*Haebom*
Depois de algumas horas descansando eu comecei a me arrumar para encontrar os meninos, havia acabado de tomar banho para estar no mínimo apresentável.
Terminei de me vestir em pouco tempo, uma jaqueta já que estava um pouco frio, uma blusa preta com detalhes em branco e calça básica, nada demais.
Quando terminei de me arrumar peguei meu celular e carteira, me certifiquei de deixar o apartamento fechado e sai para poder pegar o ônibus.
Assim que cheguei no shopping liguei para o Taehyung e ele me disse onde estavam, não demorei muito para achá-los.
-Finalmente – respondeu Taehyung cruzando os braços.
-Falando assim até parece que eu me atrasei horas.
-Relaxa Hae, acabamos de chegar também - disse Jungkook com o braço ao redor do Tae e Jimin.
-O que ta rolando entre vocês três?
-Nada Hae, vamos logo.
Andamos todos juntos pelo shopping antes de termos um real destino, era sempre assim, o role parecia melhor quando era feito na hora.
Como fazia um certo tempo em que não saia com os meninos era meio divertido, fazia até eu me esquecer um pouco das minhas responsabilidades, que eram muitas por um acaso.
Infelizmente para minha dor os meninos acabaram topando assistir um filme, frozen 2, poderia ser um de ação mas não, tinha que ser desenho.
-Ainda não acredito que me fizeram vim assistir frozen 2 – falei um pouco irritado enquanto entrávamos na nossa sala.
-Ah para de ser rabugento, aceitou vim agora vamos nos divertir – disse Taehyung parecendo todo animado.
Nos sentamos na seguinte ordem: Namjoon e Jin de um lado, eu do lado deles sendo vela, Jimin, Jungkook e Taehyung do meu outro lado.
Logo no começo do filme eu já sabia que iria ser mais um igual a todo filme da Disney, a cada cinco minutos uma música e não é que eu esteja sendo rabugento ou coisa do tipo, mas é que as vezes me incomodava um pouco.
Em um momento do filme percebi alguém parecer fungar, é lógico que não havia só nós na sala, mas foi tão perto que estranhei, só entendi quando olhei para o lado e vi o Jimin chorando.
-Você está chorando Jimin?
-Ele morreu Hae, não tem pena? - perguntou Jimin ainda chorando por conta da cena, que eu já imaginava que estava se encaminhando para o final.
-E só um desenho.
-Seu insensível – respondeu Tae do outro lado e só então percebi que ele também estava tentando segurar o choro.
Acabei revirando os olhos e voltei a ver o filme.
Logo que acabou eu só imaginava o quanto aquilo havia sido normal, não iria mentir, era até um bom filme mas não era pra tanto, acho que não foi bem isso que o Taehyung e Jimin pensaram pois assim que saíram pareciam duas crianças animadas.
-Pensei que o Olaf não ia mais voltar.
-Tão criança - sussurrei para mim mas o Namjoon acabou ouvindo.
-Não estraga a diversão deles - disse ele do meu lado - sabe que eles são assim, tenta aproveitar o dia, ou aconteceu alguma coisa?
-Na verdade sim, essa noite aconteceu uma coisa muito estranha.
-O que exatamente?
-Tipo assim...
-O que acham da gente comer?
Perguntou Jin e todos toparam, sem contrariar acabei topando e deixando o assunto com Namjoon para outra hora.
Depois de um dia longo, e até que divertido, resolvemos voltar todos para casa, no fim até que havia sido um bom role com eles, eu estava precisando mesmo disso.
-É o seguinte, eu dirijo e Jin vai na frente comigo, Tae, Hae e Jungkook vão atrás e Jimin no colo do Jungkook -disse Nam na porta do carro.
-Por que eu tenho que ir no colo do Jungkook? Sou mais velho que ele.
-Pode até ser mais velho mais ainda é pequeno, entrem logo.
-Não vou.
-Qual é agora Tae? – perguntou Jin que já estava prestes a entrar no carro.
-Você não ouviu o que o Namjoon falou? Ele vai na frente dirigindo.
Jin pareceu pensar um pouco, qualquer um sabia que Namjoon e dirigindo na mesma frase não era algo bom
-Ei, eu to melhorando minha direção.
Disse Namjoon parecendo indignado, quem vê nem imaginava que ele havia batido o carro parado, até hoje eu não entendo isso direito.
-Taehyung tem razão, passa a chave Namjoon.
-Amor.
-Quero ter a certeza que vou chegar em casa.
Jin acabou pegando a chave e assumindo o piloto do carro, Taehyung foi no meio e Jungkook junto com Jimin, enquanto eu fiquei na porta.
-Jimin será que tem como você se mexer um pouco menos?
