Capítulo 31-2

696 Palavras

Mas eu não quis matar o moleque primeiro. Eu quero o pai. Eu quero fazer ele sofrer. Eu quero ele como eu nunca quis ninguém. Eu quero a carne dele sob a minha mão. Eu quero a cara dele deformada. Eu quero o sangue dele no chão escorrendo entre os meus dedos, nesse solo que pra mim é sagrado. Eu quero ele implorando pela vida, e eu vou negar. Eu subi a Mangueira sem ver rua, sem ver gente, sem ver nada. Era só borrão. Só ódio. Só aquela cena repetindo na minha cabeça: ela defendendo o filho dela. Ela protegendo ele. Ela se jogando em cima dele. Ela desesperada. Ela chorando por ele. Ela rezando por ele. Ela me xingando por ele. Ela implorando por ele. E eu ali, com sangue na roupa, sangue no braço, sangue na mão, e uma raiva tão grande que eu tirava a camisa dentro do carro só pra sent

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