A MULHER QUE EU ENTERREI

653 Palavras
Isabela Morozov sorriu como se tivesse preparado um espetáculo. Luzes fracas. Eco metálico. Dimitri ao meu lado, tenso como um gatilho prestes a disparar. Lucas amarrado. Ferido. Confuso. — Você sempre teve gosto por dramatização — falei, mantendo a voz estável. — Eu gosto de testar estruturas — Morozov respondeu. — Especialmente quando parecem inabaláveis. Ele caminhou lentamente ao redor de Lucas. — Este homem — continuou — representa algo raro na sua vida… inocência. Lucas olhou para mim. — Isa… o que está acontecendo? Quem são essas pessoas? Eu não respondi. Porque a verdade não cabia mais no nome que ele usava. Morozov inclinou a cabeça. — Vou simplificar. — Ele ergueu uma arma. — Se Dimitri atirar em mim, meus homens atiram nele. Se você tentar algo, Lucas morre. Dimitri deu meio passo à frente. — Acabe com isso — ele disse, frio. Morozov ignorou. — Mas existe outra opção. — Ele olhou para mim. — Você pode sair daqui com Lucas. Agora. Livre. Fora desse mundo. O silêncio caiu pesado. Dimitri não falou nada. Mas eu senti. Não medo de perder território. Medo de me perder. Lucas me encarava como se ainda visse a mulher que sonhava com estabilidade, hotel próprio, vida limpa. — Isa… vem comigo — ele pediu, voz fraca. — Você não é isso. Não. Eu não sou isso. Sou muito pior. Olhei para Dimitri. Ele não implorou. Não exigiu. Não ameaçou. Apenas esperou. Isso disse tudo. Voltei os olhos para Morozov. — Você cometeu um erro. Ele sorriu. — Qual? Caminhei até Lucas. Abaixei-me na frente dele. Toquei seu rosto com cuidado. — Você foi o que eu precisava quando eu era pequena demais para sobreviver sozinha. Ele fechou os olhos ao meu toque. — Então vamos embora — ele sussurrou. Minha mão deslizou até as cordas. E as soltei. Morozov sorriu. Dimitri ficou imóvel. Lucas levantou com dificuldade. Segurou minha mão. E foi nesse momento que eu o empurrei para trás. Rápido. Brusco. Dimitri já estava em movimento. Dois tiros precisos nos homens escondidos na lateral. Morozov tentou reagir — tarde demais. Eu puxei a arma escondida na minha coxa. Apontei direto para o peito dele. — Eu já fui embora uma vez — falei, fria. — E quase morri tentando ser algo que não sou. Lucas olhava para mim como se estivesse vendo uma desconhecida. — Isa… — ele murmurou, chocado. Não. Isabela. Disparei. A bala atravessou o ombro de Morozov. Ele caiu para trás, gritando. Dimitri finalizou o resto. Silêncio. Cheiro de pólvora. Lucas tremia. — Quem você se tornou? — ele perguntou. Eu o encarei pela última vez. — A mulher que eu precisava quando você não podia me salvar. Ele entendeu. Não totalmente. Mas o suficiente. Dimitri se aproximou. — Ele vive — disse, baixo. — Porque você decidiu. Olhei para Lucas. — Vá embora. Nunca mais volte. Ele saiu cambaleando, sem olhar para trás. Quando ficamos sozinhos, Morozov ainda respirava no chão. Dimitri olhou para mim. — Termina. Eu me aproximei do homem que tentou me quebrar emocionalmente. Ele riu fraco. — Você escolheu o monstro. Inclinei-me perto do rosto dele. — Não. Sorri. — Eu me escolhi. O disparo ecoou pelo galpão. Definitivo. Dimitri Ela não tremeu. Mas quando saímos para a noite fria, ela respirou fundo como se algo antigo tivesse morrido. Eu a puxei para perto. — Ele era seu passado. — Era uma possibilidade — corrigiu. — E eu? Ela me encarou, olhos intensos. — Você é consequência. Segurei sua nuca e a beijei devagar. Não foi possessivo. Foi reconhecimento. Ela não me escolheu. Ela escolheu a si mesma. E isso me tornou o homem mais perigoso do mundo. Porque agora nada pode dividi-la. &&&&&&&&&&&__________&&&&&& 🔥 Cliffhanger final de arco: • Morozov morto • Conselho totalmente sob controle • Mas a imprensa começa a investigar explosões e execuções • O império entra na mira do governo
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