Pré-visualização gratuita Capítulo 1 — O Retorno
O galpão estava praticamente vazio quando os primeiros carros começaram a chegar.
Um depois do outro.
Sem sirenes.
Sem chamar atenção.
Sem placas que pudessem ser facilmente identificadas.
A antiga equipe estava voltando a se reunir.
Derrick foi o primeiro a sair do carro. Alto, forte, musculoso, cabeça raspada e uma expressão que parecia avisar ao mundo inteiro que ele não estava ali para brincar. Usava uma camiseta escura apertada nos braços, calça jeans, botas pesadas e um cordão grosso de prata no pescoço.
Raul apareceu logo depois.
Camisa social escura, mangas dobradas até os antebraços, calça preta e relógio no pulso. Era o mais discreto na aparência, mas carregava aquele olhar de ex-agente que parecia analisar tudo ao redor antes mesmo de dar o primeiro passo.
Dragon saiu de um carro preto.
O cabelo escuro, comprido e cacheado caía até os ombros. As laterais estavam discretamente aparadas, e alguns fios estavam presos para trás. Usava camiseta preta, calça cargo e tênis. Os olhos percorriam o galpão como se estivesse decorando cada câmera, porta e possível rota de fuga.
Felipe chegou fazendo barulho.
— Se essa merda toda for uma armadilha, eu quero deixar registrado que fui obrigado a vir.
Chacal olhou para ele.
— Ninguém te obrigou.
— A recompensa foi praticamente uma ameaça.
— Vinte milhões não são ameaça.
— Para mim são.
Chacal soltou uma risada curta.
O homem era enorme, ruivo, com barba bem cuidada e olhos atentos. Vestia uma camiseta clara, calça escura e botas. O antigo militar tinha aquela postura que fazia qualquer um perceber que ele estava acostumado a estar armado.
Look foi o próximo.
Silêncio.
Ele simplesmente desceu do carro.
Alto demais.
Largo demais.
Tranças longas caindo pelas costas, laterais da cabeça raspadas e uma expressão tão fechada que Felipe imediatamente comentou:
— Aí. Chegou o homem que assusta até boleto.
Look lançou um olhar para ele.
— Quer apanhar?
— Não.
— Então cala a boca.
— Tá vendo? É por isso que eu digo.
Dragon riu.
Por último, Tejir apareceu com uma mochila nas costas, óculos escuros e uma expressão tranquila demais para alguém que provavelmente já tinha invadido meia dúzia de sistemas antes mesmo de chegar.
— Câmeras externas estão limpas — informou.
Raul arqueou uma sobrancelha.
— Você acabou de chegar.
— E?
— Você é doente.
— Obrigado.
Os sete ficaram espalhados pelo galpão.
E então ouviram o som de um carro chegando.
O ambiente mudou.
Derrick parou de falar.
Raul virou o rosto.
Dragon tirou os olhos do computador.
Felipe ficou quieto.
Chacal cruzou os braços.
Look simplesmente congelou.
Tejir levantou a cabeça.
A porta do carro se abriu.
E Stella apareceu.
Cabelos pretos, lisos e soltos caindo pelas costas.
Pele clara.
Olhos cor de mel.
Corpo magro, definido e impecável.
Calça de couro preta.
Bota.
Cropped escuro deixando a barriga à mostra.
Jaqueta de couro por cima.
Alguns acessórios prateados completavam o visual.
Ela fechou a porta do carro com calma.
Colocou os óculos escuros sobre a cabeça.
E olhou para os sete.
Um sorriso apareceu.
— Tudo bom, rapazes?
Silêncio.
Stella quase riu.
Derrick foi o primeiro a falar.
— Um ano.
Ela inclinou a cabeça.
— Hm?
— Um ano que a gente não sabe absolutamente nada de você.
Raul deu um passo à frente.
— Você simplesmente desapareceu.
— Se enfiou numa toca de não sei onde — completou Felipe.
Stella soltou uma risadinha.
— Vocês deveriam se acostumar, né?
Derrick passou a mão pela cabeça raspada, já irritado.
— Uma hora você vai me enlouquecer, sabia, mulher?
Ela abriu um sorriso provocador.
— Ah, para.
Stella caminhou na direção deles.
— Você deve ter comido meio mundo enquanto eu estava desaparecida. Pode confessar. Só de raiva.
Felipe começou a rir.
— Eu sabia que ela ia perguntar isso.
Stella apontou para os sete.
— Você, ele, ele, ele, ele, ele e ele. Aposto que passaram rodo geral enquanto eu estava fora.
Derrick soltou uma gargalhada.
Chacal balançou a cabeça.
Dragon riu.
Até Look deixou escapar um sorriso.
Raul cruzou os braços.
— Seu sujeito clássico de perguntar se a gente teve alguém...
— Exatamente.
— ...enquanto você resolveu sumir da nossa vida?
Stella fez uma expressão inocente.
— Mais ou menos isso.
— Você é f**a.
Ela começou a gargalhar.
— Não mudei nada.
— Isso é justamente o problema — Derrick respondeu.
Ele se aproximou.
Por alguns segundos, os dois apenas ficaram se encarando.
Um ano.
Um ano inteiro sem aquela mulher.
Então Derrick puxou Stella para um abraço apertado.
Ela riu contra o peito dele.
— Sentiu saudade, velho?
— Cala a boca.
— Sentiu.
— Muita.
Stella sorriu.
Raul se aproximou em seguida e abraçou a cintura dela.
— Você continua sendo uma desgraçada.
— Obrigada.
— Não foi elogio.
— Eu sei.
