Entre Afeto e Medo Letícia As manhãs tinham mudado. Agora, quando eu descia pra tomar café, já sabia que Jonas estaria por ali. Às vezes no quintal, lavando a moto. Às vezes na varanda, com um copo de café forte na mão e aquele olhar de quem já viu demais, mas ainda tenta acreditar no que é leve. A relação entre nós já não era mais só de cuidado. Era de presença. De risos tímidos. De conversas longas na laje durante o fim da tarde. Era de carinho. E de um desejo silencioso que pairava no ar mesmo quando ninguém falava nada. Minha mãe notou primeiro. — Você tá sorrindo mais — ela comentou, numa dessas manhãs, me entregando uma fatia de bolo. — Sério? — perguntei, tentando disfarçar o rubor. — Sério. E isso tem nome — ela disse, com um sorrisinho cúmplice, lançando um olhar rápido pr

