Capítulo Vinte e seis

1868 Palavras
Rafael tem seu corpo amparado por Isabel, essa que entende a fraqueza do seu líder, afinal fora uma batalha com o irmão mais velho, historicamente mais forte. – Leve-me para a sala, preciso recuperar minhas forças, tenho que fazer isso o mais rápido possível. A mulher assente e anda mais rápido. O arcanjo sente a necessidade de recuperação rápida, pois não se trata apenas do seu corpo, mas do seu poder, o poder celestial que comanda o seu dom, a razão, a qual perdeu alguns minutos atrás. – Pronto, senhor, ficará melhor em minutos. O homem n***o assente assim que é colocado em uma pequena cama no centro da sala, é hora da recuperação, mas antes que o anjo saia, o arcanjo diz. – Isabel, preciso que faça algo. _ A mulher se aproxima de novo, atenta as ordens do homem. – Diga, senhor. – Quero que faça uma coisa. _ A voz de Rafael sai fraca. – Algo que pode me deixar na frente dessa corrida. _ Mesmo sem o homem completar a frase, ela imagina o que ele tem a dizer. – Preciso que procure Juliette. – Eu já estou fazendo isso, senhor. – Você não me entendeu, Isabel. _ Ele encara o anjo, intensamente. – Não quero que a encontre como minha guerreira, quero que a encontre como sua amiga. A mulher dá dois passos para trás. Ela sabia que esse dia chegaria, mas não esperava que fosse tão cedo. Ele tem um apresso sincero pela ruiva, mas ainda assim, sua lealdade é muito maior. Por isso faz uma reverência em frente ao arcanjo, para logo voltar a encará-lo. – Será feito, meu líder. – Você tem uma única missão, Isabel, não me decepcione. A mulher assente e logo sai da sala, ela sabe que só voltará ao céu de novo com Juliette. Sua missão é essa, se lhe foi dada, será cumprida, mesmo que isso custe um sentimento descoberto há pouco tempo no mundo terrestre, a amizade. ................................................ Yasmin acorda aos poucos, sentindo leves carinhos em seu rosto, assim como fez com Juliette, agora a ruiva faz com ela, em seu silêncio, zelando pelo sono da morena, o cupido promete protegê-la, nem que isso custe a sua vida, pois ela não perderá mais nenhuma pessoa importante, porque ao observá-la durante o sono, vendo sua fragilidade e ao mesmo tempo sua força, a ruiva pôde sentir algo que há muito tempo não sentia, um sentimento que buscou por um tempo, mas quando parou de fazer, ele veio ao seu encontro sem aviso, algo que Yasmin quer lhe dar com toda a sua força. – Bom dia. – Hum... Já está na hora? A ruiva assente, logo vendo Yasmin sentar na cama. São seis da manhã, elas terão mais duas horas de viagem até chegarem à casa de destino, não sabem o que as aguardam, mas esperam pelo pior. – Sim, temos que ir. Juliette senta ao seu lado e coloca a mão em cima a da morena que está apoiada na cama, Yasmin encara o ato, sabendo que vem alguma coisa séria pela frente, ao encarar o olhar da ruiva, ela entende o que é, esperou por aquilo, mas algo dentro dela afirma que não é a hora certa, não com a possibilidade de não poderem viver aquilo. – Não faça isso. _ A voz da morena é sôfrega. – Eu preciso fazer. Sem esperar que a morena retruque, Juliette avança contra seus lábios, cada centímetro do seu corpo reage, cada sensação que o cupido lhe transmite é a verdade, o que ela sempre procurou está sendo transmitido naquele beijo. Desde que percebeu seus sentimentos por Juliette, desde que descobriu que o cupido havia caído, desde que presenciou a mulher perder o grande amor da sua vida, desde que pôde sentir tais sensações, ela se deu conta que esperou por aquilo, e agora tem, mas por quanto tempo? O quão injusto isso pode ser? Elas podem estar se entregando ao sentimento, mas não podem se entregar uma à outra. Assim que Juliette vai paralisando o beijo, dando leves selinhos para então a encarar, Yasmin olha no fundo dos seus olhos. A ruiva está séria, mas seu olhar transmite a verdadeira emoção, sou boca se abre em câmera lenta, o órgão do lado esquerdo do peito da morena acelera os batimentos, aquilo é uma realidade, é assim que os humanos se sentem, pela primeira vez ela pode desfrutar da sensação. – Eu te... Mas antes que a ruiva termine de falar, Yasmin lhe para com outro beijo, dessa vez mais intenso, cheio de fúria, desejo, certezas, ela quer escutar aquilo, sabe que é verdade, mas ainda assim acredita que não é a hora certa. Então voltam a se encarar de novo. – Não, não agora, não nesse momento, guarde isso para a hora certa. – Mas... – Eu te amo, Juliette, esse sentimento é o mais puro e confuso que o Pai deixou para o os humanos, é incoerente e ao mesmo tempo racional, é estranho, mas lindo, tudo isso para algo que Ele não permitiu que seus filhos celestes tivessem, porque ele nos deixa sem razão, porque ele é isso, não é para definir, para conceituar, é para sentir, agir, e eu me sinto assim perto que você, eu me sinto totalmente completa perto de você. _ A ruiva sente cada palavra da mulher. – Mas eu preciso que você faça isso depois que conseguirmos vencer essa guerra, eu preciso que você tenha um motivo para voltar, que seja um mínimo, porque eu não posso te perder. _ Juliette encara a mulher, ela entende, porque