Dragon chegou logo depois, envolvendo-a em um abraço.
Felipe entrou no meio.
— Sai, sai, minha vez.
— Felipe!
— Um ano, princesa!
Ele roubou um beijo rápido na bochecha dela.
Stella arregalou os olhos.
— Ei!
Felipe riu.
— Velho costume.
Chacal aproximou-se e beijou a testa dela.
— Certos costumes não mudam.
Stella respirou fundo.
— Vocês são impossíveis.
Look veio por último.
Ele parou diante dela.
Stella ergueu o rosto.
— Oi, grandão.
— Oi.
— Só isso?
Look a puxou para um abraço.
— Você demorou.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Eu sei.
Tejir observou a cena e soltou:
— Eu também quero meu abraço antes que esses animais monopolizem.
Stella abriu os braços.
— Vem cá.
Ele a abraçou.
Por alguns segundos, os oito ficaram juntos.
Era estranho.
Era familiar.
E, apesar de todas as brigas, ameaças e loucuras...
Era como voltar para casa.
Mas ninguém ali sabia que Stella tinha deixado muito mais do que lembranças para trás.
Muito menos que, durante aquele ano longe deles, existiam pequenas vidas que carregavam o sangue de cada um daqueles homens.
Stella se afastou.
— Chega de sentimentalismo.
Derrick soltou uma risada.
— Aí está a Stella que eu conheço.
— Vamos trabalhar.
Todos começaram a se espalhar pela mesa central do galpão.
Havia mapas, computadores, documentos e algumas fotografias impressas.
Raul pegou uma delas.
— Certo. Agora vamos ao que interessa.
Stella apoiou as mãos na mesa.
— Essa missão veio de um contato antigo nosso.
Dragon estreitou os olhos.
— Quem?
— Um contato que já trabalhou com a equipe antes. Não vou dizer que confio cem por cento nele.
Look encarou-a.
— Então por que aceitou?
— Porque o pagamento é real.
Tejir ergueu os olhos do computador.
— Quanto?
— Vinte milhões para cada um.
Felipe quase engasgou.
— Eu retiro tudo que falei. Eu amo essa missão.
Chacal riu.
Raul, entretanto, continuou sério.
— E por que conseguiram contato justamente com você?
Stella deu de ombros.
— Não sei.
— Seu contato estava ativo?
— Estava.
— O nosso também.
Dragon franziu a testa.
— Então alguém teve acesso à nossa rede antiga.
Tejir imediatamente começou a digitar.
— Vou descobrir.
Stella apontou para ele.
— É exatamente por isso que você está aqui.
— Finalmente alguém reconhece meu talento.
— Não se empolga.
Felipe riu.
Raul voltou ao assunto.
— E nossos celulares? Foram reativados?
— Não.
— Então como chegaram até você?
Stella levantou as mãos.
— Não sei, ué. O celular de vocês não está desativado, não?
— Está — respondeu Chacal.
— Então pronto. Não faço ideia.
Ela abriu uma pasta sobre a mesa.
— O importante é que eu recebi a missão para reunir o grupo. O dinheiro já foi depositado.
Felipe arregalou os olhos.
— Já?
— Já.
— Eu gostei dessa gente.
Raul ignorou.
— E o galpão?
Stella apontou ao redor.
— Também é nosso durante a missão. Tem comida e suprimentos para alguns meses.
Dragon olhou para as caixas empilhadas.
— Combustível?
— Também.
Chacal perguntou:
— Armamento?
Stella abriu outra porta.
O homem olhou para dentro.
— c*****o.
Felipe apareceu atrás dele.
— Tem bastante?
— O suficiente.
— Então eu definitivamente gostei dessa missão.
Look examinou o espaço.
— E carros?
Stella apontou para a parte dos fundos.
— Quatro veículos disponíveis.
Derrick imediatamente virou a cabeça.
— Quatro?
— Sim.
— Posso ver?
— Depois.
— Stella.
— Depois, Derrick.
Ele resmungou.
Raul continuou:
— E se acharmos esse lugar suspeito?
— A gente troca.
Ela cruzou os braços.
— Se vocês não acharem esse galpão protegido o suficiente, arrumamos outro. Não vou colocar ninguém em risco por causa de um endereço.
Raul assentiu.
— Certo.
Stella pegou o mapa.
— Agora vamos trabalhar.
Os sete se aproximaram.
A brincadeira acabou.
O sorriso desapareceu do rosto de Stella.
Ela apontou para uma área marcada em vermelho.
— Nosso alvo começa aqui.
Dragon observou o mapa.
— Quantos homens?
— Ainda não sabemos.
Chacal estreitou os olhos.
— Então essa é a primeira coisa que precisamos descobrir.
Tejir já estava digitando.
— Eu consigo rastrear movimentações na região.
Raul puxou uma cadeira.
— E eu vou descobrir quem está financiando tudo isso.
Derrick bateu os dedos sobre a mesa.
— E se alguém estiver esperando a gente?
Look respondeu friamente:
— Então vai esperar a equipe errada.
Stella olhou para os sete.
Um sorriso lento apareceu.
— Agora vocês estão falando a minha língua.
Felipe levantou a mão.
— Só uma pergunta.
Todos olharam para ele.
— Esses vinte cinco milhões são mesmo para cada um?
Stella riu.
— São.
— Então bora trabalhar, p***a.
A gargalhada tomou conta do galpão.
Mas, por trás daquele reencontro descontraído, havia uma tensão que nenhum deles conseguia explicar.
Porque Stella tinha voltado.
E quando Stella voltava para a vida daqueles homens...
nunca era apenas por causa de uma missão.