Entre o Batuque e o Silêncio Letícia A música mudou. De um samba animado, cheio de gargalhadas e passos soltos, passou pra um pagodinho mais lento, arrastado... daqueles que fazem a gente dançar colado sem perceber. A batida entrou no corpo e pareceu conversar direto com o coração. Jonas ainda segurava minha mão, mas agora a outra já tava na minha cintura, firme, mas com delicadeza. A gente começou a dançar devagar, mais perto do que antes, num compasso que parecia só nosso. O som ao redor sumiu, as luzes, as conversas, os copos se batendo... tudo virou ruído distante. — Curte essa música? — ele perguntou, baixinho, a boca quase encostando no meu ouvido. Assenti, com um sorriso tímido, sentindo o arrepio tomar minha pele. — Ainda mais assim... Ele sorriu de canto, daquele jeito que

