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Sofia
"Todos esses anos se esforçando por sua mãe... é uma garota de garra e fibra... linda também..." ele me avaliou com um olhar lento e repulsivo. "Uma pena essa vida miserável... mas poderia ser mais fácil..." dizia, a voz insinuante.
"Você tem idade para ser meu pai! Não tem vergonha?!" minhas mãos estavam cerradas em punhos, as unhas marcando a palma.
"Acha que isso importa? Está em alta relacionamento com essa diferença de idade..." ele me media com os olhos, um brilho perverso e calculista neles.
"Sai! Sai da minha casa!" gritei, a voz embargada pela raiva e pelo nojo.
"Não se faça de santa... sei muito bem onde trabalha agora. Vai se fazer de difícil?" disse, acendendo um cigarro barato, a fumaça acre invadindo o ar já pesado.
"Saia da minha casa ou vou chamar a polícia!" ameacei, a voz tremendo, mas firme.
"Chama. Vamos ver quem eles vão prender, já que me deve desde o reajuste," retrucou, soltando uma baforada de fumaça no ar.
"Como? Eu conversei! Eu pedi para não mudar por eu não ter como pagar! O senhor havia aceitado o acordo!" digo, a indignação me sufocando.
"Não importa. Eu quero os valores atrasados e o deste mês, ou terá que ver outro lugar... Bem, obrigado pelo café. Não é dos melhores, mas foi bom lhe rever... Pense em minha proposta... ah... tem um dia... tenho inquilinos já interessados que me dão um ano de aluguel adiantado... Passar bem." Assim que aquele homem desprezível saiu do apartamento, a porta se fechou atrás dele, e minhas pernas cederam, me encontrando e chegando ao chão em um baque surdo.
"O que vou fazer? ... A minha mãe..." soluço, passando as mãos trêmulas pelos cabelos.
A cafeteira não abre hoje... mas o clube sim... porém não é o meu turno... Da mesma forma, mesmo que fosse, não seria o suficiente para cobrir essa chantagem...
Eu não posso nos deixar sem um teto... a minha mãe - meus olhos marejados fixaram a porta fechada do seu quarto, imaginando seu sono tranquilo, alheio ao abismo que se abria sob nossos pés. Ela suportou tanta coisa nessa vida, com sua mente já fragilizada... não vou deixá-la desamparada nesse momento - funguei, enxugando as lágrimas com as costas da mão.
E meu celular tocou, o toque irritante me sobressaltando. Era novamente ele, o desgraçado do meu pai, o homem que, com sua irresponsabilidade, nos colocou nessa situação.
Atendi, levando o aparelho trêmulo ao ouvido, mas permaneci em silêncio, esperando que ele tomasse a iniciativa.
"Sofia..." falou a voz arrastada do outro lado da linha.
"Eu preciso que"... pensei, a certeza amarga de que ele viria atrás de dinheiro, do jeito que sempre fez, especialmente com a bebida.
"Eu que preciso!" exclamei, a voz embargada pelo choro recente e pela raiva contida. "Uma dívida de quase dez mil... se ainda tem o mínimo de compaixão..." solucei, a garganta apertada.
"Escuta, Sofia... eu farei..." De repente, ouvi um baque alto, como se algo pesado fosse lançado contra uma parede.
"O que acha que tá fazendo...?" era uma voz feminina e irritada.
"Quantas vezes tenho que dizer para esquecer!" foi tudo que consegui distinguir antes da ligação ser abruptamente cortada.
Ele já tem outra família... era de se esperar... todos esses anos, não tinha como ser de outra forma...
Não sei por que ainda dói... talvez não por mim... mas por minha mãe, que sempre acreditou em suas promessas vazias.
Com um nó na garganta, arrumei uma mala pequena com algumas roupas e pertences essenciais para minha mãe. Levei-a até a casa de dona Carmem, nossa vizinha gentil e prestativa, pedindo que a guardasse, sem dar explicações detalhadas. Eu não sabia se realmente precisaria usar aquela fuga temporária, mas precisava de uma segunda opção, não podia contar com a sorte ou com a palavra daquele homem. Fora que não confiava nele nem um pouco.
Peguei minha bolsa, a pouca quantia que tinha m*l daria para algumas despesas, e segui para o clube.
