Capítulo 10

1278 Palavras
Já haviam se passado alguns minutos desde que começara a fazer o chá quando decidiu ligar para Chris. - E você tá com medo de quê, exatamente? A voz entediada de seu melhor amigo soou do outro lado da linha. - De machucar ela, cara. O cheiro forte que vai ficar com ela aqui e meu cio... isso não vai prestar. Massageou a própria têmpora sentado sobre o balcão ao lado do fogão que ainda fazia o seu trabalho de ferver a água do chá. - Não creio que seu lobo vai optar pelos instintos quando se trata de Lia... Ponderou o alfa loiro, este que recolhia algumas roupas do varal escutando sua esposa cantarolar algumas coisas enquanto limpava os móveis da sala. Ela parecia mais feliz que o normal naquele dia. - Ele fez isso com Vivian. E isso porque somente eu estava no cio! Enfocou na parte de que não havia nenhum agravante na situação e mesmo assim seu lobo foi agressivo, então imagine com Lia vulnerável. Ele estava desesperado. - Poupe-me né, Ethan. Até um cego veria que seu lobo rejeita aquele mau caráter! Chris bateu com o cesto de roupas na mesinha de centro onde ele as separaria para dobrar e isso chamou a atenção de Diana que piscou atônita querendo entender a conversa. Ethan repetiu o ato sem saber, piscando paralisado para a geladeira em sua frente. - Então você acha que ele fez isso de propósito? Perguntou o moreno inocente como uma criancinha. Custava muito acreditar que seu lobo estava sabotando seu relacionamento com sua ex por todo esse tempo. - Não é óbvio?! Tenha santa paciência, Ethan. Como pode ser tão lerdo?! Exclamou o mais velho quase rindo da situação do alfa mais novo que engoliu a seco agora desligando o fogo da chaleira que havia começado a apitar. Ele queria acreditar em Chris, e optou por fazer isso naquele momento. - Tá doendo tanto, Johnny... eu não sei se vou conseguir me manter mais por tanto tempo... No banheiro de Ethan, com a porta trancada, Lia lamuriava em videochamada com seu melhor amigo após um bom banho frenético para tirar aquele cheiro de suor do dia inteiro. - E por que você está preocupada com isso? Já tá com o cara que vai resolver seus problemas! Só aproveita, gata. A expressão tranquila na face coberta por uma máscara facial de Johnny já revelava a maneira como o beta estava encarando aquela situação, totalmente alheio aos sentimentos de um cio por ser a casta privilegiada que não possuía aquilo. - Eu sei, Johnny, mas tá doendo demais. Isso é normal? Eu nunca me senti assim... Lia falava como uma leiga tirando dúvidas com seu médico, quando - em teoria - Johnny deveria saber menos ainda que ela quando se tratava daquele assunto. - Lia, você tomou supressores por muito tempo, sem contar que você finalmente achou teu soulmate, seu lobo tá doido pra procriar! Alegou o beta sacudindo as mãos empolgado e evitando grandes expressões por conta da máscara de argila que não podia craquelar. Lia revirou os olhos inúmeras vezes ao perceber que seu amigo estava mais uma vez entrando naqueles assuntos de almas gêmeas e toda aquela parafernalha exotérica dele. - Eu não quero procriar nada agora, okay?! Sem contar que... e se eu me descontrolar demais? A australiana queria morrer toda vez que se imaginava ultrapassando os limites e assustando Ethan por estar necessitado demais. - Tipo o quê? Seu cio vir antes e você pagar micão implorando para ele meter em você? Tão claro quanto a luz, o beta John indagou vendo seu amigo corar enquanto brincava com a barra daquela enorme blusa de Ethan em seu corpo. - Tipo isso, mas menos rude. Apontou a loira com uma careta. - Lia, isso definitivamente não vai acontecer. Do jeito que você disse que vocês são sincronizados... o cio dele vai vir junto com o seu. Tentou mais uma vez tranquilizar a amiga, mas já sabia que nada a deixaria tranquila até ele mesmo perceber que estava se preocupando atoa. - Duvido muito, Johnny. Ele tá super bem e eu... quero enfiar isso aqui bem dentro de você sabe onde! Lia mostrou um secador de cabelo e o movimentou para cima e para baixo fazendo seu amigo gargalhar alto e isso fez com que sua máscara rachasse todinha. A ômega riu também ao ouvir os xingamentos gritados de seu amigo que precisou lavar o rosto antes de continuar a chamada. - Bom, isso porque você ainda tá aqui gastando seu tempo comigo. Ele já deve estar pior nesse momento. Por fim, o beta respondeu com propriedade apontando e dizendo logo em seguida para Lia deixar de ser fresca e encarar a vida de frente. - Encarar a vida de frente? Céus, eu vou desmaiar... Ela quase chorava sentindo a dor intensificar ao se levantar e sentir todo aquele cheiro de canela do alfa a rodear naquele ambiente e quase a asfixiar com aquelas roupas. Tudo cheirava a Ethan e isso estava a deixando a apenas alguns passos da insanidade. Por isso saiu as pressas do banheiro procurando pelo alfa para que - mesmo que inconscientemente - sua presença o confortasse de alguma forma, e acabando por o encontrar ao passar em uma das portas e reconhecer como a cozinha do local. Ethan estava de costas para a porta, mexendo com algo sobre o balcão, mas o que chamou a atenção da ômega foram suas costas totalmente nuas. "Oh, Deus...onde foi parar essa bendita camisa logo agora?!" Ela se perguntava e a vontade de chorar de agonia era grande, pois isso apenas a fez imaginar seus dedos criando uma estampa nova na pele daquele local. Uh, sim, ela iria fazer isso muito em breve e isso o entorpecia. O que ele não sabia era que o calor para Ethan já estava tanto que ele estava em ponto de combustão, assim como tudo em seu corpo. E a única saída foi aquela, assim como o saco de gelo dentro de sua cueca, mas que a ômega até agora não tinha reparado. Mas foi só sentir a presença dela que Ethan retirou rapidamente aquilo dali e se virou para entregar o chá à ômega que se sentava calmamente em um dos banquinhos alí. - Você tem um corpo... bonito. Se sentiu corajosa ao perceber que tinha elogiado abertamente o alfa olhando para o dorso divinamente esculpido. Os músculos do abdômen, os oblíquos que expandiam e comprimiam com sua respiração pesada, o peitoral alto e definido... oh, uma obra de arte! Sem contar com aqueles braços bem desenhados, os trapézios altos e firmes, clavículas bem evidentes sobre o peito...droga, Ethan era...divino. - Obrigado. O alfa parecia envergonhado, a ponto de levar uma das mãos até o seu peito rindo de si mesmo, ato esse que foi notado pela ômega que dava pequenos goles naquele líquido quentinho de sua caneca. - O que foi? Indagou curioso. - Sei lá, é estranho porque... Ethan deu de ombros procurando a melhor forma de explicar o que sentia viajando com seus olhos por todo o local e depois voltando a analisá-la. - Eu sempre ouço esse tipo de elogio na academia ou em outro lugar e nunca sinto nada além de uma breve felicidade boba. Explicou com medo de ser m*l interpretado, mas se sentiu seguro ao ver a expressão compreensiva dela. - Mas com você dizendo isso eu realmente senti meu coração acelerar. Ele riu bobo passando a mão pelo próprio peito se lembrando da sensação de salto que seu coração agora estava se habituando a lhe dar toda vez que Lia abria a boca.
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