capítulo 20: Liberdade

1108 Palavras
Estou sentada aqui, no sofá desta casa que me traz tantas lembranças. É engraçado como a vida dá voltas, e eu acabo voltando ao lugar onde tudo começou, onde meu pai me criou. Cada canto deste lugar me lembra da segurança e do amor que ele me deu, coisas que pareciam tão distantes nos últimos anos ao lado de Eliton. Ainda não consigo acreditar no que vi ontem à noite... Eliton e Ana, juntos. A traição estava escancarada na minha frente, e eu não pude fazer nada além de fugir. Marcela (pensando): "Como ele pôde fazer isso comigo? Como pude ser tão cega? Ou será que sempre soube, no fundo, que esse casamento era uma farsa? Talvez eu estivesse apenas me agarrando à esperança de que, de alguma forma, as coisas mudariam." Eu passei a noite em claro, envolta por um misto de dor, tristeza e, surpreendentemente, alívio. As lágrimas vieram e foram, mas no fim, encontrei um pouco de paz ao perceber que não estou mais presa àquela vida vazia. Estou aqui agora, nesta casa, com meu filho, e tenho uma nova chance. Preciso ser forte por ele, porque é tudo o que me resta. Levanto-me do sofá e vou até a janela da sala. Lá fora, o dia está começando a despertar, e o sol lança seus primeiros raios dourados pelo campo. O ar é fresco e puro, muito diferente do ar pesado e cheio de tensão que senti naquela casa com Eliton. Aqui, eu posso respirar novamente. Marcela (pensando): "É aqui que vou reconstruir minha vida. Não vou permitir que o que aconteceu com Eliton e Ana me destrua. Eu mereço mais, meu filho merece mais." Ao pensar no bebê, levo instintivamente a mão à barriga. Sinto uma onda de carinho e proteção crescer dentro de mim. Mesmo com toda a confusão, com toda a dor, este pequeno ser me dá forças que eu nem sabia que tinha. Ainda é cedo para sentir os chutes, mas já posso sentir sua presença. Ele é meu, e eu serei a mãe que ele merece, mesmo que isso signifique enfrentar tudo sozinha. Lembro-me da conversa com Eliton na noite passada, antes de eu descobrir a traição. Contei a ele sobre o bebê, sobre o tumor. Ele reagiu como eu esperava, sem emoção, como se isso fosse apenas mais um inconveniente no caminho dele. Talvez ele tenha visto no bebê uma responsabilidade da qual queria se livrar. Marcela (pensando): "Ele nunca foi capaz de entender o que é realmente cuidar de alguém. O casamento, para ele, era um negócio, uma fachada. Eu fui apenas uma peça nesse quebra-cabeça, uma parte do acordo." Abro as janelas da casa, deixando o ar fresco entrar. O sol ilumina o cômodo, trazendo uma leve sensação de esperança. É hora de recomeçar, de traçar um novo caminho para mim e para o bebê. Tenho esse refúgio, tenho meu trabalho, e agora, tenho uma nova razão para seguir em frente. Decido organizar as coisas na casa. Cada pequena tarefa, como arrumar os móveis, limpar os armários e abrir as cortinas, parece um passo em direção ao controle que perdi nos últimos meses. Enquanto faço isso, penso nas próximas decisões que precisarei tomar. A biópsia está marcada para a próxima semana, e o medo do que os médicos possam descobrir ainda está lá, em algum lugar no fundo da minha mente, mas não posso me deixar abater por isso agora. Marcela (pensando): "Se for câncer... eu vou lutar. Eu preciso lutar, não apenas por mim, mas pelo meu filho. Não vou permitir que ele seja mais uma coisa que Eliton destrua. Ele é minha esperança, minha razão para continuar." A casa, aos poucos, vai tomando vida. As lembranças de meu pai me cercam, mas em vez de tristeza, sinto uma sensação de paz. Ele sempre disse que essa casa seria meu refúgio quando eu precisasse, e agora, entendo o que ele quis dizer. Aqui, estou segura. Aqui, eu posso recomeçar. Termino de organizar as compras e vou até o jardim. A grama está alta, as flores precisam de cuidados, mas tudo isso pode esperar. Sento-me no balanço de madeira que meu pai construiu, e por um momento, deixo que a brisa suave me acalme. Fecho os olhos e respiro fundo. Marcela (pensando): "Vou criar meu filho aqui, longe das mentiras e traições de Eliton. Vou fazer isso por mim, por ele, e pelo futuro que ainda podemos ter." Abro os olhos e vejo o horizonte. O futuro ainda é incerto, mas pela primeira vez em muito tempo, sinto que há esperança. Não será fácil, eu sei disso. Ainda há tantas batalhas pela frente – a doença, a solidão, a criação de um filho sozinha. Mas agora, estou mais determinada do que nunca. A voz de meu pai ecoa em minha mente: "Você é mais forte do que pensa, Marcela. Nunca deixe que ninguém tire isso de você." E agora, eu acredito nessas palavras. Sou mais forte. E por mais difícil que seja, vou vencer essa batalha. Levanto-me do balanço e entro novamente na casa, pronta para enfrentar o que vier. Marcela (pensando): "Hoje é o dia da biópsia. As palavras do médico ainda ecoam na minha cabeça, mas eu preciso me manter calma. Se for câncer, vou lutar. Vou lutar com tudo o que tenho, porque não vou deixar que essa doença me tire o que mais importa: a vida do meu filho." Chegando ao hospital, a frieza dos corredores e o som distante de conversas e equipamentos médicos me lembram do que está em jogo. Sento-me na sala de espera, as mãos trêmulas sobre a barriga. O bebê ainda é tão pequeno, mas já é tudo para mim. Marcela (pensando): "Tudo vai ficar bem. Preciso acreditar nisso." Quando o médico finalmente me chama, levanto-me e o acompanho até a sala de exames. Ele explica o procedimento com cuidado, tentando me tranquilizar. Mas nada pode afastar o medo que cresce dentro de mim. Deito-me na maca, tentando me concentrar na respiração, tentando me manter calma. Tudo pelo meu filho. A biópsia é rápida, mas dolorosa. O médico diz que os resultados estarão prontos em alguns dias. Marcela (pensando): "Agora é só esperar. Esperar e rezar para que o pior não se confirme." Saio do hospital com o peso do mundo sobre meus ombros, mas determinada a seguir em frente. Preciso estar pronta para qualquer resposta que venha. Volto para casa, para meu refúgio, e me sento novamente no balanço do jardim, esperando pelo que o destino me trará a seguir. Marcela (pensando): "Não importa o que aconteça, eu vou lutar. Por mim e pelo meu filho."
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