Capítulo Vinte

1677 Palavras
Lúcifer encara seu servo, ele quer resultados, porém a verdade é que Roman, seu mais novo líder de exército não traz novidades, a busca por Juliette e Miguel ainda está em andamento, mas até o momento nenhum sinal dos dois. – Sabem quantos desejam estar em seu lugar? Ser considerado o braço direito do senhor do inferno, e você, meu caro, Roman, está me decepcionando. É uma tarefa fácil, encontrar dois seres celestes no meio de meros humanos, fora os caçadores, existem poucas pessoas que sabem da realidade do mundo, então... _ Lúcifer desce do trono e se aproxima do demônio que tem a pele parda e cabelo liso preto, isso o faz recuar. – Qual a dificuldade em encontrá-los? _ O arcanjo já está ao lado do seu servo. – Senhor, desculpe, senhor, mas além da energia que Juliette mostrou há algumas horas, não tivemos mais sinal dela, nem de onde a energia veio, com certeza ela... ela está em um lugar protegido, algum ser mágico a estar ajudando. O demônio gagueja ao falar, seu medo é visível, ele teme o seu senhor, mas quem não teme o Arcanjo Lúcifer, o filho primogênito de Deus? – E Miguel? Onde está meu irmão? – Não tivemos notícia de Miguel na Terra, se não fosse o senhor sentir a energia dele, nunca saberíamos da sua presença. Lúcifer suspira e abaixa a cabeça, pelo menos disso não pode culpar seus servos, pois nem ele está sentindo a energia do seu irmão. Além de Rafael e Gabriel, que tem certeza estarem no céu, é como se Miguel não existisse. O arcanjo se afasta do demônio que por um minuto relaxa. – Mas tenho uma notícia, acho que pode nos ajudar. _ Nesse momento o homem ruivo volta a encarar o seu servo. – Houve a morte de uma bruxa, uma bem antiga, nessa vida ela se chamava Odete, mas para todos nós ela se chama... – Safira. _ Lúcifer conhece bem aquela mulher, ela já prestou alguns serviços para algumas pessoas das quais ele tinha contato. – Sim, Safira, ninguém sabe como, só que a energia que emana da sua antiga residência não é algo comum, compara-se a de um... – Arcanjo. – Sim, senhor, se não foi o senhor, acreditamos que foi... – Miguel. – Sim, também temos provas de que Juliette esteve lá. _ Lúcifer se afasta e começa a andar pelo cômodo. – Safira era a bruxa mais antiga que conhecia, com certeza ela descobriu o segredo, agora a questão é: Juliette também já sabe, ou meu irmão agiu a tempo? Miguel nunca deixaria ser descoberto dessa forma, ao contrário de mim, ele não quer que ela saiba, mas eu... _ O arcanjo volta a encarar o demônio. – Eu quero explodir a verdade, se alguém morrer pelas mãos dela, não será eu. – Tem mais uma coisa, senhor. – Diga! – Safira tem uma filha, Sofia, não tão poderosa quanto a mãe, mas ainda assim uma bruxa, há também uma irmã. A qual sabemos onde mora. _ Lúcifer sorri, pois ele sabe o que aquilo significa. – Mande demônios apenas para confirmar, não ajam, preciso conversar com Juliette, tenho que trazê-la para o meu lado. Roman assente e logo sai da sala, pronto para cumprir a ordem do seu senhor. Lúcifer volta a andar pelo cômodo, agora analisando as suas possibilidades, tem a primeira, onde traz Jasmim para o seu lado, mas também tem a segunda opção, a que Safira descobriu tudo e contou para o cupido, isso traria uma batalha para os mundos que ninguém poderia evitar, nem mesmo Deus, pois foi Ele que profetizou aquilo, Ele queria um ser no qual seus filhos temessem, os fatos indicam que conseguiu. Mas o arcanjo ainda se sente à frente naquela corrida para chegar até Juliette, pois ele tem um trunfo, um que pode mudar todas as coisas, inclusive a percepção de escolha do cupido. ................................................ Gabriel volta ao céu, pela primeira vez entrando naquela sala sem ser seu irmão Miguel a estar sentado naquela cadeira, mas sim outro, um que ele respeita, mas seu interior diz que não é capaz de comandar o reino celeste. – Ela acordou, está do nosso lado. _ O n***o diz. Rafael está de costa, olhando a paisagem do lado de fora, um lindo jardim florido, um dia aquilo foi o símbolo de prosperidade da união e equilíbrio daquele lugar, mas atualmente é apenas uma mera lembrança do que o céu foi. – Do nosso? Nesse momento o irmão mais velho se vira e encara Gabriel, esse que mantem seu olhar firme no do outro arcanjo. Rafael caminha devagar em direção ao irmão, com toda a sua elegância, trajando aquele paletó n***o, agora estando face a face. – Você não acredita na minha capacidade de comandar. _ Aquilo não é uma pergunta, é uma verdade. – Não, porque você não a possui. Os dois continuam se encarando, Rafael em nenhum momento se altera, porque ele entende o irmão, não questiona a sua lealdade, mas