— Doutora, a grávida aqui tá agoniada — a Júlia já começou, sem cerimônia nenhuma. — Quer ir embora, quer rastrear o marido, quer ver se ele ainda tá vivo, quer saber o que ele tá aprontando… — Júlia, não é isso — eu interrompi na hora, revirando os olhos, mas com um meio sorriso escapando. — Eu só não aguento mais ficar aqui dentro desse hospital. Eu preciso de som, preciso de vida, preciso ver gente. Ficar olhando pra essas paredes brancas o dia inteiro tá me deixando nervosa, de verdade. A doutora Isabela sorriu de um jeito tranquilo, daqueles que passam calma só no olhar, e se aproximou da cama, puxando a prancheta e começando a conferir meus exames com atenção. Ela falava comigo com uma voz leve, perguntando como eu estava me sentindo, se tinha sentido alguma dor diferente, se tinha

