CAVEIRA - MOVENDO AS PEÇAS

821 Palavras

A noite descia pesada sobre o Morro da Esperança. As luzes das casas iam acendendo uma por uma, como pequenas estrelas espalhadas pelas vielas apertadas. O som do funk baixo vinha de uma laje mais distante, misturado ao barulho das motos subindo e descendo carregando recados, dinheiro e droga. Dudu estava encostado em um muro perto da boca de baixo, com um rádio preso no peito e a pistola na cintura. Tinha dezenove anos, corpo magro ainda de moleque, mas os olhos cansados de quem já tinha visto mais coisa do que deveria. Ele puxou o boné mais para frente, tentando se concentrar no trabalho. O rádio chiou. — Movimento normal aqui na três. — Copiado — respondeu ele. Por fora, parecia apenas mais um vapor do morro. Por dentro, a cabeça dele estava longe dali. A mãe estava doente. Os r

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