Gael
Olhei para a bela garota a minha frente, que parecia estar bastante nervosa, se a movimentação constante de suas pernas por baixo da mesa fosse realmente um indício disso, mas não senti nenhum pouco de compaixão por ela.
Ela poderia enganar algum desavisado, que não a conhecesse como eu a conhecia, mesmo nunca tendo encontrado com ela pessoalmente. Mesmo assim, eu sabia mais sobre ela do que várias das pessoas de seu próprio convívio.
Acredito até que nem mesma a Isadora, sua irmã gêmea, tinha conhecimento do quanto a Rebeca era egoísta, além de ser uma também uma manipuladora mesquinha, que conseguia com que as pessoas fizessem sempre o que ela desejava, sem que estas conseguissem nem mesmo se dar conta daquilo, que estavam sendo manipuladas.
Mas aquele não era o momento de pensar sobre a irmã "boazinha''. Aquele assunto era algo para se resolver em um outro momento. Apesar de não acreditar dever nada às filhas de Alfredo Meirelles, eu o faria pela Isadora.
Também havia o Andrey, que não me deixaria em paz, caso eu não cumprisse, ao mesmo em partes, aquilo que prometi ao Alfredo quando ele concordou que o melhor para todos seria que ele vendesse a empresa para mim e sanar todas as dívidas de jogo que possuía.
Mas o Andrey estar a todo momento fazendo questão de me lembrar da promessa que fiz Alfredo não interferia em nada na minha decisão de não ajudar a arrogante Rebeca. Muito pelo contrário, ela iria pagar pelo que fez e eu estava garantido isso pessoalmente
A Isadora era um caso à parte e logo nós poderíamos conversar pessoalmente.
- Podemos conversar de maneira civilizada agora?
Rebeca falou ao depositar os talheres ao lado do seu prato, mas já havia percebido, porém, que ela m*l havia tocado na comida. Eu não estava nenhum pouco preocupado com sua alimentação, no entanto.
- Nós conversamos de maneira civilizada desde que eu cheguei aqui, não concorda?
Ela suspirou resignada e estranhei a forma como ele se entregava tão facilmente. Imaginei que a Rebeca seria uma leoa, lutando pelo que queria até o fim, sem baixar a cabeça para ninguém. Esse foi o desenho que fiz dela, a partir de tudo que tomei conhecimento ao seu respeito.
- Posso saber ao menos o seu primeiro nome?
- Não entendo porque essa insistência em saber algo tão banal como o nome de alguém. Eu poderia falar qualquer nome, apenas para satisfazer a sua curiosidade, mas não acredito que precisamos realmente trocar falsas gentilezas.
- Não existem “falsas gentilezas”, senhor. - Ela teimou, parecendo até mesmo um pouco abatida. Como posso conversar com uma pessoa se nem mesmo o nome dela eu sei?
Se ela acreditava que iria me ganhar com aquela personagem que criou, de garota delicada e indefesa, ela estava bastante enganada e ela só iria entender isso. Eu ainda não havia mostrado a minha real personalidade e eu tinha certeza que esta era bem pior que as atitudes rudes que ela reclamava.
Contudo, consegui perceber por que ela conseguia enganar a todos, pois ela era de fato uma excelente atriz, conclui, ao olhar atentamente para ela, na cadeira em frente a minha e parecendo estar realmente temerosa do que estava prestes a acontecer.
Eu estava surpreso por ela ainda não ter tentado alguma artimanha, como me seduzir com seu charme natural ou, até mesmo, fazer com que eu bebesse além da conta. Quem sabe até mesmo colocar algo em minha bebida, de forma que eu não conseguisse lembrar nada sobre a nossa noite juntos.
Também estava surpreso com a forma como ela estava vestida, pois, apesar de estar linda, em um vestido preto que ia até a altura dos joelhos, ela não estava se aproveitando do fato para me enfeitiçar, como a garota manipuladora que era.
-Eu acredito que apesar de estarmos aqui com um propósito, nós podemos ser cordiais um com o outro. Não estamos aqui como inimigos em um campo de batalha.
- Você falou que queria conversar de maneira civilizada. Diga-me, o que deseja?
Eu não estava não estava com paciência para enrolação. Fiquei repetindo em minha mente que a Rebeca não ia conseguir me enganar como ela fazia com todo mundo e aquela falsa cara de inocente que ela tentava manter, não iria me amolecer.
Ela precisava aprender uma lição e saber que nem todos são bobos e caem na sua balela de conversa civilizada.
-Eu não posso. - Ela falou e parecia estar se sentindo derrotada. - Eu pensei que eu ia conseguir, mas eu não posso.
–Você teve tempo suficiente para saber se iria conseguir ou não e agora não é hora de voltar atrás.
