Capítulo Dezoito

1613 Palavras
Miguel usava um paletó branco, estava parado no centro de São Paulo, observando as pessoas caminharem, alguns batiam em seu corpo, sem se importar com mais nada, aquilo era estranho para ele, visto que o arcanjo sempre usava palavras como obrigada, por favor, entre outras, sua educação foi rígida, seu Pai, assim como qualquer outro, era exigente e punia de forma objetiva, principalmente a ele, que depois de Lúcifer ter caído era o seu primogênito. – Isso é tão... – Lindo. _ O mais novo fala. O arcanjo se vira e encontra o rosto do irmão. Na verdade, ele nem se assusta, pois sabia que ele seria o primeiro a lhe encontrar. – Como você consegue? Como consegue viver nesse mundo? Estar aqui sem fazer nada, eles são... _ A voz de Miguel era agoniante. – Pecadores, meu irmão, eles sempre foram e sempre serão pecadores. _ Gabriel estava com as mãos para trás. – Assim como se tornará se continuar aqui, você tem que voltar, todos já sabem que desceu. O que aconteceu? Sempre se recusou a se corromper e agora está aqui, o que aconteceu em trinta minutos que ficou sozinho? Miguel ainda encara as pessoas, depois se vira de novo e analisa o irmão. Gabriel não sabe ao certo o que pensar, queria entender, mas a verdade era que como irmão mais novo, nunca entendia o que se passava pela mente dos irmãos, no fim, deixou de tentar. – Eu vou encontrá-la pessoalmente, se esse é o desejo do Pai, eu farei. – Esse nunca foi o desejo do Pai. Você está sendo precipitado, precisamos da sua liderança, precisamos... – Não, deixe Rafael no comando, ele saberá lidar com tudo. – Ele não é o líder. _ Miguel se afasta um pouco, o irmão já sabe o que aconteceria em seguida. – Eu também não. Vejo-te em breve, irmão. Com isso o loiro some, sem deixar rastro, dessa vez Gabriel sabe que será impossível de encontrá-lo, pois só conseguiu dessa vez devido à energia que um arcanjo solta ao descer, mas agora Miguel já sabe controlar isso. – Espero que saiba o que está fazendo, meu irmão, pois se estiver errado, nem nosso Pai poderá detê-la. _ Com isso ele também some, voltando para o céu e para a sua missão, salvar a vida de Isabel. ................................................ Juliette ver a bruxa se afastar assim que termina de dizer algumas palavras desconhecidas e segurar sua mão e de Yasmin ao mesmo tempo. Ela se encara, olhando para o próprio corpo e depois para a morena ao seu lado. – Acabou? Não estou me sentindo diferente. _ Juliette fala e Tálaga sorri fraco e se afasta também. – É um feitiço muito simples, mas também muito antigo, vai funcionar, ninguém poderá encontrá-las a não ser vocês mesmas, ou serem usadas para se encontrar, depois que saírem por aquela porta, nem eu poderei achá-las, a não ser que permitam. _ O cupido e o anjo se encaram e assentem, talvez agora seja o melhor a se fazer, pois nem elas sabem o que as aguardam. – Fiquem mais essa noite, amanhã partam para seja lá onde estiverem indo. As duas assentem e logo saem daquele cômodo, era estanho estar ali, pois havia coisas esquisitas, objetos e ingredientes para feitiço que apenas uma bruxa saberia lidar. Quando chegam à sala encontram Sonia sentada no sofá, assim que a mais nova vira o rosto, todas entendem que vinha mais problemas pela frente. – Temos que conversar. _ A menor fala, Yasmin segura na mão de Juliette e suspira. Era uma promessa de que passariam por aquilo juntas. ................................................ Lúcifer se encontrava de pé no meio da sua sala, os olhos fechados, sua concentração estava toda na primeira missão, essa que fez o arcanjo gritar ao não conseguir. – Inferno! Os três demônios que estão ali se assustam e se encolhem. O senhor do inferno está furioso, seus olhos estão vermelhos, suas asas aparecem sombreadas na parede n***a, aquilo deixa os outros presentes completamente amedrontados. – Onde aquele i****a está? Porque ele desceu logo agora? Miguel, Miguel, o que está aprontando, irmão? O arcanjo começa a andar de um lado para o outro, até que para o que fazia e se vira para os demônios, esses que arregalam os olhos, temendo serem alvos da fúria do seu líder. – Senhor... _ O demônio de pele n***a tenta falar, mas logo é interrompido. – Mandem uma equipe de busca, quero que descubram imediatamente onde Miguel está. O homem mais n***o ali presente sai correndo para fazer o que foi mandado, os outros dois ficam ali encarando o arcanjo. Lúcifer se deu por vencido, mas ainda tinha algo para fazer. – Saiam! Ele grita e sem esperar mais nada os dois saem. O arcanjo respira