Eu vi o chão abrir debaixo dos pés dele. Não foi de uma vez. Foi em camadas, igual parede velha descascando até aparecer o tijolo cru. O Pedro começou a gritar, mas não era grito de dor física. Era grito de quem teve a própria identidade arrancada no tapa, de quem passou a vida inteira acreditando numa coisa e, em poucos minutos, viu tudo virar pó. — Não! — ele berrava, puxando as próprias amarras com força inútil. — Isso é mentira! Tu tá mentindo! Tu tá inventando essa p***a pra me quebrar! Eu não precisei levantar a voz. Continuei parado, olhando. Às vezes, o silêncio pesa mais do que qualquer ameaça. — Meu pai não é isso! — ele gritava de novo, a voz falhando, os olhos vermelhos, o rosto molhado. — Ele não é esse monstro que tu tá falando! Ele me criou! Ele me ensinou tudo! Ele é mil

