Capítulo Vinte e um

1751 Palavras
Juliette está deitada com Yasmin na cama, a morena tem sua cabeça repousada contra o peito da ruiva. Depois do momento de desespero do anjo, o cupido conseguiu amenizar as coisas, silenciosamente elas decidiram que o assunto morreria por aquele momento, a missão principal é encontrar o corpo de Safira, ressuscitar a bruxa e descobrir o que Juliette é. – Você não vai dormir? _ Juliette pergunta. – Não consigo. _ A morena responde, aproveitando os carinhos que a outra faz em seus cachos. Elas ficam em silêncio por alguns instantes, em questão de segundos, Juliette começa a sentir tremores pelo corpo, é uma sensação que nunca havia sentido antes, diferente do que aconteceu há algumas horas, a energia é mais poderosa, mais presente. – Yasmin. É tudo que a ruiva consegue dizer antes de convulsionar, seu corpo está estremecendo, seus olhos ficam brancos, diferente de antes que estavam complemente negros. – Juliette. A morena grita o nome da outra, sentando-se ao lado na cama, vendo o cupido se contorcer. Juliette está em transe, o corpo humano pode não suportar, sua aura está exposta, Yasmin pode ver, sentir, até tocar o brilho, a luz, todos os orifícios do seu corpo transparecem a claridade da energia. – m***a, m***a, Juliette. O anjo tenta tocar na outra, mas é jogada para longe, batendo as costas contra a parede. O corpo de Juliette começa a levitar, é possível ouvir os gritos da mulher, doía, mas não é uma dor física, é sobrenatural, aquilo é evidente, Yasmin sabe que algo muito grave vai acontecer, ela comprova isso quando a porta do quarto é aberta, uma luz mais forte ainda emana do ser que entra, nesse instante o cupido para de se contorcer, seu corpo continua levitando, os gritos são calados, ela fica ereta, aos poucos seus olhos voltam ao normal, está voltando a si, quando então encara o ser na sua frente, ela entende o porquê daquela crise. – Olá, irmã. _ O arcanjo diz. – Miguel. ................................................ Rafael está sentado no centro da sala, é um local de reflexão, santo, como diria os terrestres, apenas arcanjos entram ali, ele e seu irmão caçula estão completamente concentrados na missão, encontrar os sonhos de Juliette, apesar de anjos não sonharem, a queda proporciona os seres celestes a obterem tais condições. Os dois buscam, porém pela quarta vez falham. – Ela não está dormindo, Rafael. Ela não vai dormir, seja como for, ela não tem por que dormir, está no meio dessa confusão, é óbvio que não vai adormecer. – Ela é meio humana, Gabriel, uma hora ou outra vai ter que dormir. O mais novo suspira, antes de levantar-se de onde está, ir até a porta e sair, deixando o outro arcanjo esgotado, aquilo tira as forças de quem pratica, é necessária uma quantidade de energia significativa, é exaustivo e cansativo. O arcanjo mais velho também se levanta, ele sabe que o irmão está certo, Juliette não dormirá, já são quase meia noite terrestre. – Temos um grande problema, um enorme, gigantesco problema. O líder do céu diz, ele sabe a gravidade que é não chegar até Juliette antes de seus irmãos mais velhos, principalmente se Lúcifer chegar primeiro. Gabriel do lado de fora está com o corpo encostado na parede, sua respiração está alterada, fato justificado pelo esforço anterior. Com as mãos apoiadas nos joelhos e o corpo curvado, ele sente uma presença ao seu lado, ao elevar o rosto encontra Isabel. – Tudo bem, senhor? _ A mulher nunca perderá o respeito por seus superiores, isso é admirável. – Sim, só... Está tudo bem. – Ótimo, pois eu tenho uma notícia, encontramos Juliette. _ Nesse momento ele eleva a cabeça e encara o anjo. – E ela não está sozinha. Apesar da mulher não falar nomes ou fazer referências, o arcanjo sabe que se trata de algum dos seus irmãos, só não sabe qual deles é a pior possibilidade. ................................................ Lúcifer está parado em frente à casa de Tálaga, sente que Miguel está lá dentro, assim como sente a inquietação de Jasmim, sabe que a sua dúvida é a de muitos, a intensão não é assustar o cupido, sua estratégica será mostrar as vantagens de a mulher escolher o seu lado. O papel de Juliette naquela batalha é crucial, assim que ela entender isso, mas o senhor do inferno teme que ela não escolha nenhum lado, isso acarretará uma segunda batalha, uma que ele pode perder facilmente se a ruiva estiver consciente do seu poder. – Senhor, Miguel está lá dentro, não vai entrar? Roman que está ao seu lado diz, Lúcifer continua encarando a entrada da casa, ele pode sentir a magia, mas também sabe que seu irmão já tirou o feitiço de p******o, isso quer dizer que seus dois irmãos também estarão ali em breve. – Ainda não. – Mas... – Ela está confusa, Roman, deixe meu irmão abastecer suas dúvidas, Miguel não falará a verdade, serei o seu escape, ela confiará em mim assim que eu falar a verdade de quem ela é. O demônio entende o plano do seu senhor, mesmo achando arriscado, pois Miguel pode estar fazendo a cabeça