se pergunta se Gabriel não se revoltaria ao ser tomada qualquer decisão, o n***o é mais forte, porém eles juntos são mais fortes do que um único arcanjo sozinho. – Você tem que obedecer. – Sim, pelo menos até o verdadeiro líder voltar ao comando. – Você sabe que Miguel não será o mesmo quando retornar, a convivência com os humanos nos muda, somos a prova disso, minha persuasão foi modificada, assim como a sua compaixão, olhe para Lúcifer, sua ira está cada vez maior, não pense que a liderança de Miguel continuará intacta, ele apresentará mudanças, está preparado para obedecer às ordens de um líder que esteja influenciado por sentimentos terrestres? Diga-me, Gabriel, está de fato preparado para lidar com as mudanças de nosso irmão? Nunca se esqueça, ele comanda o céu, mas em comparação a nós, ele é o mais parecido com Lúcifer, nunca se esqueça disso. O arcanjo mais novo abaixa a cabeça, não diz nada, porque é impossível ganhar um jogo de palavras com Rafael, ele é o senhor do discernimento, respeitar a sua opinião é um senso impregnado a qualquer ser celeste. É uma batalha de palavras perdida. – Qual a sua ordem? _ Rafael suspira, mesmo sabendo que Gabriel não se convenceu, seu irmão caçula cumprirá suas ordens. – Vamos chamá-la. _ Gabriel eleva o olhar e encara o outro com dúvida. – Tem certeza? – Não temos escolha. Nossos irmãos mais velhos estão vagando no mundo terrestre, eles podem agir antes da gente, não sei você, mas não quero esperar para confirmar se Miguel saberá lidar com as mudanças, vamos ser cautelosos, mas temos que chamá-la. _ Gabriel sabe que é a coisa certa a se fazer, mas agora eles têm um problema óbvio. – Não sinto a presença dela fazem duas noites terrestres, ela está protegida. – Eu sei, mas podemos entrar em contato pelo sono, só temos que esperar até a noite. _ O arcanjo mais novo assente, não tem muito que fazer, a não ser esperar. – Vamos esperar. _ Rafael lhe dá as costas de novo e coloca as mãos para trás, observando seus irmãos andando pelo jardim. – Sim, vamos esperar. ................................................ Tálaga está em sua sala, onde deixa guardado todos os seus livros de feitiços. Está pesquisando tudo que pode sobre o feitiço da ressuscitação da irmã. Apesar de ser algo simples, sangue e algumas palavras ditas em latim sobre o corpo guardado da bruxa, ainda precisam de uma localização, seu próprio sangue serve para fazer isso, a bruxa só quer ter certeza que não existe nenhum risco, tanto para ela quanto para a sua sobrinha, que está focada em m***r quem fez isso com sua mãe, porém a mulher sabe que não será tão fácil, pois tem uma ideia de quem o fez, teme pela vida da sobrinha, mas ainda assim respeitaria suas decisões. A bruxa está concentrada em seus livros quando escuta a porta ser aberta, o pior não foi ver, foi sentir, ela nunca ficou frente a frente com um, mas lá estava ele, um arcanjo, um dos mais fortes, seu corpo treme, sua respiração descontrola, na medida em que ele vai se aproximando ela vai recuando, até não ter para onde ir ao sentir seu corpo bater contra a parede. – Não tenhas medo, Tálaga. _ A voz branda passa calmaria, mas o medo ainda é presente. – O que... O que quer aqui? – Você sabe o que eu quero, bruxa. – Ela... Ela não vai com você. – Eu não quero que ela vá, quero que ela escute. _ Tálaga nada diz, ainda está paralisada. – Você está amedrontada, não tiro sua razão, não me sinto orgulhoso do que fiz, mas foi preciso. – Não justifica. – Se soubesse entenderia, mas agora preciso falar com “ela”. _ Tálaga então fica ereta e tenta passar um pouco de segurança na sua voz. – Você não pode fazer m*l a ela, Juliette é um ser do bem. – Você não a conhece tão bem, não é? Ela já fez tanto m*l, tantas pessoas sofrerem. Mas não se preocupe, bruxa, não vou matá-la, até porque, eu não posso matá-la. A mulher encara o arcanjo e arregala os olhos. Ela desconfiava desse fator, sua irmã morreu por um segredo muito mais antigo do que sua própria existência. – Como assim não pode matá-la? _ O arcanjo se afasta, mas ainda a encara fixamente. – Não se intrometa, Tálaga, não se ponha em meu caminho, isso aqui está além da sua compreensão, da compreensão de qualquer um, aconselho que tire sua sobrinha daqui, eu descobri a localização de vocês, é questão de tempo para que meus irmãos cheguem, te garanto, eles não conversarão antes de agir. Com isso o arcanjo some na frente da mulher, essa que se assusta com o ato, mas não demora em sair correndo em direção ao quarto de Sofia, ela só tem um pensamento: não vai perder outro m****o da sua família naquela batalha desconhecida.
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