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Um dia, uma senhora estava passeando pelo centro da cidade quando, de repente, começou a passar m*l e caiu no chão.
Uma jovem que passava por ali parou imediatamente.
— Senhora, a senhora precisa de ajuda?
A idosa, com a respiração fraca, respondeu com dificuldade:
— Meu neto… meu neto…
A jovem rapidamente pegou a bolsa dela, procurando alguma identificação. Encontrou um cartão.
— Esse cartão aqui, senhora?
— Sim… sim… — ela sussurrou. — Ligue para ele… Mr. Brown.
Sem perder tempo, a jovem discou o número. No segundo toque, a ligação foi atendida.
— Alô?
— Boa tarde… o senhor é o Mr. Brown?
— Sim. Quem fala?
— Uma senhora passou m*l aqui no centro. Ela disse que é sua avó. Estou ligando porque ela pediu.
— Onde vocês estão?
— No centro da cidade, em frente ao Banco Esmeralda.
— Estou indo agora. Cuide dela, por favor.
— Tudo bem, senhor.
A ligação foi encerrada.
A jovem se virou para a senhora e disse com calma:
— Seu neto já está a caminho. Vai ficar tudo bem, tá?
— Obrigada, minha querida…
Ela então se sentou ao lado da idosa, segurando sua mão enquanto aguardavam.
Poucos minutos depois, um carro de luxo parou bruscamente ao lado da calçada.
Um homem alto, elegante e visivelmente preocupado desceu rapidamente, acompanhado de um segurança.
— Você é a menina que ligou?
— Sou sim, senhor.
— Como minha avó está?
— Ela não está muito bem… estava passando m*l, mas agora está mais calma.
— Obrigado por ter cuidado dela.
A jovem sorriu de leve.
— Eu só fiz o que era certo.
— Qual é o seu nome?
Ela hesitou um pouco.
— Linda.
Ele repetiu, surpreso:
— Linda?
Ela assentiu, tímida.
— É… coisa da minha mãe. Mas se achar estranho, pode me chamar pelo sobrenome… Almeida.
Ele soltou um leve sorriso.
— Entendi. Obrigado, Linda, por cuidar da minha avó.
Ela apenas assentiu e deu um passo para se afastar, pronta para ir embora.
Mas antes que pudesse sair, a avó dele, ainda fraca, segurou a mão do neto e disse:
— Vocês formam um casal muito bonito… casa com ela, meu neto.
— Hã? — Linda arregalou os olhos. — Senhora?
— Vó, por favor… — ele tentou interromper.
Mas a idosa continuou, firme apesar da fraqueza:
— Eu tô morrendo, mas antes quero ver você casado com uma moça de bom coração. A única pessoa que me ajudou foi ela. Casa com ela, meu filho.
O silêncio ficou pesado por alguns segundos.
Então ele respirou fundo, olhou para Linda e disse:
— Linda… você casa comigo?
Ela ficou completamente sem reação.
— Eu… tá? Eu caso…
Ele assentiu rapidamente, ainda tentando controlar a situação.
— Vó, primeiro vamos levar a senhora ao hospital. Se estiver tudo bem, depois resolvemos isso direito no cartório. A senhora vai junto, tá bom?
— Tá bom, meu filho…
Linda entrou no carro ainda em choque, tentando entender como tudo tinha acontecido tão rápido.
Ele era um homem claramente bem-sucedido, alto, forte, de presença marcante. E ela… uma jovem ruiva de olhos azuis, delicada, bonita, ainda sem acreditar no que acabara de aceitar.
E assim, eles seguiram rumo ao hospital, enquanto o destino começava a se desenhar de forma inesperada.
O carro seguia em alta velocidade pelas ruas do centro, o silêncio dentro dele era pesado, quase sufocante.
Linda mantinha as mãos juntas no colo, o olhar perdido pela janela, tentando entender em que momento a vida tinha virado aquilo. Ao lado, ele dirigia com firmeza, os olhos fixos na estrada, mas a tensão no maxilar denunciava o quanto estava preocupado. No banco de trás, a avó dele respirava com dificuldade, já mais estável, mas ainda frágil.
— Você trabalha com o quê? — ele perguntou de repente, sem desviar totalmente a atenção da estrada.
Linda demorou um segundo, como se organizasse os próprios pensamentos.
— Eu sou modelo, dançarina e faço faculdade de moda.
Ele assentiu devagar, como se estivesse avaliando cada palavra.
— Que tipo de modelo? E que tipo de dançarina?
Ela virou o rosto para ele, um pouco surpresa com a pergunta direta, mas respondeu com calma:
— Eu sou modelo de rosto… faço campanhas de joias, perfumes, essas coisas. Às vezes aparece campanha de roupa também, biquíni no máximo… nada explícito, nada disso.
Ela respirou fundo e continuou:
— E dançarina… eu me apresento em grupos de dança, faço performances. Também sou coreógrafa.
O silêncio voltou por alguns segundos.
Ele finalmente olhou pra ela de verdade, rápido, mas intenso, como se aquela resposta tivesse mudado alguma coisa no jeito que ele a enxergava.
Linda desviou o olhar de leve, incomodada com a intensidade daquele olhar, e completou:
— E eu também faço faculdade de moda… eu gosto muito dessa área, moda e arte fazem parte de mim.
Ele não respondeu imediatamente.
Só voltou os olhos para a estrada, mas agora parecia mais pensativo.
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No hospital, o clima era diferente, mais frio, mais real.
A avó dele já estava no quarto, deitada, ainda cansada, mas consciente. Ele estava de pé ao lado da cama, braços cruzados, enquanto Linda permanecia um pouco mais afastada, como se ainda não pertencesse àquele espaço.
O silêncio entre eles foi quebrado pela própria insegurança dela.
Ela deu um passo à frente, respirou fundo e falou, direta, sem rodeios:
— Senhor… eu não te conheço. Não sei quem você é.
Ela o encarou firme agora.
— Não pensa que eu tô aceitando essa maluquice por dinheiro, tá? Eu tenho meu trabalho, eu me viro sozinha.
Um segundo de pausa.
— Se for pra ajudar sua avó… a gente pode fazer só uma aparência mesmo, algo pra família, pra ela ficar tranquila. Mas isso aqui não muda quem eu sou.
O olhar dele ficou fixo nela.
Intenso. Silencioso.
E por alguns segundos, o quarto pareceu menor do que realmente era.