Não demorou muito para os outros integrantes começarem a chegar.
O primeiro carro parou diante do galpão.
Antônio desceu.
Irmão de Stella, 36 anos, alto, forte e com aquele sorriso de quem estava sempre prestes a provocar alguém. Assim que entrou, olhou para a irmã e abriu os braços.
— Olha só quem resolveu aparecer.
Stella revirou os olhos.
— Não começa, Antônio.
— Eu nem falei nada.
— Mas eu conheço essa sua cara.
— E eu conheço a sua.
Ele riu e foi abraçá-la.
Logo atrás dele apareceu Jéssica.
Aos 34 anos, irmã de Look, ela tinha uma aparência completamente diferente da do irmão. Enquanto ele carregava uma presença assustadora, Jéssica tinha um jeito mais elegante e tranquilo, mas aquele olhar deixava claro que ela não era nem um pouco inocente.
Ela carregava uma mochila cheia de equipamentos.
— Desculpa a demora, galera.
Felipe olhou para o relógio.
— Vocês demoraram pra c*****o.
Antônio apontou para ele.
— Pegamos trânsito, irmão.
— Trânsito?
— Rio de Janeiro, Felipe. Quer que eu faça o quê? Voe?
— Você podia ter roubado um helicóptero.
Jéssica soltou uma gargalhada.
— E depois vocês reclamariam que eu tenho que apagar as câmeras da cidade inteira.
— Exatamente — Felipe respondeu.
Outro carro chegou.
Fernanda saiu primeiro.
Ela tinha aquele jeito firme de quem sabia exatamente onde estava se metendo. Não precisava levantar a voz para chamar atenção. Bastava olhar.
Rafael saiu logo depois dela.
Ele cumprimentou todo mundo e entrou no galpão.
— E aí?
— Até que enfim — Raul respondeu.
Rafael olhou ao redor.
— Então é verdade?
— O quê? — perguntou Chacal.
— A proposta.
Ele colocou as mãos nos bolsos.
— Vinte e cinco milhões para cada um?
O silêncio durou dois segundos.
Felipe abriu um sorriso.
— Agora sim você chegou na parte boa.
Rafael olhou para Stella.
— Tudo indica que sim.
— O dinheiro já foi depositado — ela respondeu.
Fernanda arregalou os olhos.
— Vinte e cinco milhões?
— Para cada um.
Antônio assobiou.
— Essa missão tá cheirando a coisa grande.
Rafael imediatamente ficou sério.
— Mas como conseguiram contato só com você, Stella?
Os sete homens se entreolharam.
Raul respondeu:
— Nós acabamos de fazer exatamente a mesma pergunta.
Rafael franziu a testa.
— Não. Porque o meu contato continua ativo.
Jéssica assentiu.
— O meu também.
— O meu — disse Chacal.
— O meu — completou Dragon.
Um por um, os outros confirmaram.
Stella ficou em silêncio.
Depois tirou o celular do bolso.
— Esse foi o aparelho pelo qual entraram em contato comigo.
Jéssica imediatamente se aproximou.
— Posso?
Stella entregou o aparelho.
Jéssica começou a analisar.
— Estranho.
— O quê? — perguntou Antônio.
— A mensagem realmente chegou. Não parece falsificação.
Rafael olhou novamente para Stella.
— Então explica.
Stella respirou fundo.
— Uma manhã, simplesmente apareceu uma mensagem.
Todos ficaram atentos.
— Eu respondi. Entrei em contato com o número. A pessoa passou um endereço. Eu fui até lá.
Derrick estreitou os olhos.
— Quem estava lá?
Stella demorou alguns segundos.
— Um dos nossos antigos parceiros.
O rosto de Derrick mudou.
— Quem?
— José.
Derrick imediatamente endireitou o corpo.
— José Matos?
— Ele.
— Porra...
Derrick passou a mão pela nuca.
— Mas por que ele entrou em contato com você?
Stella olhou para ele.
— Porque foi comigo que ele conseguiu contato.
— Não estou falando disso.
Derrick deu um passo à frente.
— Estou perguntando por que, depois de tantos anos, esse filho da p**a resolveu aparecer justamente agora.
Stella ficou quieta.
Derrick continuou:
— Stella, a gente trabalhou com o José bem no começo.
— Eu sei.
— Quando você era bem mais nova.
Ela assentiu.
— Exatamente.
Derrick apontou para si mesmo.
— Quando eu comecei a namorar você, você tinha dezessete anos. Eu apresentei o José para você. A gente fez várias missões com aquele homem.
— Até você ter mais ou menos vinte e dois — completou Raul.
— Isso.
Derrick olhou para o restante do grupo.
— Depois disso, José simplesmente sumiu do mapa.
Look cruzou os braços.
— Cinco anos.
— Exatamente.
Derrick voltou a encarar Stella.
