Ele assentiu devagar, sério, entendendo exatamente o tamanho do que eu tava dizendo. Não era paranoia. Era guerra anunciada. Eu continuei, sentindo a garganta arder mais do que o álcool. — Eu não deixei aquela mulher viva à toa. Deixei viva porque exterminar do jeito certo exige tempo. Mas antes de qualquer coisa eu preciso contar pra Lívia essa p***a toda. A palavra saiu pesada, como se eu tivesse cuspindo um pedaço de mim ali. Meus olhos já ardiam, não de fumaça, mas de um medo que eu nunca tinha sentido antes. Um medo que não vinha da rua, vinha de dentro. O Caíque me encarou daquele jeito que só ele sabe, como quem lê o que eu não falo. — Irmão, presta atenção. Olha a mulher que tá do teu lado. Olha tudo que ela já passou, tudo que ela tá passando. Tu acha mesmo que ela vai te lar

