*Haebom*
Havia acordado a pouco tempo, um pouco mais tarde que o normal para ser sincero, tinha tomado banho e trocado me roupa.
Peguei meu celular na cômoda ao lado da cama e me levantei para ir até o outro quarto onde o garoto do dia anterior tinha ficado, não fazia ideia se ele havia acordado ou não, por isso abri bem devagar a porta do quarto para não fazer tanto barulho e acabar acordado.
Ver o mesmo ainda dormindo parecia que ele estava em paz, ficava imaginando o que ele havia passado na rua para estar da maneira como estava quando o vi pela primeira vez, tipo como alguém não teria pena dele? É apenas um híbrido.
Esse pra mim era um dos maiores problemas que eu enxergava na sociedade atual, as pessoas simplesmente não conseguiam viver normal com aquilo que era diferente, sei disso pois havia presenciado muitas vezes quando mais novo e eu sempre achei a pior coisa que as pessoas faziam.
De qualquer maneira ainda não tinha toda certeza se esse era o caso real daquele garoto, qual era o verdadeiro passado dele? Será que ele só foi mais uma vítima nisso tudo? Estava disposto a descobrir aquilo.
Depois que percebi que estava olhando para ele dormindo por muito tempo, sai do quarto e fechei a porta devagar para não o acordar.
Senti meu celular vibrando na minha mão e vi a mensagem na barra de notificação avisando que estava vindo para minha casa, provavelmente saber se não havia dado algum problema.
Guardei o celular no meu bolso e fui para a cozinha tentar preparar algo para o café, sabia que o garoto acordaria com fome.
Adiantei grande parte de tudo, acabei fazendo torradas, café e um suco, estava terminando de arrumar o balcão para tomar café, só aí percebi a presença do garoto com o cabelo meio bagunçado na porta da cozinha.
-Que isso, ao menos avisa ou faz algum barulho.
Falei para o mesmo que se curvou parecendo pedir desculpa, será que ele tinha o síndrome da desculpa? Pois a casa coisinha ele pedia desculpa mesmo sem ter feito nada.
-Pode vim sentar e comer.
Falei me escorando no balcão ficando em pé enquanto o mesmo veio e se sentou na minha frente e se serviu.
-E aí como foi a noite?
-Boa.
-A cama estava muito desconfortável? Não é das melhores.
-Não estava bom.
Falou enquanto se servia, não sabia se era realmente bom mas eu sentia que ele não estava mais tão acanhado como antes, lógico que não estava perfeito mas parecia mais tranquilo.
-Uma pessoa está vindo aqui agora, posso te apresentar a ele?
-É o mesmo dos gritos de ontem?
Ele perguntou parecendo meio constrangido, então ele tinha ouvido?
-Eu não queria ter ouvido, mas não consegui evitar por causa das orelhas.
-Bom me desculpe por aquilo, não sabia que você estava ouvindo.
-Tá tudo bem, no fim ele só estava preocupado por você deixar um estranho na sua casa, ele tem razão.
-Bom no caso é ele mesmo que está vindo mas acredite, não é porquê ele falou aquelas coisas ontem que ele é daquele jeito.
-Então como ele é?
-Digamos que o Jin é um hyung muito confiável e amável, acho que posso definir ele assim, o que aconteceu ontem foi só que ele acabou ficando um pouco preocupado demais.
-E quanto a isso?
Falou apontando para as orelhas de gato.
-Acho que isso ele vai achar muito fofo, de qualquer forma acho melhor esconder antes de contar pra ele mas acredite, ele vai amar.
-E como eu vou esconder?
-Só usar uma capa minha, te empresto quando sair do banho.
O mesmo não falou nada, o que eu acreditei que ele havia concordado.
Depois do café ele foi direto para o banheiro tomar banho depois de eu dar uma peça de roupa pra ele vestir.
Aproveitei que o Jin já estava vindo e lavei a louça e deixei algumas coisas organizadas se não ele iria dar uma palestra do porquê a gente deve manter a casa limpa, este é o Jin.
Assim que a campainha tocou eu fui até a porta e abri vendo ele com um sorriso no rosto, tinha um preconceito por quem acordava feliz.
