Pré-visualização gratuita Capítulo I
Olá, amores!
Esse capítulo só será postado na Dreame por enquanto, é para matar a saudade de vocês. Mas quero ecsrever um pouco mais antes de começar a postar. Sigam o livro e compartilhem, para me ajudar a consgeuir contrato!
BJKS!
Ps.: A Dreame agora tem limite máximo de 900 palavras por capítulo, não querem capítulos grandes...
*****
Oníria...
Um mundo que eu não sabia que existia até ser sequestrada por criaturas que eu pensava serem apenas ficção.
Eu sou Carolina Medeiros, vinte e seis anos, doutora em biotecnologia, QI de 170, com total inaptidão para socialização.
O meu lugar era em um laboratório, cercada por pipetas e microscópios, não em uma cela abandonada com um lobisomem alfa me encarando como se eu fosse o próximo pratinho do jantar.
O som da porta trancando por fora me causou um frio na espinha. Eu já tinha sentido medo antes, mas nunca tão forte quanto naquele momento. Desde que cheguei neste mundo, trabalhei incansavelmente para encontrar a cura e a vacina para uma doença que acometia a mesma espécie que me tirou do meu mundo.
Acreditei que conseguiria me libertar, fugir desses monstros, especialmente no dia de hoje, em que haveria uma grande festa no território vizinho. No entanto, antes que eu conseguisse por o meu plano de fuga em prática, fui arrastada até aqui.
Parada diante de um lobisomem que estava perdendo a sanidade, me dividia entre o interesse científico na condição daquele espécime e a necessidade de fugir para um lugar seguro.
Ele rosnava e babava, grunhindo de dor enquanto o corpo convulsionava de uma forma nada agradável. Pelos se formavam, pele se soltava da carne, ossos se contorciam e partiam em pedaços antes de retrocederem à forma anterior. Ele estava agonizando e eu não conseguia conter o ímpeto de me aproximar para examinar melhor.
Por um breve momento, os nossos olhares se encontraram e vislumbrei um resquício de humanidade em sua forma distorcida.
Os seus olhos, vermelhos como brasas, se suavizaram ao notarem a minha presença. Talvez fosse apenas impressão minha, mas o meu coração apertou. Era como assistir a um cachorrinho agonizar... Um cachorrinho enorme, com dentes afiados que facilmente estraçalhariam a minha carne.
Ele se contorceu novamente de dor, se encolhendo. Uma criatura enorme reduzida a... não sei dizer, mas não senti mais medo. Me aproximei mais ao notar a mancha escura que ele tinha na barriga, como se tivesse levado muitos socos em torno do umbigo. Curiosa e, confesso, um pouco preocupada com a razão daquele sofrimento, estendi a mão instintivamente e toquei a sua pele. Estava febril, escorregadia pelo sangue, mas no instante que o toquei, o monstro gemeu e lágrimas escorreram de seus olhos assustadoramente rubros.
Quando tentei me afastar, ele rosnou e me mostrou os dentes, segurando a minha mão com as suas garras e me forçando a manter contato.
— Fale mais, humana! — Ele ordenou.
Eu tinha apenas perguntado como ele estava, pergunta tola, era óbvio que não estava bem. O que deveria dizer a um monstro que estava enlouquecendo? Olhei para a porta trancada e a criatura que me forçou a entrar ainda não tinha voltado.
— O que quer que eu diga, alfa Noah? — perguntei, tentando manter a voz firme.
— Argh... apenas fale! — ele respondeu, sua voz trêmula.
Respirei fundo, fechei os olhos, e comecei a falar qualquer coisa que vinha à minha mente.
— Tá bom, é.. vamos lá. Eu cresci em um orfanato. Nunca conheci os meus pais, mas isso não me incomodava. Se eles me abandonaram, não vejo razão para sentir falta do que nunca tive.
Parei de falar, surpresa com as minhas próprias palavras. O que eu estava fazendo ali, contando a um lobisomem que em breve iria me matar, sobre o meu passado?
— Fale! — ele repetiu, sua voz mais suave agora.— Como foi crescer... sozinha? — ele perguntou, sua voz como um grunhido angustiado.
— Não era sozinha, tinha muitas crianças lá, a maioria abandonada como eu. Não tinha amigos, nunca gostei de brincar de bonecas, muito menos fogãozinho e panelinha, então, ficava sozinha por escolha.
Ele fechou os olhos e deslizou a minha mão por seu ventre, um carinho artificial que eu estava sendo forçada a oferecer.
— Quer... eh... que eu massageie o seu abdome? — perguntei, tentando manter a voz firme.
Ele abriu os olhos, aquele olhar de cachorrinho de novo.
— Sim, mas, não pare de falar! — ele respondeu, sua voz mais suave agora.
Acho que era o lobo dele me olhando daquele jeito que eu não sei decifrar. Essas criaturas têm uma espécie de personalidade dissociativa, dois em um, ou até mesmo três em um, em casos especiais.
Deslizei a mão e contei a ele sobre a minha infância, os colegas de orfanato, o meu desejo de me tornar independente…
— O.k… Como estava dizendo, minha infância foi um tanto solitária e-
— Ser solo é…maldição! — Ele exclamou, me interrompendo com um grunhido angustiado.
— Ser sozinho pode ser bom, sabia? De onde eu vim, costumam dizer que é melhor estar só do que m*l acompanhado!
Ele gemeu novamente, se encolhendo sobre si mesmo. Coloquei outra mão sobre o ventre dele, sem nem pensar no que estava fazendo e ele fechou os olhos.
— Quando termineio primário, um homem apareceu no orfanato. Disse que eu era especial e que ele tinha uma instituição para crianças especiais como eu. Tipo o Xavier dos X-men…ah, claro, você não faz ideia do que seriam os X-men. De todo modo, eu tenho o QI acima da média, facilidade para aprender novos idiomas, fazer cáculos matemáticos e amo números. Gosto de probabilidades também, e da teoria do Caos. O Caos explica mais do que qualquer religião, especialmente para mim, visto que sou ateia…
A porta abriu e a criatura que me trancou naquele lugar chegou, esbaforida com a minha valise na mão.
— Aqui estão as suas coisas, cure o meu pai, humana!
Assim que a minha história se tornou a nossa história, eu acho…. fui trancada numa sala com um lobisomem alfa e a filha dele exigia que eu o curasse!