Capítulo 42-2

1123 Palavras

Ele não respondeu de imediato. Só respirou fundo, abanou mais uma vez o cheiro no ar, e então falou, com a voz baixa e tensa: — Não é sua culpa, Lívia. Você não tem culpa de nada. Pelo contrário. Ele me encarou como se quisesse dizer mais, mas se segurou. Então perguntou, meio do nada: — Ela nunca comentou? Nunca perguntou nada pra vocês lá sobre o morro? Sobre a favela? Balancei a cabeça, negando. — Não. Ela sempre tratou a favela com escárnio. Ela tratava eu e minha avó muito bem, ajudava a gente, sim. Mas sempre dizia que a gente não merecia estar aqui no meio desse bando de favelado. Que a gente merecia estar num lugar melhor. Ela era preconceituosa. Mas preconceito não enche mesa, né? E a gente precisava encher a nossa. Ele fechou ainda mais a cara. E eu sabia que, por dentro, e

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