Nos últimos dias, nosso vínculo só tinha ficado mais forte. Mensagens, conversas rápidas, pequenos cuidados… parecia que, mesmo à distância, estávamos cada vez mais próximos.
Até que, um dia, depois de um ensaio intenso, Aline foi rendida e assaltada. Levou alguns golpes, e ninguém conseguia falar com ela por algumas horas.
No quartel, eu já estava inquieto. Liguei para minha mãe, tentando entender:
— Mãe… aconteceu algo com a Aline? Não consigo contato com ela.
Ela suspirou do outro lado da linha:
— Filho… ela foi assaltada e se machucou um pouco. a mae dela foi pra Milão pra ficar com ela. Você quer o número da sua sogra?
— Quero, mãe. — disse, sentindo o coração apertado.
Ela passou o número, e eu liguei imediatamente. O telefone tocou e, depois de alguns segundos:
— Alô? — atendeu a mãe dela.
— Oi, eu sou o Stefan, marido da Aline. Minha mãe me contou o que houve… posso falar com ela?
— Claro, só um instante. — disse a sogra, passando o telefone.
Do outro lado da linha, ouvi a voz dela, fraca, mas familiar:
— Oi, Stefan.
— Meu Deus… como você está? — perguntei, tentando não demonstrar o pânico na voz.
— Eu tô bem… desculpa pelo sumiço. Eu ia comprar um celular novo assim que tivesse alta.
— Não esquenta com isso… você se machucou muito?
— Um pouco… levei alguns golpes na barriga, então tá toda vermelha. Eu sei lutar, mas eram três homens altos, eu baixinha… não deu pra aguentar a pressão.
— Se eu pudesse, ia aí agora… — disse, sentindo raiva e preocupação ao mesmo tempo.
— Eu sei, tá tudo bem. Minha mãe tá aqui. Obrigada por se preocupar.
— Não tem que agradecer… me passa o número do hospital, vou comprar um celular e mandar entregar aí.
— Não precisa, Stefan…
— Precisa sim. Deixa eu comprar, tá?
— Tá bom… vou te mandar escrito.
— Tá bom. Beijos, se cuida.
— Obrigada… beijos.
Depois de saber do assalto, não consegui ficar parado. Queria fazer algo que mostrasse a Aline o quanto me importava. Então comprei um iPhone da nova geração pra ela, um buquê de flores e chocolates, e escrevi uma mensagem:
"Eu sei que estamos longe, mas em breve vamos estar juntos. Enquanto isso, cuido de você. Até logo. Fica bem. Beijo. Até."
Pedi para que entregassem tudo no hospital.
No dia seguinte, o entregador chegou com o pacote. A mãe dela sorriu ao ver tudo:
— Minha filha… que lindo! — disse, emocionada. — Eu casei você com o homem certo
Aline sorriu, surpresa e feliz:
— boba, mãe… olha só. Que lindo.
Ela pegou o celular, configurou tudo e imediatamente me mandou uma mensagem:
Aline: Oi… eu recebi o presente agora. Muito obrigada! Muito feliz que você veio.
Respondi na hora, preocupado e ansioso:
Stefan: que bom que gostou ? Só quero ver você bem. Você gostou das flores?
Aline: Eu gostei… minhas favoritas! Obrigada por tudo .
Sorri sozinho, sentindo meu coração mais leve.
Stefan: É bom saber que agora estou te acompanhando, mesmo de longe. Sei que é loucura, Aline, mas vamos lutar muito mais.
Ela sorriu e mandou um beijo pelo celular:
Aline: Sim… é tudo diferente. Mas é um diferente bom.
Stefan: Concordo. Os médicos falaram que talvez amanhã você receba alta.
Aline: Vou pegar um dia de atestado e levar para a imprensa, pra não ficar tão prejudicada. Mas estou sentindo tanta dor no estômago e nas pernas por causa dos golpes… não tenho condição de dançar, pelo menos por mais duas semanas.
Stefan: Eles precisam entender, Aline… você não está bem.
Aline: Sim… mas é minha carreira, né? Era um contato importante que eu fechei. E a mídia está em cima.