Na manhã seguinte, Aurora ainda estava dormindo quando o celular começou a tocar sobre a mesinha ao lado do sofá.
Ela abriu os olhos devagar, ainda sonolenta, e pegou o aparelho.
O nome de Jonas apareceu na tela.
Aurora atendeu.
— Alô?
— Bom dia, esposa — disse a voz dele do outro lado da linha.
Ela não conseguiu impedir o sorriso que surgiu imediatamente.
— Bom dia, maridinho.
— Me passa seu endereço. Vou te buscar. Vamos comprar umas coisas antes da viagem, tá?
Aurora se sentou no sofá, ajeitando o cabelo bagunçado.
— Não precisa, Jonas.
— Precisa, sim.
Ela soltou uma pequena risada.
— Tá bom, então.
Aurora enviou o endereço e completou:
— Vou tomar banho e me arrumar.
— Certo. Em vinte minutos estou aí.
E desligou a ligação.
Aurora olhou para o celular por alguns segundos.
— Vinte minutos? — murmurou. — Esse homem é impossível.
Ela se levantou rapidamente.
Preparou um café, colocou comida para a gatinha e tomou um banho demorado. Depois escolheu um vestido leve e bonito, arrumou os cachos com cuidado e organizou a pequena bagunça da sala.
O apartamento era simples e pequeno, mas aconchegante e muito bem cuidado.
Quando terminou, sentou-se para esperar.
Pouco tempo depois, o interfone tocou.
— Dona Aurora, tem um senhor aqui para subir — informou o porteiro.
— Pode deixar subir.
Ela respirou fundo.
Alguns minutos depois, ouviu batidas na porta.
Aurora abriu.
Jonas estava parado ali, vestindo roupas casuais, muito diferente do homem impecável do altar no dia anterior.
Os olhos dele passaram rapidamente por ela antes de surgir um pequeno sorriso.
— Bom dia, esposa que aparece e some mais rápido ainda.
Aurora riu.
— Bom dia, maridinho insistente. Pode entrar.
Jonas entrou no apartamento e observou discretamente o ambiente.
Era pequeno.
Simples.
Mas extremamente organizado.
Antes que pudesse comentar qualquer coisa, uma gatinha apareceu andando na direção dele.
Ela esfregou a cabeça na perna dele, curiosa.
Jonas abaixou imediatamente para fazer carinho.
— Ela é fofa.
Aurora sorriu.
— Você gosta de animais?
Ele levantou os olhos para ela.
— Digamos que sou veterinário.
— Sério? — perguntou ela, surpresa.
Jonas riu diante da expressão dela.
— Sim. Sou cirurgião também.
Aurora ficou olhando para ele por alguns segundos antes de sorrir.
— Então, senhor doutor, eu fiz café. Você aceita?
— Aceito.
Ela indicou a pequena mesa da cozinha.
Os dois se sentaram um de frente para o outro.
Aurora serviu café fresco, pão, frutas e alguns acompanhamentos simples.
Jonas observou tudo.
— Você fez isso tudo em vinte minutos?
— Quem cresceu no campo aprende a fazer muita coisa rápido — respondeu ela, servindo o café dele.
Ele levou a xícara aos lábios e tomou um gole.
Depois a encarou.
— Está muito bom.
Aurora sorriu, satisfeita.
— Obrigada.
O silêncio que se instalou não era desconfortável.
Pela primeira vez, eles estavam sozinhos de verdade.
Sem igreja lotada.
Sem convidados.
Sem fotógrafos.
Sem olhares curiosos.
Só Jonas, Aurora, uma gatinha insistindo em receber carinho e um café da manhã compartilhado na pequena cozinha de um apartamento simples.
Jonas olhou ao redor mais uma vez.
Depois voltou a atenção para ela.
— Então... você realmente entrou numa igreja para se casar com um desconhecido.
Aurora levou a xícara aos lábios antes de responder.
— E você realmente aceitou se casar com a primeira mulher que apareceu para te salvar.
Jonas soltou uma risada baixa.
— Quando você coloca dessa forma, parece que nós dois temos sérios problemas de julgamento.
Aurora começou a rir também.
— Talvez.
Os olhos deles se encontraram por alguns segundos.
Então Jonas apoiou os braços sobre a mesa e perguntou:
— Aurora... por que alguém tão gentil mora sozinha numa cidade onde conhece tão pouca gente?
Ela ficou em silêncio por um instante, mexendo distraidamente na própria xícara.
Depois ergueu os olhos para ele.
— Acho que essa é uma história longa, maridinho.
Jonas sustentou o olhar dela e abriu um pequeno sorriso.
— Ainda bem.
— Por quê? — perguntou Aurora.
Ele pegou a xícara novamente.
— Porque temos uma semana inteira de lua de mel para eu ouvir cada pedaço dela.
Depois do café da manhã, Aurora colocou algumas coisas na bolsa, verificou se a gatinha tinha comida suficiente e deixou tudo organizado.
Jonas observava em silêncio.