— E agora, com você aos vinte e nove, ele reaparece e entra em contato justamente com você?
Stella respirou fundo.
— Eu já disse. Não sei por quê.
— Você perguntou?
— Perguntei.
— E ele respondeu?
— Não.
— Então isso é uma merda.
— Eu também achei.
Raul se aproximou da mesa.
— O que exatamente ele disse?
Stella abriu a pasta.
— Que queria reunir a equipe novamente. Que existia um trabalho grande. Que cada integrante receberia vinte e cinco milhões. Ele entregou o primeiro pagamento, disponibilizou o galpão, os veículos, alimentos, equipamentos e deixou essas instruções.
Jéssica devolveu o celular.
— E não deixou nenhuma informação sobre o contratante?
— Nada.
Dragon ficou pensativo.
— Então ele quer a equipe reunida, mas não quer dizer para quem estamos trabalhando.
— Exatamente — Stella respondeu.
Look deu uma risada seca.
— Não gostei.
— Nem eu — disse Raul.
Derrick bateu a mão na mesa.
— Isso tá errado pra c*****o.
Stella olhou para ele.
— Eu sabia que você ia dizer isso.
— Porque está.
Ele apontou para o mapa.
— José conhece a nossa equipe. Conhece nossos métodos. Conhece nossas fraquezas. Conhece você.
O olhar de Stella ficou sério.
— Eu sei.
— Então não vamos entrar numa missão sem saber quem está por trás.
Look finalmente falou:
— Não vamos.
Todos olharam para ele.
O homem se aproximou da mesa e colocou as duas mãos sobre ela.
— Temos duas missões agora.
Felipe levantou uma sobrancelha.
— Duas?
— A primeira é organizar nossa própria casa.
Look apontou para as caixas espalhadas pelo galpão.
— Vamos catar tudo que tem aqui. Armamentos, equipamentos, munição, alimentos, documentos, tecnologia, combustível. Tudo.
Tejir assentiu.
— Eu faço o inventário.
— Eu verifico os veículos — Derrick falou imediatamente.
— Eu vou checar os acessos e a segurança — Raul acrescentou.
Chacal apontou para as armas.
— Eu cuido dessa parte.
Jéssica levantou a mão.
— Eu fico com os sistemas.
Look assentiu.
— E depois vamos levar tudo para o nosso antigo galpão.
Stella olhou para ele.
— Você está pensando naquele lugar?
— Estou.
Raul concordou.
— Está desativado há um ano.
— Justamente.
Dragon entendeu.
— Ninguém espera que a gente volte para lá.
Look assentiu.
— É um lugar que só nós conhecemos. Não aparece ligado às nossas atividades atuais e, principalmente, não foi usado durante esse último ano.
Antônio sorriu de lado.
— Então vamos voltar para casa.
Derrick pegou as chaves de um dos veículos.
— Melhor ideia que tivemos hoje.
Stella ficou observando todos se movimentarem.
Era estranho.
Um ano atrás, ela tinha deixado aquela equipe.
Agora estavam todos novamente ali.
Exatamente como antes.
Brigando.
Provocando.
Planejando.
Funcionando como uma máquina.
Só que havia uma diferença.
Stella sabia que, quando voltasse para aquele antigo galpão, lembranças que ela tinha passado um ano inteiro tentando enterrar provavelmente voltariam.
E ela não estava pronta para isso.
Look continuou:
— Segunda missão: descobrir tudo sobre José Matos.
Rafael assentiu.
— Quem ele encontrou.
Jéssica completou:
— De onde veio o dinheiro.
Tejir:
— Quem autorizou os depósitos.
Dragon:
— Quem está por trás da contratação.
Raul:
— E por que precisavam especificamente da nossa equipe.
Derrick olhou para Stella.
— E, principalmente...
Ele fez uma pausa.
— Por que você?
Stella sustentou o olhar dele.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Então ela deu aquele sorriso provocador que todos conheciam tão bem.
— Descubram.
Felipe soltou uma gargalhada.
— Ah, não. Ela voltou mesmo.
Stella pegou a jaqueta de couro que tinha deixado sobre a cadeira.
— Vamos trabalhar, seus desgraçados.
Derrick sorriu.
— Agora eu reconheci minha mulher.
— Ex-mulher — ela provocou.
O sorriso dele desapareceu.
— Não começa.
Stella riu.
— Velhos costumes.
— Alguns costumes não mudam — ele murmurou.
Ela passou por ele sem responder.
Mas o sorriso no canto da boca entregou tudo.
A equipe estava reunida novamente.
E, pela primeira vez em um ano, os sete homens estavam diante dela.
Sem saber que o maior segredo daquela mulher não estava escondido naquele galpão.
Estava muito longe dali.
Esperando por ela.
E, cedo ou tarde, ela teria que voltar para buscar aquilo que havia deixado para trás.