Desejo de Vingança

1553 Palavras
Gael Barros Após anos planejando, hoje eu estaria colocando em prática aquilo que almejei durante anos e seria a concretização da desforra em cima da responsável por minha mãe nunca ter podido ser plenamente feliz com o homem que ela sempre amou. Eu odiava Rebeca Meirelles, pois ela era uma maldita garota egoísta mimada, que sempre conseguiu fazer com que seu pai, o Alfredo, a fazer todos os seus gostos e vontades, fossem eles quais fossem, mesmo que aquilo machucasse outras pessoas e isso só havia contribuído para que a filha se tornasse a pessoa fútil e mesquinha que ela era hoje. Mas Rebeca teria a lição que tanto merecia e eu estava me encarregando pessoalmente disso e nada, nem ninguém, conseguiria me dissuadir de todo o meu desejo de vingança, algo que eu vinha alimentando há anos, desde que Alfredo Meirelles deixara a minha mãe, contribuindo dessa forma para ela estar hoje no estado em que se encontrava. Contudo, ele pagou por ter se deixado levar pela filha egoísta e agora havia chegado o momento de ela aprender que na vida, às vezes, é preciso abdicar de nossos próprios desejos, em prol da felicidade de outras pessoas. — Vai deixá-la esperando por quanto tempo? — Meu assistente perguntou, sem se importar em enfrentar a minha fúria. — O tempo que eu considerar necessário. — Falei de modo rude. — Por que você não faz logo o que deseja e termina com isso de uma vez? — Andrey insistiu. — Não estou lhe pedindo conselhos e tampouco pretendo ouvir o que tem a dizer. — Revidei. — Farei da forma que eu desejar. Andrey foi ao bar e colocou mais uma dose de meu melhor conhaque e aquela já era a terceira. Eu o conhecia o suficiente para saber o quanto estava incomodado em fazer parte do circo que eu mesmo havia criado, este apenas para dar uma lição na riquinha mimada da Rebeca e que ele era totalmente contra aquilo. Eu não me importava nenhum pouco com a sua opinião, no entanto, mas gostava bastante da amizade que existia entre nós e, mesmo estando visível em sua expressão toda a contrariedade que sentia com a situação, eu insisti para que me acompanhasse naquele “passeio” de iate. — Não te pago para tomar toda a minha melhor bebida. — Também não sou pago para ser cúmplice em um crime, no entanto, aqui estou. Andrey não se intimidava em minha presença, como tantas outras pessoas faziam e sempre fazia questão de dizer exatamente aquilo que queria. E foi esse o motivo que me levou a promovê-lo de um simples estagiário na minha empresa de telecomunicações, a Aglo-X, para meu assistente pessoal, cargo de minha extrema confiança, mas que exigia bastante da pessoa que estivesse na função. O salário que eu pagava compensava toda a energia que uma pessoa neste cargo necessitava, pois, além de ter que estar a par de tudo no que dizia ao lado profissional, também precisava me auxiliar em meus pouquíssimos assuntos pessoais. — Não sei de onde você tirou essa ideia de crime. Tudo está sendo feito com o consenso da garota. — Disse fazendo um gesto de pouco caso. — Ela está aqui por que assim o desejou. — Ela está aqui por que se sentia desesperada ao ponto de aceitar entregar a virgindade dela em troca de dinheiro. — Isso só mostra o quanto ela é interesseira. Mais uma qualidade da minha querida Rebeca... — Falei com escárnio. Estávamos no convés principal do meu iate, o Antonela, após eu ter orientado a uma de minhas camareiras a levar Rebeca até o convés inferior, onde já estava uma mesa posta para dois, em um clima de romance, no intuito único de criar falsas esperanças para aquela garota fútil, pois ela teria muitas coisas de mim aquela noite, mas romance não estava entre elas. E eu não tinha pressa alguma em fazer aquilo.  Enquanto eu conversava com o meu assistente rebelde, sentado de maneira confortável em um sofá luxuoso no convés principal, ao som de uma música ambiente do meu agrado e tomando um excelente uísque, a Rebeca estava lá fora, pensando mil e uma coisas e, com certeza, temendo o grande momento. Talvez não, voltei atrás. Ela era uma garota extremamente interesseira e podia estar simplesmente pensando no dinheiro que iria receber, pois, agora ela tinha mais um problema em mãos. Ela não tinha mais o que entregar, pois, eu também me certifiquei daquele assunto. — Ela não sabe que caiu numa armadilha criada por você, desde a perda de tudo o que ela tinha, até a invenção desse aplicativo de leilões fajuto que você mandou criar, tudo isso apenas com o intuito de a ter a sua inteira disposição, para você a humilhar. — Não entendo como posso ser culpado por Alfredo ser viciado em jogos de azar e, ainda pior, um perdedor nato, que não sabia a hora de parar. — Apesar de estar me justificando, eu estava sorrindo por contar com a sorte em todos os passos da minha vingança. — Você se aproveitou da confiança que ele depositava em você, Gael. Deixou que ele se afundasse em dívidas e depois comprou a empresa dele, prometendo coisas as quais não pretendia cumprir. Ou melhor, não as cumpriu.  