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Dario
"Não! Por favor, não!"... As palavras sussurradas, carregadas de um terror lancinante, ecoavam como espectros na escuridão da minha mente, assombrando os resquícios turvos do meu sono. Uma agonia fria apertava meu peito, uma pontada de algo que não conseguia identificar, mas que me deixava inquieto e perturbado.
A luz fraca que vazava pela fresta da porta do corredor feria meus olhos sensíveis como agulhas incandescentes. Uma dor lancinante latejava em minha cabeça, cada pulso sincronizado com a batida errática do meu coração, reverberando na mandíbula tensa e na rigidez insuportável da minha nuca. Minha boca era um deserto seco e pegajoso, a língua áspera e colada ao céu da boca, deixando um gosto amargo e metálico que me era terrivelmente estranho, quase como se tivesse provado fel.
Tentei me mover, mas meus músculos protestaram com uma rigidez dolorosa, cada fibra retesada e dolorida como se tivesse sido brutalmente esticada ao limite e depois abandonada à própria sorte. Um peso opressor me esmagava, não apenas a inércia física, mas uma densa camada de m*l-estar e ansiedade que pairava sobre mim como uma mortalha invisível, sufocando qualquer resquício de clareza.
Fragmentos da noite anterior dançavam na minha mente como espectros perturbadores, imagens desconexas e perturbadoras: cores vibrantes e irreais que não pertenciam à paleta sombria do meu mundo, palavras arrastadas e sem sentido que não reconhecia como minhas, sensações táteis vagas e repulsivas que me faziam estremecer involuntariamente, um calafrio percorrendo minha espinha como um presságio funesto. Um buraco n***o angustiante engolia minhas lembranças, substituído por uma névoa sufocante de desorientação, me deixando à deriva em um mar de confusão.
Ao tentar me levantar, meu corpo gritou em protesto, cada articulação rangendo em agonia. Minhas mãos trêmulas lutaram por apoio na beira da cama, a coordenação motora em frangalhos, meus movimentos descoordenados e hesitantes. Meus pés tocaram o chão frio com uma hesitação incomum, a textura familiar do tapete sob meus dedos parecendo estranha e distante, como se eu estivesse em um lugar que não me pertencia. A cada movimento hesitante, uma onda de náusea subia à minha garganta, acompanhada de um suor frio e pegajoso que me eriçava a pele, anunciando um m*l-estar iminente.
Uma sensação visceral de que algo terrivelmente errado aconteceu me invadia como um presságio sombrio, envolvendo-me em um sudário de angústia e apreensão. Meus sentidos estavam à flor da pele, hipersensíveis a cada estímulo: o tic-tac distante do relógio na parede soava como um martelo implacável em meus ouvidos, o cheiro sutil de produtos de limpeza no ar me embrulhava o estômago, intensificando a náusea.
Encarei meu reflexo turvo no espelho embaçado do corredor. Um estranho me fitava de volta com olhos vermelhos e injetados, as pupilas dilatadas como poços escuros que refletiam uma angústia desconhecida, o rosto pálido e marcado por olheiras profundas, testemunhas silenciosas de uma noite de tormento. Uma tensão desconhecida crispava minha expressão, um rastro sombrio e incontrolável que eu não reconhecia como meu, como se uma sombra tivesse se apoderado de mim.
A sensação física era de uma ressaca brutal multiplicada por dez, mas carregada de uma angústia profunda e inexplicável, a vaga consciência de ter cruzado uma linha invisível, de ter feito algo que minha mente consciente se recusava a processar, deixando um vazio perturbador em sua esteira. A culpa, ainda sem um rosto definido, começava a roer minhas entranhas, um verme silencioso se instalando em meu peito, envenenando minha paz. Eu me sentia sujo por dentro e por fora, contaminado por algo que não conseguia nomear, uma repulsa visceral me invadindo.
Eu não conseguia compreender o que eu estava fazendo ali, naquele quarto, estava a caminho Do paradeiro de Agnese. A desgraçada havia conseguido escapar da minha vingança.
Ainda estava atordoado pela ressaca infernal, mas um fio de clareza me guiou até o cômodo isolado do meu escritório, seguindo para o banheiro privativo, um santuário de relativa privacidade.
"Preciso de um banho..." murmurei para o meu reflexo pálido no espelho, a voz rouca e arranhada como se tivesse engolido areia.
Dormir sem roupa era um hábito natural, uma busca inconsciente por liberdade em meio ao peso do poder. Sem hesitar, adentrei o box de vidro, deixando a água quente cair sobre minha pele tensa, tentando em vão me reconectar a uma sensação de normalidade. Fechei os olhos, buscando um breve momento de trégua.
"Para... por favor... está doendo muito..." A frase sussurrada, carregada de dor e desespero, ecoava incessantemente em minha mente, perfurando a superfície da minha consciência como agulhas afiadas. Aquilo me roubou a paz fugaz que tanto ansiava, deixando em seu lugar uma angústia lancinante.