-Bom dia, era pra eu ter chegado antes fui comprar isso - falou mostrando umas duas sacolas.
-É o que eu pedi?
Ele confirmou e eu convidei ele para entrar e fomos até o sofá.
-Então, tudo certo por aqui né?
-Falei que não precisava se preocupar.
-E cadê o garoto?
-No banho, a propósito antes dele vim eu queria um conselho seu.
-Manda.
-Acha que é errado eu querer ajudar ele?
-Olha, eu não me sentiria confortável com um desconhecido dormindo na minha casa mas você confia nele, mas é admirável da sua parte querer fazer isso.
-A questão é que eu ainda não sei o que fazer, hoje já é domingo e amanhã eu vou ter que ir pro trabalho, o que eu vou fazer com ele?
-Eu quero falar com ele.
-Avisei pra ele, só te peço que não seja tão exagerado, ele ouviu você ontem enquanto falava dele.
-Não é possível, eu tava tranquilo.
-Você tava se esgoelando por causa de ontem.
-Tá, não vou engolir ele nem nada
Vi o garoto sair do banheiro já trocado e com o capuz na cabeça, se eu não soubesse o que ele era um híbrido não imaginaria que ele tinha orelhas, mas ainda tinha uma dúvida, onde ele escondia a cauda dele?
Me levantei e fui até o lado dele ao menos para tentar deixar ele tranquilo e me virei para o Jin que apenas observava.
-Jin, esse aqui é o Chayun.
-Oi.
-Prazer Chayun sou Jin, senta aqui vamos conversar.
Vi o garoto do meu lado olhar para mim como se estava tudo bem, então apenas balancei a cabeça e ele foi e se sentou, enquanto eu fiquei ao lado do Jin.
-Então, quantos anos tem Chayun?
-19.
-Entendi, como você conheceu o Haebom?
-Jin – o repreendi.
-Eu preciso saber disso, fique quieto – respondeu me olhando e voltando a olhar para o garoto.
-Bom, eu entrei aqui sem ele perceber com medo, então acabei dormindo, ele me ajudou depois eu sai daqui e ele apareceu de novo ontem a noite, acho que não preciso explicar mais que isso.
-Tudo bem, onde estão seus pais?
Vi o mesmo abaixar o olhar, provavelmente aquilo era algo que deveria abalar ele ainda, percebi que ele não estava confortável.
-Eles morreram, não tenho ninguém.
-Por que você mora na rua? Tenho certeza que poderia estar se dando bem em um trabalho digno.
-Jin.
-Qual é Haebom, eu também tenho problemas com meus pais e mesmo assim fiz de tudo.
-É só que sua história e a deles são diferentes, eu ajudei porque sentia que deveria fazer isso.
-E por que ele moraria na rua? Com um rosto assim no mínimo seria modelo.
-Não com ele.
-Como assim?
Me levantei indo até o garoto e fui até próximo a ele, coloquei a mão no capuz e antes de tirar perguntei só para ter certeza, não queria que ele se sentisse acanhado, e quando permitiu eu tirei deixando as orelhas de felino dele a mostra.
No mesmo instante vi Jin arregalar os olhos, e não demoraria muito para ele acabar surtando.
-OH MEU DEUS É TAO FOFINHOOO.
Acabei rindo olhando a reação do meu hyung enquanto o garoto pareceu ficar tímido.
-Ta deixando ele envergonhado Jin.
-Mas é verdade, ele não é muito fofo.
Respondeu fazendo vários elogios ao garoto, que parecia meio encabulado vendo que Jin simplesmente havia mudado de personalidade de um cara meio sério para um adorador de híbridos.
-Ta então vamos lá, deixa eu ver se eu entendi tudo certinho, você dormiu na casa do Haebom, ele te alimentou e você foi embora, depois ele te ajudo e você dormiu aqui hoje.
-Sim - respondemos juntos.
Jin pareceu pensar um pouco e me pegou pelo pulso me levando até a cozinha de forma rápida.
-O que pretende fazer? - falou baixo para o garoto não ouvir.
-Foi isso o que eu perguntei, não sei o que fazer.