Eu sabia que tudo o que o Andrey falava era a mais absoluta verdade e não estava nenhum pouco envergonhado ou me sentindo culpado, como ele esperava que eu ficasse. Tudo havia colaborado para eu poder vingar o que fizeram com a minha mãe e eu iria até às últimas consequências para isso. Não teria compaixão daquela garota e ela teria que rastejar aos meus pés, implorando para que eu a ajudasse, do mesmo jeito que a minha mãe se humilhou para Alfredo não a deixar, apenas porque a filha não aceitava que ele tivesse outra mulher além de sua mãe, que até mesmo já havia falecido. O que Rebeca não sabia, pois, não apenas Alfredo tinha medo de a magoar, como também a sua própria mãe igualmente, é que eles não eram um casal já há bastante tempo e só estavam juntos por aparência, para que as filhas tivessem a família unida, mas que ele já tinha um caso extraconjugal com a minha mãe há vários anos, desde quando eu era apenas um adolescente. Quando a esposa faleceu, minha mãe acreditou que aquele seria o momento em que eles poderiam finalmente ficar juntos, de maneira pública e que ela enfim, poderia ser plenamente feliz com o homem que ela amava. Mas quando Rebeca descobriu que seu pai tinha outra mulher, ela ameaçou tirar a própria vida, fazendo chantagens nas quais, Alfredo acreditou e ele pediu para que a minha mãe esperasse mais um pouco, que quando chegasse o momento ideal, eles assumiriam a relação deles. Após mais de um ano, Antonela cansou de ser a amante, mesmo após a morte da esposa de seu amado e deu um ultimato, ao que ele acabou por escolher seguir aquilo que a filha queria e deixar a mulher com a qual já estava há anos, mesmo que de maneira secreta. Minha mãe ficou muito triste com aquela separação e, sem eu conseguir ajudar, ela estava com uma depressão muito forte, ao ponto de precisar ser internada em uma clínica de tratamento, da qual ela não quis mais sair. Eu a visitava sempre, mas ao saber da morte do Alfredo, tudo só piorou e eu perdia a minha mãe um pouco mais, a cada dia. Tudo aquilo só tinha uma única culpada: Rebeca! E ela iria sofrer, tanto quanto a minha sofria desde que perdeu seu grande amor.  — Você prometeu que cuidaria da Rebeca e da Isadora, como se fossem suas irmãs! — Andrey continuou a insistir. Ele fazia aquele mesmo discurso há dias e, por nenhum segundo sequer, senti remorso pelo que estava fazendo. Eu só estava retribuindo o m*l com o m*l. Era simples. — Eu irei providenciar para que a Isadora tenha um emprego digno.  Por mais que as duas irmãs fossem muito parecidas fisicamente, em personalidade eram completamente opostas e eu havia pesquisado bastante sobre as duas, tendo contratado até mesmo um investigador particular, apenas para ter certeza sobre todos os fatos e a verdade era que Isadora realmente era muito diferente da irmã gêmea. — Isso não é o suficiente. — A Isadora também cometeu alguns erros, ao se deixar influenciar pela Rebeca. — Disse, tomando um longo gole do meu uísque. — Ela não pensou no futuro, se empenhando apenas em acompanhar a irmã em viagens e passeios.  — Não julga que está sendo duro demais? — Estou. — Coloquei o copo vazio sobre a mesa de canto e caminhei até a escada que levava até um corredor e da lá, eu chegaria no convés inferior. — E não sinto nenhum remorso por isso. Não me incomodei em ouvir o que Andrey pretendia falar e continuei a passos duros, antecipando o prazer que eu sentiria ao estar frente a frente com a Rebeca e como seria extraordinário fazer aquilo, estando em uma posição de superioridade e fazendo ela se sentir da pior forma possível. Era isso que eu faria agora e nada do que ela falasse ou até mesmo que fizesse, me comoveria.
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