Enquanto corria em uma velocidade até que permitida, eu observava Elay concentrado na estrada. Era oriental que nem o pai, tinha o cabelo mais comprido caído sobre o rosto, esteticamente magro mas os músculos bem definidos.
Fiquei em silêncio o tempo inteiro totalmente desconfortável com a situação, mas até que estava me sentindo bem na companhia dele, eu achei que estaria bem mais pior mas não está tão r**m assim.
— Vamos trabalhar juntos está sabendo? — Ele quebrou o silêncio com a pergunta que me surpreende um pouco.
— Você vai se prostituir também? — Questionei sem pensar bem, foi o que pensei na hora que o ouvi mas acabei falando em voz alta o que fez ele me olhar de relance com o olhar mortal de quem odiou a brincadeira bastante i****a.
Mas não foi uma brincadeira, eu realmente estava falando sério. Quando o senhor Nakashima foi me procurar oferendo um trabalho com ele, ele havia especificado tudo sem me enganar.
— Desculpa. — Falei baixinho quando ele me encarou tanto enquanto estava seria, mas tanto ao ponto de que eu ficasse envergonhada.
— Vamos começar hoje a noite, dependendo do seu desempenho ao longo dos trabalhos eu vejo as necessidades como uma casa para você morar e sair da minha. — Ele resmunga como se eu fizesse um inferno na vida dele.
— Eu só fiquei por uma noite até agora, não deu sequer tempo de se incomodar. — Fiquei na defensiva.
— Foi o tempo suficiente.
— Que tal você me falar sobre como será o trabalho hoje a noite? Eu vou para um bordel particular, você vai me deixar em algum hotel chique onde vou encontrar algum velho ou o que?
— Mas que p***a, você tinha que estudar em outra cidade!? — Resmunga enquanto mexe a alavanca de câmbio e pisa fundo no acelerador perdendo a paciência. — Meu pai vai me desculpar mas não vou ter paciência para isso todo santo dia.
— Elay? — O chamo na esperança de que ele entenda que ignorou a minha pergunta.
— Meu pai é bonzinho, você não vai se prostituir. Calma. Ele não trabalha com esse tipo de coisa, só é sócio da Ruth, fora isso não está envolvido em nada que envolva prostituição.
— E por que ele falou que ia sim rolar prostituição?
— Ah, talvez ele só quis te manter avisada. Nunca se sabe o que pode acontecer, as coisas podem sair do controle, enfim. Depois você vai entender, mas tipo, 1% apenas de probabilidade. Ele deve ter te assustado para na hora H você já estar preparada psicologicamente.
— Não estou entendendo nada. — Resmunguei.
— Vai entender na prática, não tenho paciência para explicar. Você vai ser só uma distração.
— Oh, Jesus. — Coço a cabeça um pouco assustada e curiosa com o que me espera.
Elay é diferente do que eu imaginei, apesar de só ter convivido com ele juntando todo o tempo que passamos juntos daria o que? Uma hora? Mas acho que é o bastante para notar algum defeito e******o de alguém, o que não notei nada nele.
Achei que ele fosse aquele tipo de garoto que ganha tudo nas mãos, que é mimado pelo pai ausente que enche as mãos de dinheiro para compensar e pensei que fosse um garoto que saísse atrás desesperado por mulher. Não que a última observação seja mentira, essa ainda não deu para notar.
— Se não fosse aqueles seus amigos idiotas eu não precisaria estudar em outra cidade. — Respondi a reclamação dele de minutos atrás depois de um tempo em silêncio.
— O que? — Me olha com as sobrancelhas franzidas mas aparentemente lembra que reclamou que eu estudava em outra cidade. — Ah, não são meus amigos para a sua informação. Também não tenho culpa de nada disso, para a falar a verdade eu nem sequer te conhecia.
— Sabia até o meu nome, e não me conhecia? Você me chamou pelo nome e não pelo apelido, ninguém naquele lugar sequer sabia meu nome verdadeiro porque tinha se tornado uma informação irrelevante.
Aí ele ficou calado continuando a dirigir e eu estranhei. Não disse nada, mas estranhei.
Depois de um tempo vejo o caminho ficar familiar e dou graças a Deus por estar chegando. Parece que quando o motorista é o Elay o caminho cresce, nem quando foi o Senhor Nakashima que veio me deixar pessoalmente não tinha demorado tanto. Olho no relógio e está no horário certinho, mas pareceu uma eternidade.
Olho em volta para a pracinha procurando a Abby e a Línea mas não as encontro, então quer dizer que já foram para a escola.
Mas quando olho a rua atrás da pracinha vejo Dean vindo e meu coração gela, olho para o lado vendo Elay virando a rua para entrar na outra que fica a escola.
— Não, não, não, não. Para aqui mesmo, eu fico aqui mesmo. — Ele freia de uma vez e abro a porta saindo do carro. — Obrigada.
— Espera aí, toma. — Ele estende alguma cédulas me fazendo encará-lo com uma sobrancelha arqueada. — Para o ônibus, não estou afim de atravessar o mundo de novo só para buscar você. O problema é meu então eu pago a passagem do transporte de pobre.
Reviro os olhos pegando o dinheiro e saio andando descendo a rua na direção da escola. Enquanto eu descia não ouvi o carro ir embora, pelo contrário, ainda ouvia o ronco do motor parado lá no topo e minha vontade era de jogar uma pedra no para-brisa para ver se o Elay se toca e vai embora logo.
Vejo Dean descendo um pouco mais longe na minha frente e tenho vontade de falar com ele, de insistir. Mas não seria certo, pelo contrário, seria humilhante. Seria muita humilhação correr atrás de alguém que claramente não quer a sua presença. Mas também não quero deixar ele no passado.
Prefiro continuar caminhando devagar atrás dele e esperar que ele entre na escola para que eu entre também logo atrás.
Eu aumentei as minhas dívidas por causa dele, nem que ele queira ele vai ficar no passado. Ele vai ser alguém presente na minha vida sim, Dean querendo ou não. Nem que ele volte a ser meu arqui-inimigo, mas vou trazer ele de volta. Só vou esperar um pouquinho, deixar que ele se acalme um pouco mais.