— Amanhã tem consulta do bebê — eu falo baixinho, quase cochichando, ainda meio grogue, tentando organizar a cabeça. — É aquela ultrassom pra levar depois pra doutora Isabela… mas eu soube que ela tomou um tiro. Provavelmente vai demorar pra se recuperar, mas eu preciso fazer os outros exames que ela pediu. Eu falo e fico em silêncio por alguns segundos antes de perguntar, porque ainda tô me acostumando com essa responsabilidade que ele tomou pra si, com esse jeito decidido de falar como se já fosse pai há anos. — Você quer ir comigo? Ele nem pensa, só aperta mais o braço em volta de mim, me puxando pra mais perto, como se a resposta estivesse no gesto antes mesmo da palavra. — É claro que eu vou, tá maluca? — ele fala sério, daquele jeito que faz meu estômago revirar. — Eu já te falei