esse passou a ser o seu motivo, ela voltará para provar à Yasmin que seu sentimento é verdadeiro. – Prometa-me, me prometa que vai voltar para mim. _ Elas ainda se encaram, mas além disso, Juliette tem outro conflito, ela tem que manter a morena segura. – Apenas se me prometer que quando eu mandar você ir, você vai, você vai ter que ir, Yasmin, eu só poderei batalhar se você estiver segura, me prometa isso. _ A morena nesse momento se levanta da cama. – Não, não me peça isso, Juliette, não peça para te deixar morrer, porque é exatamente isso que está me pedindo, seja lá o que você é ou o que vem pela frente, estamos falando de quatro arcanjos querendo você, então não, não vou prometer. Juliette também se levanta, Yasmin lhe dá as costas, não pode encará-la nesse momento, só pensar nessa possibilidade já a deixa completamente angustiada. A ruiva se aproxima e repousa suas mãos nos ombros da outra, acariciando de leve, deixando um beijo no ombro direito. – Você sabe que tem que fazer isso. – Saber não é o mesmo que querer. O cupido suspira, sabe que não será fácil, mas precisa daquela promessa para poderem seguir naquela viagem, ela não colocará Yasmin em risco, se isso acontecer, nunca se perdoará, e também não faria bem para o seu desenvolvimento, mesmo que ela ainda não saiba disso. Juliette segura nos braços da morena e vira seu corpo, coloca a mão direita no queixo dela e a faz encarar. – Eu preciso que me prometa. – Eu não... – Yasmin, eu preciso que me prometa. Você vai embora quando eu pedir que vá. Por um momento a morena pensa em negar novamente, porém ao encarar a ruiva mais uma vez ela tem uma certeza, se não prometer, não terá a mulher que ama de novo, porque Juliette não terá motivos para voltar, isso a deixa sem opções, pois o que ela mais quer é que o cupido volte para seus braços. – Eu prometo. Então a ruiva a puxa para um abraço, corpo contra corpo, aura contra aura, fazendo promessas que na verdade elas não sabem se serão cumpridas. – Então eu te prometo que voltarei para você e direi em voz alta o que está impregnado em meu coração. Elas continuam no abraço por algum tempo, porque sabem que aquele pode ser o último para as duas, mesmo que doa, é a realidade que vivem. ............................................... Gabriel chega ao céu, precisa manter a calma, apesar de estar indo contra seu atual líder, ainda pensa que é o certo, não se opõe ao que Rafael deseja, mas critica a maneira como o quer fazer, assim como seus irmãos mais velhos. Quando entra na sala do trono, não ver o outro arcanjo e nem sente a sua presença, nem no plano terrestre, mas ainda assim sabe que está vivo, assim como Miguel, a batalha não teve vencedor ou perdedor, como ele imaginava que fosse. Não tiveram coragem de m***r o pior dos irmãos há séculos, não fariam isso agora, apesar de confrontos futuros serem inevitáveis, sempre procuram meios para manter o controle da situação. Ele encara o trono a sua frente, não tão reluzente, simples, mas que mostra o poder maior naquele plano, quem senta ali comanda toda a frota de seres celestes, de todos os arcanjos, ele é o único que não teve aquele prazer, mas também nunca teve essa ambição e nem a tem, porém, ao questionar a capacidade de cada um dos seus irmãos, pergunta-se se não seria um bom líder, se levado em conta o amor do Pai pelos humanos, se sairia bem em subjugá-los, pois sua característica é a compaixão. Ele se aproxima do trono em cor prata e observa com atenção, suspirando ao imaginar a batalha que seria para sentar naquele lugar, mas antes mesmo que obtenha qualquer resposta, escuta a voz do irmão. – Não seja mais um de nós, irmão, não se iguale a nós. Gabriel não vira, apenas respira fundo, sabe que aquele é um caminho sem volta, desejar estar ali levou seus irmãos ao desequilíbrio, principalmente Lúcifer, que além da ambição por poder, tem o desejo de vingança em sua aura. – Não sou como vocês, diferente de você, eu sei que não sou um líder. _ Nesse momento ele se vira e encara o homem n***o na sua frente. – Eu nunca menti para mim mesmo, não começarei agora em meio a uma guerra. Rafael nada diz, apenas se aproxima do irmão e fica frente a frente, olhos negros nos castanhos, mostrando o poder que emana daqueles olhares. Mas ainda assim fica em silêncio, para logo depois passar por Gabriel e se encaminhar ao trono, sentando lentamente no lugar. Ele fecha os olhos, sentindo o peso de estar ali. Ao abrir os olhos ele volta a encarar o irmão, esse que mantém seu olhar firme. – Isso aqui não deveria ser a ambição de ninguém, Gabriel, não pense que é fácil, decisões difíceis devem ser tomadas e o peso da culpa ficará para sempre sobre seus ombros. _ Gabriel encara o irmão, mesmo sem saber do que se trata, ele acredita que Rafael fez algo, o que o deixa preocupado e inquieto. – O que você fez, Rafael? – O que foi necessário, irmão, sempre fazemos o que é necessário. Eles se encaram uma última vez antes de Gabriel sumir da frente do irmão, deixando Rafael suspirando, pois ele sabe que a partir dali não pode mais contar com o arcanjo mais novo.
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