-Não pretende deixar ele fora né, viu o que quase ia acontecendo com ele ontem.
-E por que essa mudança repentina sendo que até ontem você estava todo negativo dizendo que eu deveria ter cuidado com ele?
-Isso era porque eu mão sabia que ele era um híbrido, muito fofo por sinal.
-Ta eu não vou deixar ele simplesmente ir embora mas e o que eu poderia fazer?
-Você tem outro quarto reserva que nem usa, deixe ele morar com você.
-Olha Jin eu não sou contra essa ideia, mas a questão aqui é que passo a semana toda fora por conta do trabalho, não quero ter que fazer ele ficar sozinho em casa por minha causa, além disso eu não sei se ele sabe se cuidar sozinho.
Ele pareceu pensar em uma ideia, se eu pudesse realmente só pediria para o Chayun ficar, mas era muito mais complicado do que parecia.
-Façamos o seguinte, você sempre passa no meu trabalho pela manhã, pode deixar que eu cuido dele e a noite eu trago ele pra cá
-Não vai atrapalhar muito?
-De jeito nenhum, vai ser legal ter uma companhia.
Pensei um pouco e era querendo ou não aquela era a melhor escolha que tínhamos, poderia ser meio arriscado pelo fato dele não querer, tínhamos que pensar nisso, mas não custava nada tentarmos o nosso melhor, na melhor das hipóteses ele moraria comigo.
Voltamos para a sala e nos sentamos no sofá.
-Aconteceu alguma coisa?
Ele perguntou parecendo meio nervoso, dava para perceber pelo olhar dele.
-Então Chayun, o que você acharia se eu pedisse para morar comigo?
-Sério? Você ao menos me conhece de verdade.
-Acho que conheço o mínimo pra saber que não me machucaria, não faria isso certo?
Ele apenas negou e vi que seu rosto parecia ter um pingo de esperança, ele realmente havia gostado da ideia.
-Jin e eu conversamos sobre isso, e não queremos deixar você morando na rua, então aceita morar comigo?
-Espera... de verdade?
-Sim, mas vamos ter que conversar sobre pois eu tenho que trabalhar mas podemos fazer o seguinte, posso te deixar com o Jin pela manhã e pela noite quando eu puder eu te pego para vim dormir aqui, o que acha?
Ele pareceu pensar um pouco antes de tomar uma decisão.
-Não acha que isso é muito? Sinto que se tiver atrapalhando vou me sentir um inútil.
-Ei não vai – respondeu Jin – na verdade pra mim vai ser legal ter alguém pra conversar as vezes, vai poder provar uma das melhores comidas que já comeu.
-Disso eu não posso discordar, acho que você iria amar a comida dele.
-Bom já que vocês dizem que não terá problema acho que eu posso aceitar isso mas com uma condição.
Ele me ol6ho como se fosse uma condição feita para mim.
-Eu quero trabalhar para poder ajudar aqui.
-Você não precisa.
-Mas eu quero, se não for assim nada feito.
Como alguém poderia ser tão teimoso, estávamos dando um lugar para ficar tranquilo e ele ainda queria trabalhar?
-Se quer assim, então pode ser.
-Ótimo agora preciso ir, tenho coisas pra fazer, isso é pra você.
Falou entregando a sacola que havia trazido para o Chayun.
-O que é?
-Algumas roupas, espero que goste.
-Obrigado.
-Até Jin, a propósito não conte aos meninos, não quero que eles saibam sobre o Chayun agora, eles são um pouco escandalosos.
-Eu sei, não vou contar.
Ele saiu de casa e eu me sentei do lado do Chayun.
-Por que me propôs aquilo?
-Não quero me sentir um inútil enquanto você se mata de trabalhar, só isso entende?
-Entendi, quer experimentar as roupas?
-Por que ele trouxe isso pra mim?
-Eu pedi, vai logo no quarto ver se tá tudo certo.
Ele se levantou se encaminhando para o quarto e olhou para onde eu estava antes de sair.
-Ei, obrigado.
Falou aquilo e saiu indo para o quarto, eu só espero que essa mudança de rotina não acabei me afetando mais ainda.
...