- Por que?
-Porque se você se mexer muito no meu colo não vai prestar.
-Oh vocês dois, nada de p*****a aqui - Jin respondeu olhando o para-brisa - Primeiro vamos deixar o Taehyung depois deixamos vocês dois - disse apontando para os Jikook.
-Não precisa, pode deixar eles lá em casa mesmo – Disse Taehyung deixando todos confusos.
Primeiro que eles estavam mais próximos, pelo menos na minha visão, algo estava rolando.
-O quê?
-Nós vamos dormir na casa dele hoje Jin.
-Ta bom, se preferem assim vamos passar na deles e depois de deixamos Hae.
-Tranquilo.
Fiquei olhando pela janela até chegarmos na casa do mais novo, nos despedimos dos três e então partimos para minha casa.
- Então Hae como está sua mãe? – indagou Jin ainda no volante.
-Ta melhor, reagindo bem ao tratamento.
-Que bom, espero que ela melhore rápido.
-Eu também.
O mais velho acabou parando o carro em um sinal e eu olhei de relance para um beco onde acabei vendo dois homens, quando o carro ia se movimentar novamente eu observei melhor e percebi que era o garoto de mais cedo ali.
-Jin para – falei para ele que pareceu meio confuso.
-O que foi?
-Para rápido.
No mesmo instante em que ele parou eu saí do carro indo direto até o beco onde o garoto estava.
-Bem que você tem um corpo bonito sabia garoto? – disse um dos homens que estava prensando ele na parede.
-Por favor alguém me ajuda – respondeu ele não tão alto então eu me aproximei deles.
-Ei deixem ele em paz.
No mesmo instante que eles olharam para mim acabaram rindo um pouco.
-E o que pretende fazer garoto? - disse o homem que observava tudo.
-Hae, mas que p***a é essa?
-O que ta acontecendo aqui? - perguntou o Namjoon.
-Depois eu explico.
-Nao sei o que você está fazendo aqui princesa, com um rostinho desses eu ficaria longe daqui.
Ele não deveria ter dito aquilo, Jin odiava ser chamado de princesa.
-Do que me chamou?
-Princesa.
De forma rápida Jin partiu para cima de um dos caras, agradecia por ele saber taekwondo, aproveitei da distração e parti direto para o cara que estava próximo ao garoto, bati tantas vezes nele que minha mão acabou ficando doendo, mas eu nem me importava.
Quando percebi que Jin quase havia matado um dos homens, não matou por causa do Namjoon, e que o outro estava desacordado eu me aproximei do garoto que estava encolhido apenas e chamei a atenção dele.
-Ta tudo bem com você?
No mesmo instante em que ele olhou para mim vi o corte em sua boca e um pouco de roxo no rosto, me dava pena ver ele daquele jeito.
-O que foi que aconteceu aqui?
-Eles me bateram.
-Hae, precisa de ajuda?
Olhei para Jin e levantei apenas um dedo para ele, me concentrando novamente no garoto a minha frente.
-Acha que consegue levantar?
Ele apenas negou que não com a cabeça, só então percebi o sangue em sua coxa revelando um pequeno corte na região.
-Eu vou te pegar no colo, posso?
O mesmo ainda parecia meio receoso, mas acabou deixando e com um certo cuidado peguei o mesmo indo até os meninos.
-Quem é ele? – perguntou Jin ainda parecendo indignado, provavelmente por alguém ter chamado ele de princesa.
-Eu conto tudo quando a gente chegar lá em casa, será que podemos ir?
-Claro, vamos logo antes que esses valentões acordem.
Andamos até o carro e eu o deixei deitado em meu colo até chegar em casa.
Assim que chegamos fomos todos para minha casa e deixei os meninos um tempinho na sala enquanto levei o garoto até o banheiro.
-É Chayun certo?
Perguntei para o mesmo que me olhou um tempinho depois e confirmou com a cabeça.
-Eu vou pegar uma toalha pra você, tome um banho e quando terminar eu te ajudo com essas feridas pode ser?
Ele apenas balançou a cabeça confirmando, peguei uma toalha extra que tinha no meu quarto e uma peça de roupa, além de uma escova de dentes, queria que ele ficasse confortável.
Deixei tudo organizado dentro do banheiro e dei privacidade para o mesmo.
Fui até a sala e vi os meninos me esperando, a questão era como eu iria explicar toda a história do início sem eu parecer um tonto.
-Esperando uma explicação.
Falou Jin e eu me sentei no sofá em frente a eles.
-Quem é ele? Como você conheceu ele?
-Então, é meio complicado, mas vou tentar resumir, essa madrugada eu ouvi uns barulhos estranhos e quando eu vi tinham arrombado a porta, tentei arrumar tudo certinho e tá, quando eu acordei mais tarde eu vi que ele tava na área de serviço, em baixo da pia e pareceu todo assustado.
-Foi isso que você falou que tinha acontecido de estranho?
Perguntou o Namjoon e eu apenas confirmei, continuei contando a história e assim que terminei fiquei pensando no que o Jin pensaria em tudo aquilo.
-Tá, você conheceu esse garoto hoje e ajudou ele?
-Sim.
-E o que pretende fazer agora?
-Não sei, deixar ele sair ferido do jeito que está não é uma opção.
-Você vai então deixar um desconhecido dormir na sua casa?
-Jin calma.
-E você também Namjoon, não ouviu que ele estava com os caras de ontem, e se ele for cúmplice?
-Você está exagerando amor.
-Não estou sendo racional.
-Tá Jin, você no meu lugar o que faria?
-Colocaria ele pra fora.
-Você viu como ele tava, não vou fazer isso.
-Então manda ele pra família dele.
-Ele também não tem, todos já faleceram.
O silêncio reinou por um instante, é lógico que eu entendia a indignação do Jin, era loucura da minha parte simplesmente trazer uma pessoa de fora para dentro da minha casa sem ao menos saber quem era ele de verdade, mas eu me perdoaria se algo acontecesse com ele sabendo que eu poderia ter ajudado.
-Hae, você tem certeza sobre o que está fazendo?
-Eu confio nele Nam, não vou deixar ele nas ruas com perigo de ser atacado assim de novo.
-Você confia mesmo nele?
Perguntou Jin dessa vez.
-Confio.
Suspirando fundo e fechando os olhos ele continuou.
-Eu não acredito que vou apoiar isso, mas se você confia nele, eu confio em você, só se cuida.
-Acho que tá na hora da gente ir Jin.
Os dois se levantaram e eu os acompanhei até a porta.
-Olha Hae, toma cuidado tá, se precisar de alguma coisa pode me ligar.
-Na verdade eu tenho um pedido.
-Fala.
-Será que amanhã você conseguiria me trazer roupas mais pequenas? As minhas vão ficar meio grandes nele.
-Você só pode estar de brincadeira.
-Por favor.
Ele aceitou ainda meio indignado, era por isso que eu amava ter o Jin como meu hyung, por mais que ele surtasse em um momento, no outro estava apoiando.
Os dois estavam saindo e antes de ir embora de vez o Namjoon voltou.
-Não esquece de arrumar essa porta, pra sua segurança.
Apenas confirmei e vi os dois saírem indo para o elevador, agora precisava me preocupar com outra coisa, o garoto que continuava no banho.
Passei rapidamente para ver se ele estava tranquilo e o que eu ouvi foi o barulho dele cantarolando, como não havia me incomodado apenas deixei ele ter o momento dele e fui até a cozinha.
Não sabia o que podia preparar, um jantar muito completo não me parecia uma boa ideia pois iria demorar, uma pizza até que seria bom mas demoraria muito também, acabei optando por fazer apenas um sanduíche bem reforçado, não sabia ao menos se ele estava com fome mas era a melhor opção.
Deixei tudo pronto em cima do balcão e não demorou muito para o mesmo aparecer onde eu estava arrumado e trocado, apenas com a toalha na cabeça
-Pode se sentar.
Falei apontando para a cadeira e o mesmo fez, começando a comer de forma tímida depois que eu disse.
Olhando melhor para ele conseguia prestar atenção nos pequenos detalhes que mão havia pegado mais cedo, por exemplo o seu cabelo era branco, o rosto mesmo era até que bonito e isso era meio inegável, até parecia uma outra pessoa sem as roupas sujas
-Se sente melhor?
-Sim obrigado pela roupa.
-Sei que fico um pouco grande mas era o que tinha.
-Tudo bem.
Assim que vi o mesmo terminar de comer percebi que ele parecia aliviado, o que me fez ficar com uma dúvida em minha cabeça.
-Por onde você andou depois que saiu daqui?
-Fiquei andando por aí.
-Não comeu nada depois do café da manhã?
Ele apenas negou, fazia sentido então ele parecer meio apático quando eu vi ele, provavelmente fome por não comer nada o dia inteiro.
-Vou no quarto pegar uma coisa e já volto, pode me esperar no sofá?
Ele acenou e foi para onde pedi enquanto eu passei no quarto peguei o kit de primeiro socorro, voltei para sala e me agachei até estar em sua frente.
Abri a caixa para pegar o que seria necessário e o ouvi a voz dele.
-O que vai fazer?
-Curativo em você, vai ajudar a melhorar seus ferimentos.
