Gustavo
Mais um dia nesta merda de faculdade, me sinto estressado com tantos trabalhos e estágios que tenho que cumprir até o final do semestre. O direito é a única coisa que consigo gostar e ser bom nesta minha vida ferrada. Estou encostado na minha moto fumando meu cigarro e Débora junto com sua amiguinha Kate se juntam a mim , olho de longe meu amigo e aquela garota recém chegada junto com eles.
Desde que ela chegou não consigo me controlar e meus olhos sempre pairam sobre ela, o mais engraçado de tudo é que nunca fui de gostar de mulher do tipo dela, do tipo gordinha e nerd, mais quieta. Sempre gostei daquelas experientes que sabem o que estão fazendo, mas Ana não me parece assim e mesmo não sendo, seu sorriso e seu jeito de colocar os cabelos atrás das orelhas quando fica com vergonha me chamam a atenção de uma forma que não entendo. Tento de todas formas mas não consigo para de pensar em sua boca atrevida , tenho certeza de que isso é t***o reprimido e que em apenas uma transa com ela e isso passaria.
Eu sou quebrado demais para amar alguém, único exemplo de amor que tive foi o pouco que minha mãe me deu antes de morrer daquela doença horrível. Eu cresci, aprendi a sobreviver com o que tinha por que mesmo tendo um pai parecia que não o tinha...
— Olha só! Uma caipirinha gorda nova — Débora desdenha.
— Eita que é estranha demais, tem carinha de virgem — Larissa falou.
Isso me deixa puto , quem são elas para falar isso de alguém que nem conhecem ?
— Por que vocês não calam suas boquinhas e vão para a sala? Não estão perdendo aula? — Minha paciência zerada .
— Aí grosso, vai dizer que gostou da caipirinha gorda? — Débora se debruçou sobre mim rindo.
— Se eu gostei ou não isso não seria da sua conta. Agora me dá licença — digo
Pego minhas coisas e parto para meu estágio escutando os protestos das duas que abandonei. Ninguém precisa saber o que eu sinto ou deixo de sentir. Não tenho muitos vínculos, acho que por conta da minha cara e personalidade as pessoas se afastam , mas eu estou pouco me fodendo para o que os outros acham , os únicos que sempre levo comigo são os meninos com quem moro e Lívia que por ser peguete do meu amigo Felipe passou a ser como uma irmã para mim .
Ainda tive que trocar de roupa antes de partir para meu estágio e colocar a roupa que não combina comigo : a social. Hoje o dia foi corrido e estressante , o procurador chefe me encheu de processos para ajudar a olhar e dar baixa. Trabalho o dia todo mas Ana não sai da minha cabeça por mais que eu tente focar em outra coisa .
Chego tarde da rua e quando olho para a porta lembro que minha chave não ficou comigo, lembrei que emprestei para o Felipe que não sei por que p***a não se encontra em casa uma hora dessa em uma quarta-feira à noite.
Só me resta ver se Liv está em casa para esperar aquele mané lá dentro, ou terei que dormir sentado aqui mesmo do lado de fora. Toco a campainha sorrindo porque já começo a zoar Liv de cara, mas dou de cara com sua prima que cora instantaneamente quando me vê parado na porta.
— E aí priminha. — Dou um meio sorriso.
Olho—a de cima a baixo percebendo a blusa maior que seu corpo isso faz meu p*u instantaneamente dar sinal de vida , os cabelos molhados com óculos que me parecem de leitura.
p***a! por que eu estou sentindo isso? Nem sou chegado em mulheres do tipo dela.
— Meu nome é Ana , como você já sabe — diz e ela revira os olhos. — Minha prima saiu com Felipe e disse que não sabe que horas volta.
— Então, vou esperar aqui — digo passando por ela pegando uma cerveja na geladeira e me esparramando no sofá.
— Você é sempre tão folgado assim?
— Você acha? Não estou fazendo nada. — Digo cínico
sim baixinha, e é para irritar você.
— Eu mereço... — Ela rosna vai até a cozinha e pega uma caneca cheia de refrigerante e se senta zapeando os canais na Tv até que acha uma série e para.
— Não tem copos aqui? Está tomando refrigerante na caneca?
— Gosto de canecas, qual problema? Me deixa.
— Eita, que é arisca essa baixinha! — digo rindo
— Só sou arisca com quem é s*******o mesmo.
Tenho que rir dela.
Olho as horas e vejo que já está bem tarde e os pombinhos ainda não voltaram.
— Pensei em pedir uma pizza o que você acha? Estou cheio de fome.
Reparo a forma como ela esta vestida e como seus óculos me deixam duro , com topo o seu ar nerd , Ana tinha um "que " de menininha do campo . quieta e recatada , mas quando mexem com ela , a menina vira uma fera e não queiram estar em sua frente para testemunhar .Isso eu já percebi em poucos dias aqui . A verdade é que me sentia tão eu mesmo com ela por perto que me esquecia de tudo ao meu redor .
— Por mim tudo bem, vê o preço que nós rachamos . — Ela diz sem me olhar .
— Não , tudo bem . já pedi .
Nesse meio tempo ficamos calados, ela com as pernas dobradas em cima do sofá , com a mão apoiada no rosto e olhando para Tv me dava uma ótima visão de seu corpo , mas eram as bochechas que mais me chamavam a atenção . Ela tem convinhas quando sorri e percebo isso quando ela sorri com uma piada que acontece na série em que está vendo.
Escutamos a campainha tocar e a pizza chega , observo ela indo até a cozinha tentando enxergar algo abaixo daquela blusa de banda dela.
Sossega Gustavo, minha consciência diz, mas meus olhos são mais rápidos que tudo, ela me entrega o prato e me dá um meio sorriso.
Eu me pego conversando com ela depois e rindo de uma série de nerds que ela gosta, cada um em seu canto do sofá. Não tinha muito o que ser dito, não havia muito papo, mas foi uma boa noite. Ela se levanta e vai até a cozinha trazendo consigo um pote de sorvete ,
— Quer ? — Ela me oferece , aceno que sim e ela me entrega uma colher .
— E se senta ao meu lado , Deus podia ser mais amável comigo . Mas que merda !
— E então , está gostando daqui ?
Tento puxar algum assunto e vejo suas bochechas corando . Me seguro para não fazer carinho no local .
— Sinto saudade de casa alguns dias , mas no geral esta saindo melhor que o esperado .
Ela tira a colher do pote de sorvete e lambe e não consigo não salivar com aquilo .
— Não faz isso... — Estou tão perto de Ana que sinto sua respiração ofegante .
— O que estou fazendo Gustavo ? só estou tomando sorvete .
Eu rio de mim mesmo, como eu sou ridículo ! estou me sentindo como um adolescente . Passo as mão por suas bochechas e Ana fecha os olhos , suspirando e quando abre seu olhar está intenso e confuso . Pois é , eu também estou confuso! Essa garota chegou a alguns dias e vem bagunçando a minha mente de uma forma que não consigo entender. Tento me afastar o máximo que posso depois daquele contato .
Por um momento me distrai e quando vejo ela está adormecida do canto do sofá. Encolhida com as mãos apoiadas no rosto. Vou até o quarto de Liv e busco uma coberta. Cubro Ana e ela se aninha ainda mais, contorno seus lábios carnudos com meus dedos imaginando como seria beijar aquela boca.
— O que você está fazendo comigo baixinha?