9-35 Ruby

1215 Palavras
Jason para a moto em frente à boate, desço da moto e caminho até o centro encarando a faxada do lugar. — Vamos. — Ele diz rudemente batendo seu ombro no meu quando passa por mim. Apenas o acompanho em silêncio, talvez em meio ao desespero eu não pensei bem quando vim. Acho que já vesti essa ideia na minha cabeça, de que é essa vida que me pertence e que não mereço mais nada melhor. Não que eu realmente pense isso, é só uma hipótese. — Mãe! — Jason gritou pela Ruth quando pisamos no seu chão de mármore. Não demora muito para que ela surja lá de dentro, para na porta e me encara com sangue nos olhos. É como se ela sentisse raiva de mim, eu não sei. Por algum motivo ela me odeia, parece ter uma rivalidade feminina fortíssima. Não é nem só comigo, sinto isso na relação dela com as outras também mas talvez ela puxe mais o meu pé já que sou a principal. — Rubi, querida. — O tom de voz dela saiu falso, neutro sem esboçar muito sentimento. — Quais são as ordens? Subir para o quarto e me arrumar rapidinho? — Questionei com o tom de voz mais irônico, mas aquele tipo de ironia tão cansada. — Calma, antes temos uns assuntos pendentes. — Que assuntos? — Franzi o cenho. — Primeiro, agora você tem uma dívida comigo e com o meu filho, segundo, você ligou para a polícia para ferrar comigo. — O que!? Não! Eu não fiz isso… de onde você tirou… — Parecia que eu iria infartar. — Então quem foi? — Por que eu iria saber? — Talvez porque essa pessoa seja alguém que você esfrega o seu corpo que nem uma prostituta. — Não foi o Dean, se é isso o que está insinuando. — O defendi. — Ah, claro. Já posso descartar o Dean. — Riu sem humor. — Eu só queria te dá uma lição, não pretendia te obrigar a se prostituir. Mas alguém na p***a desse lugar quase fodeu com tudo, só saímos ilesos por causa do Nakashima. — Eu dou a minha palavra que pode não valer nada para você, mas dou a minha palavra que não liguei para a polícia. Não brinco por brincar, se eu fosse ligar para a polícia com a intenção de acabar com os seus negócios, você não estaria aqui na minha frente, estaria no presídio feminino de segurança máxima. — Isso é uma ameaça? — Riu mantendo a expressão neutra. — Sim, está vendo como sou transparente? Se pretendia me castigar por causa da merda dessa ligação, mude de planos, porque não foi eu. — Ergui o peito novamente, sentindo as minhas forças sendo recarregadas. É isso, a Ruth é a minha fonte de energia. É como se quando ela está por perto, o meu ódio cresce tanto que minha vontade de vencer vai descontrolada junto com o ódio. Ela virou de costas e saiu caminhando de um lado para o outro. Depois de um tempo olhei para o lado e vi Jason ali parado ao nosso lado absorvendo a conversa. Balancei a cabeça me incomodando com a existência inútil dele. — Você é o vilão mais fútil, não tem jeito. Não serve nem mesmo para amedrontar, só para fazer raiva. — Resmunguei. — Em anos eu nem sequer soube da sua existência, agora todo lugar que eu vou sou obrigada a ver essa sua cara horrorosa, vou ter pesadelo com você. — Não me teste, esqueceu que você está me devendo também? Você ama dívidas, não é? — Sorriu cheio de humor. — Quanto mais você fica aqui por perto, mas suas dívidas aumentam, já notou? Por que não foi embora, por que não ficou com o Dean? Já sei, você gosta daqui, não é? Não consegue ficar longe, porque gosta de estar no controle. — Eu sempre volto porque não tenho opção, seu i****a. Ficar com o Dean só iria me fornecer um teto, se eu não precisasse de muita grana, não seria aqui que eu estaria, garanto para você. — Já chega, vocês dois. — Ruth esbravejou voltando a se posicionar em nossa frente. — Tudo bem, posso subir para o quarto agora? — Não, não quero mais você aqui. Se quiser ficar, vai ter que implorar para ficar. — Ruth sorriu de canto enquanto me encarava, parecia m*l esperar por esse momento. Sinto que o que ela queria não era que eu fosse embora, ela queria mesmo era me humilhar. Sabia que eu não tinha para onde ir, não tinha mais escolhas e ou implorava para ficar aqui com ela para que depois ela me humilhasse ainda mais a cada dia que passasse, mas ela precisava de mim e não queria que eu fosse embora. — Não. — Respondi simples depois de pensar um pouco, o sorriso dela morreu no mesmo instante confirmando o que eu já sabia. Ela só queria me humilhar, não esperava que eu recusasse assim. — Como é? — Ruth até gaguejou um pouco e riu sem humor com o olhar neutro como se tentasse se recompor. — Já estou cansada de você, isso já está me irritando. Para mim, chega. Acha que eu ainda estou sozinha? Que ainda sou aquela menininha sozinha no mundo? Estou cansada de você inventando dívidas que não existem, aumentando cada vez mais a p***a dessas dívidas para me ter presa a você. Sem mim, você não é nada! — Cada palavra era um alívio, um desabafo liberto. — Não inventei dívida nenhuma, e as mensalidades do seu último colégio particular, quem foi que pagou? O teto que você dorme, a cama, roupas que usa, comida… você também pode dizer tudo, menos que sou nada sem você. Você realmente é essencial, mas não eleve muito o seu tamanho, Rubi. Você não é tudo isso. — Então você consegue viver sem mim. — Ri sem humor com um tom de ironia. — Você não pode ir embora, onde vai? Tem que me pagar, tem que pagar o Jason, você não pode simplesmente ir. — Ergueu os braços achando que havia vencido. — Eu dou um jeito, vou pagar. Não se preocupe. — Fiz um gesto com dois dedos na testa e caminhei para fora dali vendo as outras garotas de longe nos observando antes de sair. — Ruby! — Ruth gritou me chamando pelo meu nome pela primeira vez, porém não voltei. — Merda. Caminhei por alguns metros quando sinto alguém puxar meu braço e me puxar para trás de um poste. — Tânia! Mas que p***a, você quase me mata de susto. — Coloquei a mão no peito sentindo o coração acelerado. Tânia olhava na direção da boate preocupada de alguém nos ver. — Toma, você deixou nas suas coisas e eu guardei quando você foi embora. — Ela estende o cartão com o número do Senhor Nakashima para mim, e o observando por uns segundos o pego. — Foi você que ligou para a polícia, não foi? — A encarei fixamente nos olhos. — Tânia! — Ouço o grito de Ruth e em seguida passos de saltos se aproximando. — Se cuida, e ligue para ele se precisar. — Falava enquanto corria de volta para a boate.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR