10-36 Ruby

1235 Palavras
— Secretária do Senhor Nakashima, quem fala? — Ouço uma voz melosamente simpática do outro lado da linha. Suspiro fundo e me preparo para responder. — Preciso falar com ele, pode passar para ele? — Peço. — Ele está em reunião agora, como se chama para que eu o avise quando a reunião acabar? — Ele me conhece por Rubi. — Quer deixar recado, Rubi? — Ela continuou mantendo a simpatia. — Só diga a ele que eu preciso da ajuda dele e que ele entre em contato comigo. — Tudo bem, o aviso, mais alguma coisa? — Só isso mesmo, obrigada. — Desligo sem esperar por uma resposta e deito no banco do ponto do ônibus rindo comigo mesma. — Quem diria que você mesma se expulsaria de lá, Ruby? Fecho os olhos respirando melhor o frio da noite, e então depois de uns minutos meu celular começa a tocar. Vejo que é um número desconhecido na tela mas local, já sinto o alívio tomar conta de mim e então atendo. — Está tudo bem, Rubi? — É a voz do Senhor Nakashima. — Ainda me quer trabalhando para você? — Ah… claro. O que houve? — Me desentendi com a Ruth, e preciso de dinheiro. — Fui direto ao ponto. — Onde você está? — Seu tom de voz saiu preocupado. — Estou no ponto de ônibus perto da boate. — Não suba no ônibus, vou buscar você. — O tom de voz dele soou cheio de autoridade. — Como é!? — Indaguei surpresa mas ele já tinha desligado. Simples assim, liguei e ele veio. Vou tentar fazer as coisas melhorarem, mas primeiro tenho que arrumar outras coisas mais importantes, avaliando uma carta por vez para finalmente continuar o jogo. Eu já tenho 18 anos, preciso tomar um jeito na minha vida ou tudo vai desmoronar. Mas toda atitude minha ultimamente está parecendo estúpida, mas tento relevar, sou apenas uma adolescente tentando se cuidar. Depois de uns minutos um barulho de carro se aproxima, não qualquer carro, mas um luxuoso. Já levanto do banco com a minha mochila e olho para o lado vendo o carro preto e brilhante do Senhor Nakashima parando em minha frente. O vidro da janela desce e ele encara os meus olhos, os próprios olhos dele neutros. — Entre no carro, menina. — Ordenou se endireitando no banco do motorista e deixando de me olhar. Entro no carro colocando o cinto de segurança e ficando com vergonha do silêncio que estava instalado ali. O encaro de soslaio vendo como ele é muito mais peixe grande do que a Ruth, o relógio caríssimo no pulso, terno e o carro por dentro que cheira a carro novo misturado com o perfume dele. Isso me conforta, ao mesmo tempo que me assusta, como será que vai ser trabalhar com ele? — Como vai funcionar o meu trabalho? — Questionei quebrando o silêncio. — Não se preocupe, vamos tratar disso outra hora, descanse por uns dias. Você está destruída. — Respondeu calmo sem tirar os olhos da estrada. — Para onde o senhor está me levando? — Você vai ficar na minha casa por enquanto, depois veremos. — Comunica e meu corpo estremece de imediato, provavelmente ele notou e me encarou no mesmo instante. — Calma, não vou cobrar por um teto. — Eu não quis dizer is… — Pode me chamar de Haru, Ruby. — Me interrompeu. — Você sabe o meu nome. — Sorri comigo mesma. Ele sorriu de canto mas ficou em silêncio. — Antes de tudo, teremos que rever a sua proposta. Não aceito boa parte dela. — Avisei. — Relaxa, meu interesse nos seus serviços agora é outro. — Comentou me fazendo arquear a sobrancelha me assustando mais ainda. — Não isso, garota. Pare de pensar idiotices. Quis rir com a careta que ele fez, mas apenas abaixei a cabeça e comprimi os lábios. Encaro a janela do carro vendo nos afastarmos para mais distante, vendo ruas que nunca havia visto antes e admirada com o lado bonito da cidade. — Nunca vi essas ruas, você não vai me levar para um terreno baudio, não é? — Estamos indo para a minha casa. — Respondeu com o tom de voz de quem já estava querendo rir. — É, já disse isso. Vejo então as casas grandes e bonitas se aproximando, portões grandes e que reluziam ouro. Haru dirigiu por mais alguns metros e então parou em frente à uma mansão branca, gigantesca. Tinha muitas plantas na frente, um gramado e um terreno maior do que todos os lugares que já pisei. A cachoeira em frente tinha uma escultura no formato de uma mulher com uma vestido largo envolvendo seu corpo, uma coroa de flores e uma energia que exalava pureza. Fico desnorteada, mas sigo Haru até dentro da casa não deixando de observar as coisas em volta por nenhum segundo. — Está com fome, Ruby? Não deve ter comido quase nada hoje, não é? — Ele questionou com aquela calma no tom de voz. — Só tomei café. — Respondo com o rosto erguido olhando o teto, as luzes luxuosas e detalhes dourados tão brilhantes que acredito ser de ouro puro de verdade. — Céus, vou pedir que a Clara faça algo para você comer enquanto toma um banho. — Resmunga consigo mesmo. Nem lhe dou muita atenção, apenas encaro as coisas em volta. Me admiro com tudo aquilo, o teto é tão alto que parece até que estou delirando, tudo também é tão bem decorado e detalhado. A escada é de madeira, mas brilha tanto, mas tanto, tem tantos detalhes dourados também. Ouço o Senhor Nakashima rir baixo mas nem sequer dou atenção lesada com aquele lugar, isso aqui não é uma casa, não tem condições, isso aqui é um museu. — Senhorita? — A moça chama provavelmente é a Clara e olho para ela. — Vamos, vou levar você até o seu quarto. — Ah, claro. — Balancei a cabeça e quando olho em volta não vejo mais o senhor Nakashima, ele se mandou e eu nem notei. Ela sorri e começa a subir as escadas, a sigo segurando no corrimão e olhando para trás ainda admirada apenas com a sala de estar. Andamos pelo corredor com detalhes em cor branca, nude e marrom. Ela continua caminhando até parar em frente a uma porta e abrí-la dando uma olhada dentro do quarto depois virando para mim. — Este é o seu quarto, tranca por dentro e por fora. Tem tudo que precisar, tem toalhas e roupões no banheiro, água quente, cama com hidromassagem e entre outras coisas. Qualquer dúvida pode me chamar, certo? — Se prontificou simpática. — Está bem, muito obrigada. — Sorri sem mostrar os dentes. — De nada, estarei na cozinha preparando alguma coisa para você comer. O que quer comer? — Strogonoff? — Mordi o lábio falando como uma sugestão e não como um pedido. — Tudo bem, aguarde um pouco. — Ela sorriu sem mostrar os dentes e saiu. Entrei dentro do quarto e escorei as costas na porta suspirando fundo. Aquilo não era um quarto, era uma casa, essa mansão está mais para um condomínio cheio de casas, cada quarto era uma casa. Estava tão cansada que nem parei para olhar bem o quarto. Tranquei a porta ainda com a mania de se sentir ameaçada, e fui tomar banho.
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