O carro subiu o morro devagar, sem farol alto, sem buzina, sem aviso. Coringa não queria festa, não queria rojão, não queria multidão anunciando que ele estava de volta. Cinco anos fora mudam muita coisa — inclusive a forma de entrar. Mesmo assim, o morro sente quando o dono pisa de novo. Antes mesmo do carro parar na frente da boca, alguns vapores já tinham se espalhado pela viela. Um cochicho virou outro, e quando ele desceu do carro, os primeiros “é o chefe” começaram a ecoar. Não teve discurso. Não teve braço levantado. Mas teve respeito. Os vapores bateram no peito, alguns sorriram largo, outros só abaixaram a cabeça num cumprimento silencioso. O clima era de alívio. O dono tinha voltado. Coringa subiu os três degraus da boca e entrou na sala principal. O cheiro de cigarro, din