Olhei em seu corpo e vi alguns roxos em sua perna, onde passei primeiro antes de perguntar para ele.
-Se estiver machucando me avise.
Passei a pomada nas regiões em que os cortes estavam e olhei para sua coxa onde estava o corte.
-Esta doendo aqui?
Falei apontando para o local do corte, que parecia não ser tão grande.
-Um pouco.
Peguei o que era preciso e limpei o local ouvindo ele resmungar algumas vezes, passei pomada e coloquei um curativo.
-Pronto as pernas já tão bem, outro lugar mais?
Vi o mesmo parecer meio tímido, mas sabia que tinha em seu tronco pois o mesmo acabou passando a mão ali, até parecia querer esconder.
-Pode levantar, não precisa ficar assim, to te ajudando.
Ele ainda tímido acabou levantando a blusa mostrando os roxos que tinham, imaginava que deveria ser meio r**m ter a pele tão branca como a dele, qualquer coisinha já ficava a marca.
-Por que te machucaram tanto assim?
-Ninguém gosta de mim, algumas pessoas me veem apenas como uma ameaça, uma aberração.
-Como alguém que nem você poderia ser uma ameaça para alguém?
Assim que terminei de passar a pomada em seu tronco o mesmo abaixou a blusa.
-Tem gente que diz que eu sou uma aberração que não deveria ter existido, por isso mataram meus pais.
-Lamento ter conhecido pessoas de mentes tão pequenas.
Passei a pomada em seu rosto e prestei atenção em suas expressões para não acabar machucando ele.
-Por que você me ajudou?
Ele indagou e o encarei vendo que parecia confuso.
-Quando eu percebi que era você não achei certo te deixar lá, apenas senti que seria o melhor a se fazer.
O mesmo continuou calado e então reparei que ele ainda não havia retirado a toalha de sua cabeça.
-Por que não tira essa toalha da cabeça?
-Esse é o motivo de eu estar com ele, tenho medo do que você vai acabar pensando.
-Eu pareço tão m*l assim?
-Não, na verdade você é a pessoa mais legal que eu conheci em 15 anos, mas de qualquer maneira eu não sei como você iria reagir.
-Eu tenho 22 anos, cheguei num nível que nada mais me abala, tira logo isso.
Ele pareceu pensar um pouco enquanto me olhava e acabei sorrindo de canto, já estava pensando que não iria fazer, mas acabou me surpreendendo quando tirou a toalha da cabeça.
Eu arregalei os olhos não espantado, mas surpreso por ver como era lindo, seu cabelo era branco como sua pele, parecia transmitir paz e em cima de sua cabeça tinha duas orelhas de gato brancas igual seu cabelo.
-Você é um híbrido?
Ele acenou com a cabeça e eu acabei sorrindo involuntariamente pois aquilo havia realmente chamado minha atenção, ainda mais quando aquela cor de cabelo combinava bastante com ele.
-Agora eu entendo o porquê, nunca tinha conhecido outro além da minha mãe.
O mesmo pareceu meio confuso me olhando, acho que ele não esperava que minha reação fosse boa
-Não acha estranho?
-Por que seria? Híbridos são tão lindos, além disso minha mãe também é, eu deveria ser mas puxei mais genes pro lado do meu pai.
-Entendi.
-Acho que já está ficando tarde demais, melhor irmos dormir.
Arrumei a caixa de primeiros socorros e me levantei, ia seguir até meu quarto, esperava que ele me seguisse também mas ao menos se mexeu.
-Vem logo.
-Eu não acho que seja uma boa ideia, é melhor eu ir embora.
-Você vai ficar aqui essa noite, não vou deixar você fora tão tarde da noite.
-Mas eu já te incomodei demais, desde ontem sua vida deve estar uma bagunça por minha causa.
-Olha eu não n**o que tá muito estranha, mas você veio parar aqui e vai ser melhor assim, além disso não tem problema nenhum ficar, vamos conversar melhor amanhã sobre como posso te ajudar.
-Você já me ajudou demais.
Apenas sorri um pouco olhando para ele e o mesmo me seguiu em seguida, abri o quarto de hóspedes que estava arrumado, agradecia mentalmente por isso.
-Você pode dormir nesse quarto.
Falei mostrando tudo para ele.
-Obrigado de novo, Haebom.
-Tudo bem, pode ficar a vontade, qualquer coisa to no quarto ao lado, o banheiro você já sabe onde fica.
Sai do quarto deixando ele sozinho e entrei no meu, tomei um banho depois do meu longo dia e me deitei na cama um tempo depois.
Ainda não tinha a mínima ideia sobre o que iria fazer com o garoto, mas deixar ele voltar para a rua não era uma opção, precisava pensar no que poderia fazer.
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