Capítulo Vinte e oito

1751 Palavras
Isabel está no plano terrestre, dessa vez sem impedimentos, seus poderes estão plenos, fator deixado por Rafael a fim de que a mulher complete a missão, o arcanjo sabe que chegar até Juliette primeiro é o que definirá aquela guerra, uma que era para ser apenas entre dois irmãos mais velhos, porém depois do sumiço do Pai, tudo passou a ser mais complexo, pois seus filhos passaram a pensar com mais liberdade, dando margens aos seus próprios entendimentos. O anjo está dirigindo a caminho de Curitiba, está evitando usar seus poderes e não ser localizada, ao contrário do que muitos pensam, Isabel foi esperta suficiente para colocar um localizador no carro do cupido, sabendo exatamente onde a ruiva está nesse momento. É um caminho sem volta, estaria colocando sua amizade em risco, ela confia que fará a coisa certa, só ainda não sabe o que é o certo. – Espero que facilite para mim, Juliette, espero de verdade. _ Esse sentimento a deixa desconfiada sobre o que escolher, amizade ou obediência. ................................................ Sofia está de costa para todos ali, ainda não acredita nas palavras do homem, até então o que sabe do seu pai é que era um humano que o tempo levou, como todos os seres vivos, envelheceu e teve seu curso natural, nem o conheceu, pois sua mãe achou que seria melhor assim. Agora esse homem que nunca viu na vida está ao seu lado dizendo que é seu pai, apesar de sentir algo diferente, é difícil de acreditar que sua mãe a tenha enganado dessa forma. Todos esperam uma reação da garota, na verdade, é preciso fazer isso, mesmo que aquela história seja mentira, ainda tem uma missão a ser cumprida. – Sofia... _ Tálaga chama a sua atenção, mas antes que continue a falar, a garota vira o corpo e encara seu suposto pai. – Não sei se está falando a verdade, mas viemos aqui por um motivo. _ Ela vai para perto do homem. – Se é quem diz ser, diga-me, onde está o corpo da minha mãe? Santiago que está sério, suspira, o dia chegou, o dia que sairá do feitiço que lhe prendeu a aquele lugar por tanto tempo. – Você precisa realizar o feitiço, ele está aqui, porém oculto, apenas seu sangue vai fazer que o corpo apareça. _ Sofia assente e olha para a tia, Tálaga sabe o que tem que fazer. – Vou buscar os ingredientes na mala do carro. A bruxa não espera mais nada e corre para fora da casa. Logo depois volta com um livro, uma vela e um punhal. Juliette está perto de Yasmin, mas também de olho em Santiago, pois aprendeu com os anos que confiança é algo que se conquista com o tempo, coisa que não tiveram e nem terão. – Vamos fazer isso de uma vez. A mais nova diz ao se pôr ao lado da tia. Os dois seres celestes se encaram, apenas acenando, aquele é um sinal para se colocarem em posição de ataque, pois alguma coisa está avisando a Juliette que algo muito importante vai acontecer naquela casa. – Vamos começar. Tálaga diz e se põe perto da sobrinha, com a vela e o punhal em mãos, é hora de trazer a mulher à vida que sabe o maior segredo dos arcanjos. ................................................ Miguel está em frente à casa, dessa vez conseguiu um modo de esconder sua energia, dessa forma Juliette não o sente, ele sabe o que está acontecendo. Esperaria para agir, querendo ou não será uma vida que ceifou ressuscitando, Safira sempre foi esperta, é óbvio que algo do tipo aconteceria e ela voltaria à vida, o arcanjo acaba sorrindo ao pensar nisso. – Seus filhos, sejam eles de qualquer plano, sempre dão um jeito de contrariar o curso da vida, Pai, mas olhe pelo lado positivo, estão apenas usando do seu maior privilégio, o da escolha. O arcanjo fica parado, já sentindo a energia nova dentro da casa, a volta de Safira está começando e isso significa que o segredo irá se expor. ................................................ Lúcifer ainda está na casa, as palavras do seu irmão lhe deixaram mais preocupado, ter Miguel como oponente já é algo indescritivelmente terrível, porém pensar no genocídio como solução é c***l, até para os parâmetros do d***o, não que ele nunca tenha pensado ou cogitado, mas não de uma forma para melhorar o mundo, e sim com maneira de punição a seu Pai que ama tanto os humanos. – Juliette, Juliette, preciso chegar até você primeiro. Aquilo era mais que uma necessidade, era sobrevivência chegar ao final dessa corrida primeiro, só ainda não sabe como, porém, ao fechar os olhos sente uma pequena presença, seu irmão, o irmão que quer fazer dos seus planos a fuga para salvar uma humanidade tão amada por seu Pai. – Encontrei você, Miguel. Com isso ele some da casa para um único destino, o lugar onde está o bem mais precioso para o mundo nesse momento. ................................................ Sofia sente a faca cortar sua pele da palma da mão esquerda, o sangue escorre para a vela, fazendo o chama ficar mais ardente e maior, Tálaga diz algumas palavras em uma língua desconhecida, todos ali observam, Yasmin continua atenta ao homem, mas Juliette ao seu lado fica inquieta, ação que não passa despercebida pela morena. – Você está bem? _ A ruiva lhe encara, seus olhos mostram medo, insegurança, Safira vai reviver, mas ela teme que sua nova vida não dure por muito tempo. – Eles estão aqui. _ Mesmo sem dizer quem, Yasmin sabe do que se trata. – Juliette. _ Seu nome falado daquele jeito é uma súplica, porque a morena sabe o que a ruiva vai lhe pedir. – Você me prometeu, Yasmin, você disse que faria. – E você me prometeu que ficaria viva, não pode me cobrar nada, você não vai morrer. – E nem você. Elas voltam a se encarar, cada uma com seu sentimento de medo e perda impregnados em suas auras. Juliette não permitirá que nada aconteça a Yasmin, mas para isso também precisa se manter segura, iria retrucar, mas logo escuta um grito agudo saindo da garganta da bruxa mais nova. – Ali. Tálaga aponta para o canto da casa, como em um passe de mágica o corpo enrolado em uma coberta de cor branca aparece, ele levita, é Safira, tem os olhos fechados e uma p******o mágica que a manteve com aquela aparência, a mesma de quando foi morta. Sofia não tarda em correr para perto da mãe, Tálaga continua falando as palavras desconhecidas, a menor chora suas lágrimas sofridas pela perda e retorno da mãe. – Coloque sua mão marcada no corpo dela, só fazer isso e a teremos de novo. A menor não tarda em fazer isso. Sua mão ensanguentada vai de encontro à testa de Safira, seu corpo está fraco, mas assim que sente o toque do sangue escolhido, seus olhos se abrem e seu corpo vai de encontro ao chão, se ajoelhando em frente a filha, que se curva para ajudá-la. – Mãe. Safira está confusa, o que é normal devido à sua passagem, sua energia estava vagando pelo mundo espiritual, esperando aquele momento para voltar, agora que aconteceu, ela precisa se manter calma para lembrar de tudo, quando ergue a cabeça e encara a filha, suas lembranças ficam mais fortes e reais. – Sofia. A garota se joga contra o corpo da mãe, sabendo que aquela é uma vitória. A emoção do momento é respeitada por todos na sala, mesmo Juliette sabendo do perigo que está do lado de fora. Não entende o porquê de estarem esperando, mas não quer ficar ali para descobrir. – Os arcanjos estão aqui. _ A voz da ruiva faz todos ficarem em sinal de alerta. Pela primeira vez Safira a encara. – Eles não vão desistir de você. _ A bruxa se ergue com a ajuda da filha. – Eles nunca irão desistir de... Antes que ela responda, Gabriel aparece na sala, ele é o primeiro, o corpo de Juliette começa a sentir os efeitos, porém mais fracos, pois ela já consegue controlar com mais facilidade. – Gabriel. – Olá, irmã. _ Ele diz ao encarar Juliette, que se coloca em posição de ataque. – Não precisa disso, não vamos batalhar, eu não seria tão t**o. _ O arcanjo se vira para Safira e Sofia. – Estamos quites? – Sim, estamos quites. _ A bruxa mais nova fala, logo depois encara Juliette, que assim como os outros está confusa. – Desculpe-me, mas eu não poderia perder minha mãe de novo, essa guerra não é nossa, nunca foi. Então, ela, Safira e Tálaga somem da casa, foram para tão longe que ficaram fora dos radares de Juliette e Yasmin. Santiago corre para fora, pois está livre do feitiço, além de ser irrelevante agora. – Não! A ruiva grita assim que as três somem, mais uma vez a verdade sai da sua frente, mais uma vez ela se sente frustrada, mais uma vez sente ódio por um arcanjo, aquilo está cada vez mais rotineiro na vida do cupido. – Não se preocupe, elas estão seguras, foi um acordo benéfico para os dois lados. Juliette encara o arcanjo com uma ira jamais vista em seu olhar. Como da primeira vez estão negros, o céu fica cinza, a neblina se faz presente, a ruiva sente a energia passar por seu corpo, é tanto poder que pensa em m***r Gabriel naquele instante, ela faria isso, quer fazer, porém antes de agir, Lúcifer e Miguel também aparecem no local. Pela primeira vez ela está diante de três dos quatro arcanjos, pela primeira vez ela pôde sentir uma pequena porcentagem do seu poder verdadeiro, um poder que os quatro irmãos cobiçam para ganhar aquela guerra. – Parem, vocês vão matá-la. Yasmin grita, pois diante dos seus olhos Juliette está agonizando, seu corpo humano pode não aguentar a presença de três arcanjos. Os gritos são agudos e sôfregos, aquilo está deixando a morena desesperada. – Ela tem que controlar, ela precisa controlar. Lúcifer diz, pelo menos nisso os irmãos concordam, Juliette tem que manter a calma, ela precisa saber lidar com a força, nem que seja a mínima dela. A ruiva parece estar em transe, seu corpo convulsiona, ela grita, o corpo dói, a aura fica exposta, porém em um único movimento ergue o corpo e abre os braços, entende, enfim, descobre como fazer, os irmãos só não sabem se isso é bom ou r**m nesse momento.
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