Naquele dia, eu estava com um mau pressentimento, não consegui correr pela manhã por estar atrasada. Mas não quis focar muito nisso, era só uma sensação esquisita que logo passaria. Assim eu esperava.
Como estava em cima da hora, não pude tomar café. Então, pesquei uma maçã na fruteira e saí, preferindo não esperar o elevador, já que quase todos os moradores do meu andar saíam naquele mesmo horário e formavam uma pequena aglomeração. Eu não gostava de socializar pela manhã e, algumas vezes, demorava demais para o bendito parar no nosso andar. Dei um bom dia geral e desci as escadas, de dois em dois degraus. Assim era mais rápido.
Cheguei trinta minutos atrasada, era raro isso acontecer; eu odiava atrasos. Trabalhava como gerente em uma loja de roupas femininas no shopping e era sempre a primeira a chegar, porque geralmente era eu quem abria a loja. Quando me atrasava, a subgerente executava essa função.
Não demorou mais do que dez minutos para a dona da loja me chamar em seu escritório, eu sentia que boa coisa não deveria ser. Com toda a coragem do mundo, fui até lá, constatando que, definitivamente, eu não deveria ter levantado da cama hoje.