fundo e volta a se concentrar, sua mente vaga por muitos lugares no plano terrestre, busca a energia que pretendia tomar posse, porém mais uma vez falha desastrosamente. – Ah! O grito do arcanjo fez algumas luzes ali se estourarem, seu olhar estava raivoso, mais uma vez a falha trouxe fúria para o ser celeste. Lúcifer andou até seu trono e firmou o rosto contra as mãos, ele sabe que a situação é preocupante, com Miguel na Terra e não conseguindo mais sentir “ela”, as coisas passam a ser dignas de atenção para cada detalhe que envolva céu ou inferno. – Preciso ser mais esperto. Diz antes de sumir daquela sala escura e aparecer no centro do Rio de Janeiro, era mais um arcanjo no plano terrestre, agora todo ser sobrenatural poderia sentir que tinha algo errado, aquilo com certeza não era normal. ................................................ Yasmin encara Sofia com olhos preocupados, a garota estava nervosa, o que deixa a sua tia também aflita. – O que aconteceu, Sofia? _ Tálaga chega perto da sobrinha, a n***a suspira, entregando um pedaço de papel para a bruxa mais velha, nele havia um feitiço, um que ela não via há dezenas de anos. – Isso é brincadeira, não é? _ Tálaga olha para cima e encara Sofia, essa que continua calada. – O que é isso? O que isso quer dizer? _ Juliette se aproxima e pega o papel das mãos da bruxa, olhando sem entender nada. – Tálaga, o que é isso? Yasmin podia ver a preocupação nos olhos da bruxa, por isso se aproxima da amada, de modo que podia lhe amparar caso o que viesse a seguir a afetasse de forma diferente. – Essa... _ A mulher se força a não falar, mas acaba saindo o palavrão. – Essa m***a é um feitiço de ressuscitação. – O que? Isso não existe. _ Juliette diz, convicta. – Não, isso não existe, mas esse não é qualquer feitiço, não quer dizer que vamos trazer alguém dos mortos, isso aqui é como se a pessoa nunca tivesse morrido. _ Tálaga tenta explicar. – Viagem no tempo? _ Yasmin pergunta. – Não, como posso explicar... Esse feitiço é lançado antes da pessoa morrer. Se realizado, ele meio que dá uma vida extra para a pessoa, é como se existisse um corpo extra com uma vida em algum lugar à espera de ser ativado. A bruxa termina de falar e todos olham para ela, Yasmin e Juliette nunca ouviram falar daquilo, o que as deixou mais confusas ainda. – Isso é... Inacreditável. _ Yasmin fala, estava mesmo impressionada. – Esse feitiço é um dos mais fortes da história, exigem ingredientes que são quase impossíveis de encontrar, mas... _ A morena mais velha pega o papel da mão do cupido e analisa mais diretamente, passeando seus dedos. – Mas parece que minha irmã conseguiu. _ Nesse momento os dois seres celeste entendem o que aquilo queria dizer. – Espera, você está dizendo que há uma chance de Safira voltar? Como... espera, espera. _ Yasmin estava respirando com dificuldade. – Como isso funciona? Ela continuará com suas memórias? Lembrará de tudo? _ A dúvida era óbvia, pois nesse momento era a única opção delas para descobrirem toda aquela m***a. – Sim, é como se a pessoa apenas estivesse dormindo. Há um prazo depois da morte. _ A bruxa explica. – Quanto tempo? _ Juliette pergunta, rapidamente. – Depende da potência do feitiço, alguns duram um mês, dois, podendo chegar até a um ano. _ Os dois anjos se encaram, era uma esperança justificável. – Vocês só estão esquecendo uma coisa. _ Todas encaram Sofia que resolve se manifestar. – Minha mãe morreu uma vez por conta da d***a desse segredo, não vou perde-la duas vezes, nem pensar. _ O cupido entende, mas ainda assim não poderia evitar pensar na possibilidade. Seria o seu ponto de partida para todo aquele mistério. – Vocês não poderão fazer nada sem ela. _ Tálaga diz ao olhar para Juliette como se pudesse ler seus pensamentos. – Como assim? _ Juliette pergunta, rapidamente. – Vocês precisam de Sofia, ela é a única que pode realizar o feitiço, precisam do sangue dela. Yasmin e Juliette se encaram antes de olhar para a filha de Safira que tinha o olhar completamente inexpressivo, mas o pedido de Juliette era evidente em sua expressão. – Sofia... – Eu quero um acordo. _ O cupido assente, indicando que ela continue. – O que você quer? _ Essa foi Yasmin. Sofia se aproxima das celestes e encara seus olhos com fúria. – Eu quero a pessoa que fez isso com a minha mãe morta. Juliette suspira, porque sabe que era impossível, pois seja quem for, nem ela e nem Yasmin teriam tanto poder, mas agora necessitavam muito da mulher. – Fechado. _ A ruiva diz, era hora de agir.
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