Isabela
A morte de Morozov deveria ter trazido paz.
Trouxe atenção.
Três dias depois do galpão, as notícias começaram.
Explosões no porto.
Desaparecimento de empresários.
Movimentações financeiras suspeitas.
Nada citava nomes.
Ainda.
Mas o cerco estava se formando.
Eu estava no escritório quando Dimitri entrou segurando um tablet.
— Temos um problema maior do que retaliação — ele disse.
Peguei o aparelho.
Uma reportagem internacional.
Investigação conjunta. Cooperação entre governos.
Rastreamento de redes criminosas no leste europeu com ramificações na América Latina.
Meu estômago não revirou.
Minha mente acelerou.
— Eles estão conectando pontos — falei.
— E alguém está entregando coordenadas — Dimitri completou.
Isso era pior que Morozov.
Porque Morozov queria poder.
O governo queria destruição total.
— Quem está liderando? — perguntei.
Ele girou o tablet.
Uma foto apareceu na tela.
Um homem de olhar sério, postura impecável, terno escuro.
Agente especial da Interpol.
Nome: Adrian Keller.
— Ele fechou três organizações nos últimos cinco anos — Dimitri disse. — Não erra.
Eu observei o rosto do agente.
Ele não parecia impulsivo.
Parecia paciente.
Isso me incomodou.
— Ele não vai invadir com armas — falei. — Vai desmontar peça por peça.
Dimitri me estudou.
— Você tem medo?
Olhei para ele.
— Eu tenho estratégia.
Dimitri
Naquela noite, convoquei apenas os mais leais.
Nada de reuniões amplas. Nada de plateias.
— Vazamento interno ou interceptação externa? — um deles perguntou.
— Ainda não sabemos — respondi.
Isabela ficou em silêncio até todos falarem.
Depois se levantou.
— Não importa como estão rastreando — disse. — Importa o que estamos mostrando.
Todos olharam para ela.
— Somos visíveis demais — continuou. — Explosões. Execuções. Movimentações abruptas.
Ela virou-se para mim.
— Você construiu um império pelo medo. Agora precisa sustentá-lo pela invisibilidade.
Um dos homens riu baixo.
— E como sugere fazer isso?
Ela sorriu levemente.
— Lavando tudo sob legalidade.
Silêncio.
— Empresas legítimas — explicou. — Hotelaria. Logística formal. Investimentos públicos.
Ela olhou para mim.
— Precisamos de fachada forte. Transparente. Intocável.
Eu entendi.
— Você quer oficializar sua presença nos negócios.
— Quero ser o rosto limpo do que você construiu na sombra.
Aquilo era arriscado.
Porque quanto mais visível ela ficasse… mais vulnerável também.
— Adrian Keller vai mirar em você — falei.
— Ótimo — ela respondeu. — Enquanto ele olha para mim, você reorganiza o que importa.
Os homens começaram a enxergar o plano.
Não era defesa.
Era transformação.
Isabela
Mais tarde, sozinha com Dimitri, senti o peso real.
— Se ele descobrir algo sólido — ele disse — você pode ser presa.
— Eu sei.
— E ainda assim quer estar na linha de frente.
Eu me aproximei.
— Você me ensinou a não fugir.
Ele segurou minha cintura.
— Isso é diferente. Não é rival. Não é traição. É o Estado.
— Então vamos jogar como Estado.
Ele encostou a testa na minha.
— Se algo acontecer com você…
— Não vai.
Ele me beijou com intensidade controlada, como se estivesse tentando gravar minha presença.
Quando nos afastamos, falei:
🥴🥴🥴🥴🥴🥴🥴🥴🥴🥴
— Há outra coisa.
— O quê?
Respirei fundo.
— Estou atrasada.
Ele congelou.
— Atrasada… como?
Meu olhar respondeu antes das palavras.
O silêncio que caiu foi diferente de qualquer outro que já tivemos.
Não era medo.
Era possibilidade.
— Tem certeza? — ele perguntou, voz baixa.
— Ainda não.
Mas nós dois sabíamos.
Se fosse verdade…
O jogo deixaria de ser apenas poder.
Viraria legado.
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🔥 Cliffhanger pesado:
• Agente Adrian Keller começa a se aproximar.