Eu me aproximei e a envolvi em meus braços, sentindo o corpo dela relaxar contra o meu. Talita sempre tentou ser forte, mas eu sabia o quanto ela carregava dentro de si. Beijei-a, querendo que ela soubesse que eu estava ali, com ela, em cada momento. Quando nossos lábios se tocaram, foi como se todo o peso que carregávamos juntos se dissipasse, pelo menos por um instante.
Mas eu precisava dizer o que estava pensando. Eu sabia que esse retorno estava sendo difícil para ela.
– Vai ficar tudo bem, não é? – perguntei, olhando em seus olhos. – Se você achar que voltar para esta cidade é demais, podemos sair daqui. Não tem problema. Posso mandar meu irmão cuidar da empresa, se for o caso. Você e Júlio são a minha prioridade.
Ela me olhou profundamente, e vi nos olhos dela a força que sempre admirei.
– Não tem problema, já falei para não se preocupar – ela disse, com mais firmeza. – O que importa é que estamos juntos. Não importa onde estejamos.
Eu a beijei de novo, sentindo cada palavra dela ecoar dentro de mim. Sabia que, com Talita, tudo era possível. Quando a levei para a cama, não havia pressa, apenas a certeza de que estávamos criando um futuro juntos. Toquei seu corpo com cuidado, tirando sua camisola e apreciando cada momento. Cada beijo era uma promessa, uma reafirmação de que estávamos nessa jornada juntos. Não importava o que o passado havia nos trazido; o que importava era que estávamos criando algo novo.
Uma nova manhã
Acordei sentindo o sol bater levemente no meu rosto. Quando abri os olhos, vi Talita ao meu lado, já acordada, me observando com um sorriso. O quarto estava banhado por uma luz suave, e naquele momento, senti que estávamos exatamente onde deveríamos estar.
– Bom dia, esposa – murmurei, com a voz ainda rouca de sono.
– Bom dia, marido – ela respondeu, rindo baixinho enquanto se aproximava mais de mim.
A segurei em meus braços, sentindo o calor do corpo dela contra o meu. Estávamos construindo algo forte, algo que resistiria a qualquer tempestade. Sabia que ainda tínhamos desafios pela frente, que voltar para esta cidade traria seus próprios fantasmas, mas também sabia que, juntos, poderíamos enfrentar qualquer coisa.
– Estamos construindo algo lindo, não é? – ela disse, sua voz cheia de ternura.
– Estamos – respondi, sorrindo para ela. – E eu vou te amar todos os dias, não importa o que aconteça.
Talita
A luz suave da manhã banhava o quarto enquanto eu olhava para Alexandre. Cada vez que ele me puxava para mais perto, me sentia grata por ter encontrado alguém como ele. Estar de volta a esta cidade, enfrentar o passado, tudo parecia menos assustador com ele ao meu lado. Sabia que, com ele e Júlio, eu tinha a família que sempre desejei. E agora, estávamos prontos para enfrentar o que viesse, juntos.
Júlio
Entrar naquela escola nova já era difícil o suficiente. Ser o "novo aluno" sempre trazia olhares curiosos, cochichos e a pressão de se encaixar. Mas, para mim, a verdadeira dificuldade não estava no desconhecido. Estava no familiar. Estava em Sérgio.
A simples visão de Sérgio me incomodava de uma forma que eu não sabia explicar completamente. Ele estava sempre lá, com seu jeito alegre e descomplicado, como se o mundo inteiro fosse um lugar fácil de viver. Ele era tudo o que eu nunca tive. Ele era o filho de Sandro, o filho que Sandro havia escolhido. Toda vez que eu via Sérgio, era como um lembrete c***l de que, para meu pai, eu e minha mãe nunca fomos o suficiente.
Eu tentava evitá-lo, mas Sérgio parecia estar em todo lugar. Eu não podia escapar.
Caminhando pelos corredores da escola, ouvi sua voz ecoando atrás de mim.
– Ei, Júlio! Espera aí! Por que a pressa? – Sérgio me chamou.
Aumentei o passo, fingindo que não ouvi. Meu coração acelerava de raiva toda vez que ele tentava se aproximar. Sérgio não entendia. Não podia entender. Ele nunca teve que lidar com a ausência de um pai. Ele não sabia como era crescer ouvindo o silêncio onde deveria haver uma voz, um abraço, uma presença.
E então, quando ouvi suas palavras, algo dentro de mim explodiu.
– Você não quer fazer amigos? – Sérgio perguntou, sua voz cheia de uma inocência que me irritava profundamente.
Eu parei. Respirei fundo. E me virei para encará-lo.
– Sim, Sérgio, não quero ser seu amigo – disse, minha voz carregada de uma frieza que nem eu sabia que possuía.
Eu vi o choque nos olhos de Sérgio. Ele não estava acostumado a ser rejeitado. Ninguém dizia "não" para ele. Mas naquele momento, eu não me importava. Eu queria que ele entendesse, que ele sentisse um pouco da dor que eu carregava.
– O que eu posso fazer para que você queira ser meu amigo? – ele perguntou, genuinamente confuso.
Eu o encarei. Havia tantas emoções dentro de mim que eu m*l conseguia colocar em palavras.
– Nada – respondi, curto e direto. Nada que ele fizesse poderia mudar o fato de que ele era o filho que meu pai escolheu. Nada apagaria a dor de ter sido deixado para trás.
Sérgio tentou disfarçar, mas vi a tristeza em seus olhos antes que ele se afastasse. E enquanto eu me virava e saía dali, uma parte de mim sabia que talvez eu estivesse sendo injusto. Mas a dor era tão grande que eu não conseguia agir de outra forma.
Sérgio
Nunca fui rejeitado dessa forma antes. Sempre fui o tipo de pessoa que as pessoas queriam por perto. Talvez fosse meu jeito extrovertido, ou o fato de que eu sempre tentei ser amigável com todo mundo. Mas Júlio... ele era diferente. Eu tentei de todas as maneiras me aproximar, mas cada vez que eu fazia isso, parecia que a distância entre nós só aumentava.
A rejeição dele doía. Eu não entendia o porquê. Por que ele me odiava tanto? Eu não tinha feito nada. Queria apenas ser seu amigo, queria que pudéssemos nos entender. Mas cada vez que tentava, ele se afastava mais.
Eu fiquei parado no corredor por alguns segundos, tentando entender. Não fazia sentido. Meu pai sempre me ensinou a importância da família, mas por que Júlio me desprezava tanto?