— Tô falando sério — eu digo, sentindo a garganta queimar —. Minha perna tá fodida. Eu tô com sede. Chama o Gadernal. Quero falar com ele. O silêncio dura só um segundo antes de virar gargalhada. — Chamar o patrão pra tu? — um deles responde — Se manca, menor. — Ele não tem tempo pra perder com projeto de PM não — o outro completa, se levantando e se aproximando um pouco da grade improvisada —. Fica quietinho aí, que tu tá vivendo teu último intercâmbio. Meu estômago revira. O medo cresce como um bicho rastejando por dentro do peito. Eu aperto os punhos, mesmo sabendo que não adianta nada. Tudo que eu queria agora era que ele fosse homem o suficiente pra vir até mim. Olhar na minha cara. Resolver isso de frente. Porque até agora ele conseguiu destruir meu futuro inteiro. Mas não teve

