Isabela
Morozov sorriu como se tivesse preparado um espetáculo.
Luzes fracas. Eco metálico. Dimitri ao meu lado, tenso como um gatilho prestes a disparar.
Lucas amarrado. Ferido. Confuso.
— Você sempre teve gosto por dramatização — falei, mantendo a voz estável.
— Eu gosto de testar estruturas — Morozov respondeu. — Especialmente quando parecem inabaláveis.
Ele caminhou lentamente ao redor de Lucas.
— Este homem — continuou — representa algo raro na sua vida… inocência.
Lucas olhou para mim.
— Isa… o que está acontecendo? Quem são essas pessoas?
Eu não respondi.
Porque a verdade não cabia mais no nome que ele usava.
Morozov inclinou a cabeça.
— Vou simplificar. — Ele ergueu uma arma. — Se Dimitri atirar em mim, meus homens atiram nele. Se você tentar algo, Lucas morre.
Dimitri deu meio passo à frente.
— Acabe com isso — ele disse, frio.
Morozov ignorou.
— Mas existe outra opção. — Ele olhou para mim. — Você pode sair daqui com Lucas. Agora. Livre. Fora desse mundo.
O silêncio caiu pesado.
Dimitri não falou nada.
Mas eu senti.
Não medo de perder território.
Medo de me perder.
Lucas me encarava como se ainda visse a mulher que sonhava com estabilidade, hotel próprio, vida limpa.
— Isa… vem comigo — ele pediu, voz fraca. — Você não é isso.
Não.
Eu não sou isso.
Sou muito pior.
Olhei para Dimitri.
Ele não implorou.
Não exigiu.
Não ameaçou.
Apenas esperou.
Isso disse tudo.
Voltei os olhos para Morozov.
— Você cometeu um erro.
Ele sorriu.
— Qual?
Caminhei até Lucas.
Abaixei-me na frente dele.
Toquei seu rosto com cuidado.
— Você foi o que eu precisava quando eu era pequena demais para sobreviver sozinha.
Ele fechou os olhos ao meu toque.
— Então vamos embora — ele sussurrou.
Minha mão deslizou até as cordas.
E as soltei.
Morozov sorriu.
Dimitri ficou imóvel.
Lucas levantou com dificuldade.
Segurou minha mão.
E foi nesse momento que eu o empurrei para trás.
Rápido.
Brusco.
Dimitri já estava em movimento.
Dois tiros precisos nos homens escondidos na lateral.
Morozov tentou reagir — tarde demais.
Eu puxei a arma escondida na minha coxa.
Apontei direto para o peito dele.
— Eu já fui embora uma vez — falei, fria. — E quase morri tentando ser algo que não sou.
Lucas olhava para mim como se estivesse vendo uma desconhecida.
— Isa… — ele murmurou, chocado.
Não.
Isabela.
Disparei.
A bala atravessou o ombro de Morozov. Ele caiu para trás, gritando.
Dimitri finalizou o resto.
Silêncio.
Cheiro de pólvora.
Lucas tremia.
— Quem você se tornou? — ele perguntou.
Eu o encarei pela última vez.
— A mulher que eu precisava quando você não podia me salvar.
Ele entendeu.
Não totalmente.
Mas o suficiente.
Dimitri se aproximou.
— Ele vive — disse, baixo. — Porque você decidiu.
Olhei para Lucas.
— Vá embora. Nunca mais volte.
Ele saiu cambaleando, sem olhar para trás.
Quando ficamos sozinhos, Morozov ainda respirava no chão.
Dimitri olhou para mim.
— Termina.
Eu me aproximei do homem que tentou me quebrar emocionalmente.
Ele riu fraco.
— Você escolheu o monstro.
Inclinei-me perto do rosto dele.
— Não.
Sorri.
— Eu me escolhi.
O disparo ecoou pelo galpão.
Definitivo.
Dimitri
Ela não tremeu.
Mas quando saímos para a noite fria, ela respirou fundo como se algo antigo tivesse morrido.
Eu a puxei para perto.
— Ele era seu passado.
— Era uma possibilidade — corrigiu.
— E eu?
Ela me encarou, olhos intensos.
— Você é consequência.
Segurei sua nuca e a beijei devagar.
Não foi possessivo.
Foi reconhecimento.
Ela não me escolheu.
Ela escolheu a si mesma.
E isso me tornou o homem mais perigoso do mundo.
Porque agora nada pode dividi-la.
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🔥 Cliffhanger final de arco:
• Morozov morto
• Conselho totalmente sob controle
• Mas a imprensa começa a investigar explosões e execuções
• O império entra na mira do governo