do cupido nesse instante. – Acalme-se, Roman, Miguel é um líder, nunca colocará nada em risco. _ Então Lúcifer encara o demônio. – Ao contrário de mim, que não temo perder nada. Roman sente um calafrio pelo corpo, as palavras do arcanjo são firmes e neutras, o olhar de Lúcifer não transmite nenhum tipo de medo, porque a verdade é que ele está naquele jogo para ganhar, pois tem em mente que se não for assim, ninguém ganhará, está disposto a terminar com tudo para que não haja um vencedor que não seja ele. ................................................. Miguel e Juliette se encaram por segundos que parecem horas, em nenhum momento o cupido se sente ameaçado ou inferior, o que a deixa surpresa, mas a verdade é que de alguma forma ela sabe que o arcanjo não a tocará, isso porque ele não pode, de alguma forma ela sabe que ele não pode e também não quer. – Podemos conversar? _ O arcanjo pergunta. – Você está perguntando? Devo me surpreender com isso? _ Os olhares estão firmes, ambos sentindo a energia emanar de suas auras. – Não sejamos indelicados, Jasmim, não estou aqui para batalhar, quero apenas conversar. A mulher iria retaliar, porém escuta o gemido fraco da morena, o que a faz entrar em alerta, em questão de segundos está ao lado de Yasmin, ajudando-a a levantar. – Você está bem? – Sim, não se preocupe. Elas se encaram. Miguel que está ao lado observa a interação das duas. O arcanjo subjugava seus irmãos caídos pela capacidade de sentir, não entendia como os seres celestes podem sentir desejos, amor, ira, todas essas emoções que fazem do sobrenatural cada vez mais humano, ele julgava, porém agora, depois de observar de perto, entende cada vez mais as sensações, nesse momento, admirando os dois seres celestes, em como suas auras estão alteradas pela presença uma da outra, tem mais certeza de que aquele tipo de sentimento nunca poderá ser explicado, talvez, apenas talvez, entenda a insistência do seu Pai na salvação, agora mais que nunca precisa convencer Juliette da verdade de Deus, pois o arcanjo sabe que essa não é a intensão do seu irmão mais velho, pela força que está sentindo ali, não é só Lúcifer que se aproxima, Rafael e Gabriel também estão perto. – Jasmim. – Por favor, me chame de Juliette. _ O cupido volta a encarar o arcanjo, dessa vez com Yasmin ao seu lado. – Deixei de ser Jasmim no dia que caí, ou melhor, no dia que fui expulsa do céu. Por que algo que me diz que você é responsável pela morte de Laura e Safira? _ Miguel se mantém inexpressivo, mesmo com aquela verdade jogada para discussão. – Não me arrependerei por ações cometidas em prol de um bem maior, eu vim aqui para conversar, Juliette, você fará isso de uma forma ou de outra. A ruiva trava o maxilar, tenta avançar contra o arcanjo, mas é segura por Yasmin, que mesmo sem entender quem é de fato o cupido, sabe que uma batalha ali será perdida facilmente. – Não faça isso, está sentindo raiva agora, mas ele ainda é Miguel, um arcanjo. A mulher entende o que a outra quer dizer, mesmo sentindo aquela dor, aquela raiva, terá que segurar suas emoções, pelo menos agora tem uma certeza, não só Sofia quer a cabeça de Miguel, ela faz questão de tê-la em uma bandeja assim que tiver respostas. – Vamos lá, líder do céu, o que você quer com um simples cupido como eu? – Não sejamos hipócritas, Juliette, você sabe que não é só isso. – Então diga-me você. O que eu sou, Miguel? O que eu sou?! O arcanjo encara a irmã, apesar de querer falar a verdade, não fará isso, porque Lúcifer estava certo ao afirmar que o irmão não poria tudo em risco por um capricho. – Não teremos essa conversa agora, quero lhe propor algo. _ Juliette sente o aperto em sua mão, sabendo o que aquilo significa. – Fale! – Venha comigo, vamos sair daqui, te contarei tudo, mas no tempo certo, não posso falar toda a verdade como se não significasse nada, eu preciso que você venha comigo. _ Ele olha para Yasmin e completa. – Sozinha. _ A gargalhada do cupido é afrontosa, mas ainda assim Miguel não se altera. – Você está falando sério? Essa é sua proposta? Você não tem nada, se está aqui, é porque precisa estar aqui, não pode me m***r, não pode me obrigar, não pode nada, então porque eu iria com você? Não, minha resposta é não, eu farei minhas escolhas dessa vez, vá embora, não importa o que eu seja, vou descobrir sozinha, vou lutar as minhas batalhas. – Você nunca se manterá fora dessa batalha, porque você é a batalha. Juliette encara o arcanjo, ele tenta entender as palavras do homem, mas antes que ela fale alguma coisa, seu corpo começa a estremecer novamente, agora muito mais forte que antes. – Juliette, m***a, de novo não. _ Miguel fecha os olhos rapidamente, para quando abri-los entender o que está acontecendo. – Eles estão aqui, todos eles estão aqui. Juliette começa a gritar novamente, dessa vez seus olhos ficam negros, bem mais escuros que antes, aquilo dava medo a Miguel, porque o faz lembrar do seu irmão mais velho.
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