— Tem alguém que possa ficar de olho nela? — perguntou.
Aurora assentiu.
— Minha vizinha gosta dela. Já conversei com ela. Vai passar aqui todos os dias.
— Então estamos resolvidos.
Ela pegou a bolsa e respirou fundo.
— Ainda não acredito que estou indo para uma lua de mel com um homem que conheço há menos de vinte e quatro horas.
Jonas abriu a porta do apartamento.
— Tecnicamente, você se casou com ele primeiro.
Aurora riu.
— Você adora lembrar esse detalhe.
— Porque ainda parece absurdo.
Ela passou por ele.
— Concordo.
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Algum tempo depois, os dois entraram em um shopping.
Aurora parou logo na entrada, observando as vitrines enormes e as lojas sofisticadas.
Jonas percebeu.
— O que foi?
Ela mexeu na alça da bolsa.
— Nada.
Ele esperou.
Aurora desviou o olhar.
— Eu só... não costumo vir em lugares assim.
Jonas olhou para ela.
— Você está desconfortável.
Ela soltou uma risadinha sem graça.
— Um pouco.
Diferente da mulher que entrou sozinha em uma igreja para salvar um desconhecido, naquele momento Aurora parecia tímida.
Os dedos apertavam a alça da bolsa enquanto ela observava mulheres elegantes entrando e saindo das lojas.
— Eu não sei escolher essas coisas — confessou baixinho. — No campo era tudo mais simples.
Jonas ficou alguns segundos em silêncio.
Depois estendeu a mão.
— Então vem comigo.
Aurora olhou para a mão dele.
— Você está me dando a mão?
— Você entrou numa igreja lotada para me salvar. Acho que posso te ajudar a comprar roupas para uma viagem.
Ela acabou sorrindo.
— Quando você fala assim, parece justo.
Aurora colocou a mão na dele.
Os dedos dela eram pequenos e quentes.
Jonas não comentou, mas também não soltou.
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Na primeira loja, Aurora parecia completamente perdida.
Uma vendedora se aproximou sorridente.
— Estão procurando algo específico?
Antes que Jonas respondesse, Aurora falou rapidamente:
— Qualquer coisa simples está ótimo.
A vendedora lançou um olhar discreto para a aliança nos dedos dos dois.
— Lua de mel?
Aurora ficou vermelha na mesma hora.
— É...
Jonas olhou para ela.
— Sim. Nossa lua de mel.
A vendedora abriu um sorriso animado.
— Então precisamos escolher peças especiais.
Aurora parecia querer desaparecer.
— Não precisa ser nada muito...
— Especial? — completou Jonas.
Ela assentiu rapidamente.
— Exatamente.
Ele olhou para a vendedora.
— Ela quer conforto.
Depois olhou para Aurora.
— E algo bonito.
Aurora baixou os olhos.
— Você acha?
— Eu tenho certeza.
A resposta veio tão naturalmente que ela ficou sem reação.
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Algum tempo depois, Aurora saiu do provador usando um vestido azul-claro.
Ela segurava a barra do vestido com nervosismo.
— Ficou estranho?
Jonas levantou os olhos do celular.
E ficou em silêncio.
Aurora mexeu nos cachos.
— Jonas?
Ele piscou algumas vezes.
— Não ficou estranho.
— Ficou bom?
Ele levantou da poltrona onde estava sentado.
— Aurora...
Ela ergueu os olhos para ele.
— Você é bonita. O vestido só destacou isso.
As bochechas dela ficaram vermelhas imediatamente.
— Você fala essas coisas muito sério.
— Porque estou falando sério.
Ela desviou o olhar, sem saber o que responder.
A vendedora sorriu discretamente.
— Seu marido tem bom gosto.
Aurora olhou para Jonas.
Depois para a aliança.
E soltou uma risada nervosa.
— Ainda estou me acostumando com essa parte do "marido".
Jonas se aproximou.
— Eu também.
Mas, em vez de parecer desconfortável, havia um carinho inesperado na voz dele.
Aurora sorriu sem perceber.
E, pela primeira vez naquela manhã, deixou Jonas escolher alguns vestidos leves, um casaco para o frio da noite e até um biquíni.
Quando a vendedora mostrou a última peça, Aurora arregalou os olhos.
— Isso é pequeno demais!
Jonas tentou manter a expressão séria.
— Achei que era assim que funcionavam os biquínis.
Aurora levou a mão ao rosto.
— Maridinho!
Ele finalmente riu.
Uma risada genuína, leve e despreocupada.
E Aurora percebeu que gostava daquele som muito mais do que deveria.
Enquanto saíam da loja carregando algumas sacolas, ela olhou para ele.
— Você está feliz?
Jonas diminuiu o passo.
Pensou na noiva que o abandonou no altar.
No vazio que tinha sentido no dia anterior.
E depois olhou para Aurora, segurando sacolas demais e reclamando baixinho do biquíni escolhido.
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios dele.
— Pela primeira vez desde ontem...
Ele entrelaçou os dedos nos dela.
— Eu acho que estou.