A água quente clareou um pouco meus pensamentos turvos, me conduzindo a uma hipótese sombria. Ressaca? Não, meu sistema estava acostumado a doses muito maiores sem essa prostração debilitante. Alguém... alguém me drogou.
"Figlio di puttana!" Praguejei entre dentes, a raiva fervendo em minhas veias. Se fizeram uma vez, eram capazes de fazer duas. A primeira até achei que havia sido eu mesmo usar mas.. não...... não foi
Saí do box, o corpo ainda úmido, e em um pequeno armário embutido, peguei uma calça de linho escura e uma blusa social de seda, a necessidade de uma fachada de controle se sobrepondo ao meu m*l-estar.
Meu celular... onde diabos eu o coloquei? A névoa mental persistia, tornando até a mais simples das lembranças inalcançável. Nem se eu quisesse poderia refazer os passos da noite anterior para tentar lembrar.
Atravessei o escritório, a mente ainda confusa, e adentrei o quarto adjacente, a escuridão das cortinas fechadas criando uma atmosfera opressora. E então, meu sangue gelou. Congelei no limiar da porta ao ver um vulto encolhido entre os lençóis amassados da cama, uma presença inesperada e perturbadora naquele santuário de privacidade.
Era ela. A filha daquela ratazana insignificante do José. Sofia. Passei as mãos trêmulas pelos meus cabelos ainda úmidos, a frustração e a confusão se misturando em um nó apertado no meu estômago. Me sentei pesadamente na poltrona de couro, o olhar fixo no corpo adormecido na cama, tentando desesperadamente reconstruir as peças quebradas da noite anterior, buscando uma explicação para aquela visão nauseante.
Quebra de tempo
Ettore, meu consigliere leal e eficiente, adentrava o espaçoso interior de couro preto do carro com sua habitual compostura fria e profissional. Seus dedos ágeis deslizavam pela tela do tablet, movendo blocos coloridos em uma partida frenética de Tetris, alheio à tempestade que se agitava dentro de mim.
"Senhor, seguindo suas... tendências habituais, pedi a Ísis que a deixasse reservada para você," disse ele com uma naturalidade exasperante, os olhos fixos na tela luminosa. A presunção em sua voz, a normalização daquele comportamento que agora me revoltava, acendeu uma fúria fria dentro de mim.
Arrebatei o dispositivo de suas mãos com um movimento brusco e o arremessei com violência pela janela do carro, o som do impacto e dos cacos de vidro ecoando no silêncio tenso. "Não mandei! Muito menos desejo tal coisa! O que diabos lhe fez pensar de tal forma?" Analisei sua feição impassível, buscando um indício de compreensão ou remorso.
"Bom, senhor... seu histórico fala por si. Imaginei que, como sempre, não seria diferente," respondeu ele com uma calma irritante, como se estivesse apenas constatando um fato óbvio. Sua lógica fria e pragmática, baseada em um "eu" que eu não reconhecia mais, me enojava.
"Quero o máximo de distância daquela garota! Agora chega dessa p***a de joguinho!" Minha voz era um rosnado baixo e carregado de urgência, a repulsa pela minha própria conduta anterior me consumindo. "Quero ir para casa... agora." A necessidade de me afastar daquela garota, daquele lugar, daquele reflexo sombrio de mim mesmo, era avassaladora.
Olho para o frigobar embutido na parede de madeira escura, a porta de vidro fosca revelando fileiras de bebidas caras e petiscos importados. Abro-o com um movimento brusco, a luz fria iluminando meu rosto crispado pela frustração. Procuro por algo forte, um uísque single malt ou uma grappa envelhecida, qualquer coisa que possa anestesiar minimamente o turbilhão de emoções conflitantes que agitam meu interior. Tento, em vão, acalmar meu espírito, que por mais contido e impassível que pareça na superfície, ferve em uma tempestade de confusão, culpa e raiva.
Pego uma garrafa de água gelada, a garganta seca pela tensão. Bebo um longo gole, a frieza da água descendo pela minha garganta como um alívio momentâneo. Mas a verdade amarga logo ressurge, implacável.
Quem eu quero enganar? A droga... sim, aquela maldita substância facilitou, obscureceu meu julgamento, soltou as rédeas dos meus instintos mais sombrios. Mas a minha cobiça preexistente, a atração inegável que senti por aquela garota desde o primeiro momento em que a vi no café, foi o terreno fértil que permitiu que aquela semente hedionda germinasse. A droga apenas acelerou um processo que já estava latente em mim, uma sombra escura que espreitava nas profundezas da minha alma.
A culpa me corrói por dentro, um ácido lento e implacável.
Bato a garrafa de água na bancada com força, a frustração crescendo em um nó apertado no meu peito. Preciso de um foco, de um alvo para essa raiva. José e Agnese. Eles são a raiz de tudo isso. A traição de José, a dívida que me ligou àquela garota de uma maneira tão abjeta, e a fuga covarde de Agnese, zombando da minha autoridade. Sim, eles serão meu foco. A vingança contra eles pode, talvez, silenciar um pouco os fantasmas que agora me assombram.