro em seu queixo gentilmente, o acariciando, enquanto passeio com minha língua na boca dela. O beijo acaba tomando certa intensidade e damos uma parada, mas apenas para procurarmos um lugar mais reservado. Vimos logo uma árvore grande, cercada por matos altos em volta e como não temos medo de bichos- já que normalmente eles fogem de seres como nós- ficamos ali mesmo. A encostei na árvore e tomei seus lábios novamente. Eu não sabia bem onde colocar minhas mãos e não queria parecer um homem pervertido, mas percebi que ela queria que eu me aproximasse mais dela. "Está tudo bem?- ela me pergunta enquanto tento recuperar o fôlego- pensava que lobos não tinham problemas com respiração." "Eu não tenho- tento me defender- mas é porquê fiquei um pouco nervoso." "Mas por quê? Estamos apenas nos beijamos. Não vamos avançar em nada"- ela responde séria, mas logo dá um sorriso- "troca de lugar comigo." Ela me encosta na árvore e fica tão próximo de mim que consigo sentir a respiração dela no meu peitoral. Ela retorna a me beijar e eu me deixo levar pela emoção dos lábios dela. "Eu quero testar algo- ela faz sinal para eu me abaixar- apenas fique calmo, se estiver tudo bem, é claro." "Está tudo bem, fique tranquila." Me sento no chão e ela coloca as pernas em cada lado meu, sentando em meu colo. Voltamos a nos beijar- o que tornou nossos lábios muito quentes. "Acho melhor pararmos- digo tentando fazê-la se levantar- se continuarmos nos beijando assim, podemos não conseguir nos controlar." "Ah! Tudo bem"- ela se levanta, mas percebo o desapontamento em sua voz- "podemos voltar para a praça, se quiser." "Não fique chateada, Linda- tento segurar na mão dela, mas a mesma não deixa- eu apenas não quero fazer algo do qual você possa vir a se arrepender depois. Somos muito novos para tal coisa." "Não, está tudo bem. Me desculpe, eu me deixei levar pelo calor do momento- ela olha para os lados- eu tenho que ir embora. Já está escurecendo e meus pais não gostam que eu fique na rua até tarde." "Tudo bem, eu te levo até perto de casa." "Não precisa, eu aprendi o caminho. Nos vemos amanhã na escola?"- ela pergunta calmamente. "Sim, claro. Me avisa quando chegar, por favor." "Pode deixar- ela se aproxima de mim e me surpreende com um beijo- tchau Matthew." Ela sai de perto de mim, mas eu vou atrás dela e seguro gentilmente em seu braço. "Vem cá- a levanto no colo e ela dá um sorriso bobo- quero te dar mais um beijo antes." A ponho perto da mesma árvore e torno a beijá-la. Dessa vez com mais firmeza, passando as mãos pelo corpo dela. Ela nem tenta sair daquela posição- o que entendo que ela esteja gostando, mas ainda assim paro o beijo para ver seu olhar. Contém desejo e ela faz que sim com a cabeça para que eu continue. Não precisamos avançar demais, mas não posso deixa-lo sair daqui chateada comigo. Me sento no chão e a puxo para meu colo, mas dessa vez eu me deixo, a puxando para cima de mim. Ela leva um pequeno susto, mas não sai da posição que a coloquei. Seguro em sua cintura e faço movimentos leves com ela, que logo entende o recado e rebola em cima de mim. Não ficamos muito tempo nessa posição porque não quero exagerar. Rapidamente me levanto e limpo minha roupa. Ela solta um suspiro alto e sinto minhas bochechas avermelhadas. Depois, ela me dá um último celinho e segue seu caminho, enquanto eu retorno para a praça, tentando tirar o sorriso que se formou em meus lábios. Nunca havia feito aquilo com nenhuma menina e a sensação foi diferente, porém muito boa. Eu não sei como ela ficou com minha atitude- da qual ela queria antes e eu neguei- mas eu sei que gostei bastante, mas não tenho certeza se pretendo fazer isso mais vezes para não exageramos. Nem quero pensar no que nossos pais nos diriam se soubessem que estamos nos conhecendo melhor- incluindo beijos quentes e carícias inapropriadas.
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