Ela levantou da cadeira em um salto, derrubando até mesmo a cadeira às suas costas e me olhou com verdadeiro horror, algo que, mais uma vez, não iria ganhar a minha simpatia.
-O seu dinheiro ainda está depositado na conta. Você não vai perder nada! Pode até mesmo usá-lo para fazer o que você quiser e, se assim desejar, conseguir outra garota no aplicativo da mesma forma que conseguiu a mim.
-Eu não desejo outra. - Falei, sem me exaltar com sua explosão.
-Eu não entendo!
- Você não precisa entender nada agora. O que está feito, já está feito e não há mais chance de voltar atrás.
Ela fez uma expressão de imenso pesar e acredito que conseguiu até mesmo verter uma lágrima solitária. Eu sabia que aquilo eram lágrimas de puro fingimento e ela não iria conseguir me convencer com aquilo. Deveria ter ensaiado ao menos um pranto que fosse um pouco mais comovente.
-Você já terminou? - Perguntei, olhando para o prato intocado sobre a mesa, mas estava me referindo ao seu show de amadorismo também.
-Como eu posso conseguir comer, diante do que vai acontecer logo em breve?
- Vamos entrar agora. É totalmente desnecessário continuar insistindo nesse assunto.
Levantei da cadeira e olhei em sua direção, dando a entender que ela deveria me seguir e ela me olhou com certa dúvida em seu rosto, mas depois do que pareceram alguns segundos de hesitação, acabou por me acompanhar em direção aos degraus que levavam ao interior do barco.
Apesar de conhecer a Rebeca muito bem, aquela sua encenação estava quase chegando ao ponto de abalar um pouco a minha determinação em ir adiante com aquilo, pois era muito desagradável estar em companhia de uma pessoa que visivelmente estava contra sua vontade ali.
No entanto, por mais que eu a tenha manipulado para chegar até onde estávamos, foi ela que quis fazer aquilo, que ela que foi ao aplicativo falso e fez o seu perfil, colocou suas melhores fotos e se descreveu como “alguém que vai até às últimas consequências para conseguir aquilo que deseja”, só pensando no dinheiro que iria conseguir vendendo a sua própria virgindade, como eu sabia que ela faria.
Joguei a isca e ela caiu muito rápido, até mais do que eu supunha. Como também foi imediatamente em busca por apartamento que desejava, que não era nem mesmo algo grandioso, o comprando rapidamente apenas por estar localizado em um bairro nobre, onde ela poderia fingir um status que não mais possuía.
Ao invés de usar o dinheiro que iria ganhar para algo que pudesse ajudá-las em seu futuro, algo como um negócio próprio, para que pudessem ter alguma renda, optou por um apartamento que não teria nem mesmo condições de manter o condomínio, caso não conseguisse um emprego que pagasse um salário razoável.
Eu entendia que dois milhões eram muito dinheiro para quem tinha perdido tudo, mas os princípios deveriam falar mais alto e ela não pensou nem mesmo duas vezes e foi em frente.
Agora era chegada a hora de arcar com as consequências.
A Cintia só precisou da ideia e ela rapidamente estava criando o perfil dela no aplicativo que mandei criar especialmente para aquela armadilha enquanto eu caminhava na frente a Rebeca me acompanhava silenciosamente atrás e eu sentia o seu medo mesmo à distância.
Depois de andarmos por longos corredores, chegamos à cabine que eu havia separado especialmente para aquele momento, a melhor do do Iate, com todo luxo disponível de maneira ostensiva apenas para agradar os olhos da ambiciosa Rebeca.
Assim que abri a porta, aguardei a sua entrada, pois pretendia ver a sua reação. Apesar de saber que ela estava acostumada com luxo, pois foi criada na riqueza, agora ela não mais a possui e provavelmente qualquer oportunidade de usufruir do que era bom seria aproveitada por ela.
Para minha surpresa, ela não pareceu se importar com o ambiente a sua volta e a sua postura era de derrota, algo bastante estranho para uma pessoa como a Rebeca.
Se eu não soubesse o quanto ela era manipuladora, eu poderia ATÉ acreditar naquele seu comportamento tão diferente do usual. Ela deveria estar tentando passar a imagem de alguém humilde, mas ela não deveria nem mesmo saber o significado dessa palavra.
Feche a porta com estalo e percebi que ela estremeceu e aquilo me deixou intrigado
- Para uma pessoa que teve a coragem de vender a virgindade em um aplicativo, você parece bastante nervosa. Deveria saber que quando vendemos algo, precisamos ter aquilo para entregar
- Independente do meu nervosismo, estou aqui para arcar com as consequências do que decidi fazer. - Enfim, ela estava reagindo e mostrando a sua verdadeira personalidade.
- Mas não parece nem um pouco disposta.
- Acredito que a única coisa que importa é que eu entregue o que vendi e não à disposição com que eu faço isso.