Ella estava no poste, a silhueta esguia alongando-se em movimentos graciosos durante o aquecimento. Marina se arrumava no camarim, os cabelos loiros presos em inúmeros bobs.
"Sofia? O que faz aqui? É a sua folga," questionou Mamis, franzindo a testa ao me ver.
As meninas trocaram olhares confusos, a surpresa estampada em seus rostos.
"Eu..." suspirei, o peso da decisão finalmente se manifestando. "Eu preciso de dinheiro... Mamis..." murmurei, a voz quase inaudível.
"De quanto vai precisar?" Mamis me analisou com um olhar penetrante. "Não sei se consigo adiantar seu salário... até porque você recebe por noite, ao contrário das meninas que têm o adicional."
"Oito... mil..." disse, a palavra saindo hesitante. Ela passou um longo tempo me analisando, a expressão indecifrável.
"Está de s*******m com a minha cara? Não tem como uma barista ganhar isso em uma noite só!" seu tom já era de irritação, a paciência se esvaindo.
As lágrimas escorreram pelo meu rosto, quentes e amargas. "Eu não sei o que fazer... eu não quero falhar desse jeito com a minha mãe... vamos perder a casa..." dizia em meio aos soluços, a voz quebrada pelo desespero.
"Todos aqui sabem que não adianta chorar, nada vai mudar..." disse Mamis, um tom pragmático em sua voz, mas havia algo diferente em seu olhar. "Mas eu reconheço esse olhar..." ela continuou, fixando seus olhos nos meus. "Todos estavam em situações parecidas: como uma adolescente que fugiu sem ter para onde ir... uma estrangeira que levou um golpe por achar que seria modelo... uma mãe solteira que precisa cuidar do seu filho... várias delas entraram por essa mesma porta querendo uma oportunidade boa de forma rápida... e conseguiram... mas querer mesmo isso? Você é tão ingênua... e certa... acha que consegue? Pra arrancar esse valor dos clientes, você precisa se sair muito bem..." Seu olhar era crítico, avaliador. "A beleza não é tudo, mas ajuda muito... se deseja mesmo essa quantia de dinheiro, se junte a suas amigas, eles vão te orientar... Marina, dá um jeito no cabelo dela, quero ele escovado e talvez algo vermelho, mas não precisa ser tão revelador... é novidade... então tem que ser como um embrulho de presente..." falou, gesticulando para Marina.
Fui puxada pelas meninas para um canto mais reservado do camarim.
"Está louca?" perguntou Ella, o rosto pálido e chocado.
"Você não tem estômago pra lidar com isso..." murmurou Marina, a voz baixa e preocupada.
"A gente pode te ajudar! De alguma forma! Não precisa fazer isso!" falou Ella, segurando minhas mãos com firmeza.
"Vocês também têm contas a pagar... não vou complicar as suas vidas... todos temos problemas e... se eu conseguir segurar as pontas até os vinte e um, eu consigo..." sussurrei, a voz embargada, a decisão dolorosa como um nó em minha garganta.
"Está certa disso?" Marina me fitou com seriedade. Seus olhos castanhos buscavam alguma hesitação nos meus.
"Eu... estou... mais eu tenho algo em mente..." forcei um sorriso, tentando transmitir uma confiança que eu m*l sentia.
Elas trocaram um olhar carregado de preocupação, mas finalmente suspiraram em uníssono e começaram a me ajudar.
Marina pegou a escova e começou a esticar meus cachos rebeldes com uma delicadeza surpreendente. Nunca tive muito tempo para dedicar ao meu cabelo, sempre preso em um coque ou r**o de cavalo prático. Mas assim que a escova deslizou pelas mechas, revelando um brilho intenso e um comprimento que eu quase esquecia, fiquei em choque com a transformação. Quando ela terminou, usou um modelador para criar ondas suaves e elegantes, emoldurando meu rosto de uma maneira que nunca imaginei.
"Hummm, isso mesmo..." Mamis segurou meu queixo, analisando meu rosto com um olhar crítico, mas também com uma ponta de aprovação. "Tirar um pouco da ingenuidade... acho que um batom vermelho intenso e uma sombra preta esfumada devem funcionar..." Ela se afastou, deixando sobre a penteadeira um cabide com uma peça de roupa dobrada.
"Acho que você chamará bastante atenção hoje... tome cuidado..." falou Ella, a voz carregada de uma preocupação genuína.
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