Naomi
Escutei batidas na porta.
- Quem é?
- Kakashi.
- Trouxe o que te pedi?
- Sim. Os chocolates e os papéis do caso.
Abri um pouco da porta, mas sem olhá-lo. - Se eu visse seu olhar triste, não sei se resistiria. - Estendi a mão e peguei as coisas.
- Já posso entrar?
- Só depois de me trazer um café.
- Como? Por que não me pediu isso antes?
- Porque só me deu vontade agora.
- Isso é sério, Naomi?
- Tão sério quanto quando você me disse que eu não deveria ter nascido.
Ele abaixou a cabeça, provavelmente, sentindo culpa.
- Tá. Eu compro.
- Ótimo. Tchauzinho. - Fechei a porta
Coloquei a pasta sobre a mesa e abri a grande caixa. Peguei um chocolate e comi.
- Uau. Que delícia.
[...]
Saí do banheiro com um short e um moletom preto grande. Prendi meus cabelos em um coque frouxo e olhei a hora.
Ele está demorando.
Escutei batidas e abri a porta.
- Minha nossa, que demora. Foi fazer o café?
- Desculpa. Tive um contratempo.
O deixei entrar. Nos sentamos no tapete felpudo da sala e começamos a ler.
- Foram 12 assassinatos no total. - Falei - Todas foram mortas cruelmente.
- Tem umas anotações aqui e alguns números. "7-106", o que isso significa?
- Vamos falar com quem pode saber. - Peguei o celular e liguei para Shikamaru - Shika-kun?
- Oi, Omi-chan. Tá tudo bem com você? Soube que teve uma briga com...
- Isso não vem ao caso agora, mas agradeço a preocupação. Estamos investigando um novo caso e encontramos um número: 7-106. Pode procurar para mim?
- Pode deixar comigo. Retorno quando tiver respostas.
- Obrigada. - Desliguei - Shikamaru vai resolver isso.
- Beleza. Enquanto isso nós podemos...
Meu celular tocou e atendi.
- Alô?
- Oi, Omi-chan.
- Oi, Obito-kun.
- Liguei para saber se o nosso encontro está de pé.
- Claro. Só me diz quando.
- Que tal hoje mesmo? Posso te buscar às 20.
- Pode ser. Combinado então?
- Combinado. Te vejo às 20.
- Até.
Deixei o aparelho de lado e voltei aos papéis. Levantei o olhar para Kakashi, vendo ele me olhar também.
- Que foi? - Perguntei
- Nada. - Disse desviando o olhar - Você... vai sair hoje?
- Sim. Com Obito.
- Legal. Se divirta.
- Obrigada.
O clima ficou meio estranho. Ele não falava nada e evitava me olhar quando eu dizia algo. A chateada aqui sou eu!
- Tá. Já chega. - Larguei as coisas
- Chega o que? - Mais uma vez, ele não me olhou.
- Kakashi.
- Oi.
- Olha pra mim.
Ele levantou a cabeça e me olhou.
- Por que você tá tão... assim ultimamente?
- Assim como?
- Desse jeito: me evitando, e mais cedo, gritou comigo.
- Desculpa.
- Eu não quero um "desculpa", quero uma resposta.
- Você quer que eu te diga a verdade?
- Sim, por favor.
- Eu não quero que você vá. Não quero que saia com Obito.
- Oi? - Fiquei boquiaberta - Por que?
- Porque não quero.
- Para de enrolação e fale logo.
Mais uma vez, meu telefone tocou. Vi o nome do Shikamaru e atendi.
- Oi, Shika-kun. O que descobriu?
- Depois de várias pesquisas, consegui achar. É um endereço. Estrada 7, casa 106.
- Estrada 7?
- É. Aparentemente, é um lugar vazio. Mas com imagens de um satélite, consegui ver uma mansão lá.
- Sabe se tem gente lá dentro?
- Não. Tem muitas árvores no local, o que me impede de ver muita coisa.
- Será que podemos ir ver?
- Sim.
- Quando?
- Pode ser hoje? Amanhã é minha folga.
- Hoje? Tem certeza?
- Sim. É que vou passar o final de semana com minha família. Algum problema?
- Não, não mesmo. Espera, vou te colocar para nós dois escutarmos. - Deixei o celular na mesa de centro
- Estão escutando?
- Sim. - Dissemos
- Ótimo. Eu detectei um computador lá dentro, mas de alguma forma, não consigo hackear.
- Deve ter algum aparelho que esteja impedindo isso, não é? - Disse Kakashi
- É.
- Então temos que entrar lá e desligar o aparelho. - Falei
- Sim. Mas não sabemos que tipo de gente tem lá. Por isso, vocês vão ter que entrar e sair sem que ninguém os veja.
- Qual seria o melhor horário? - O Hatake perguntou
- Vamos às 6. Já vai estar escuro a essa hora.
[...]
Coloquei uma calça um pouco larga e uma camisa de manga curta. Depois de amarrar os cabelos em um r**o de cavalo, peguei minhas coisas e me encontrei com Kakashi.
Seguimos pela estrada 7 até um ponto específico. Pegamos nossas armas e entramos na floresta escura.
Graças a luz da lua, conseguíamos ver direito. Paramos ao avistar uma mansão que tinham alguns seguranças.
- Como vamos entrar lá? - Me perguntei
- O computador está ali. - Ele apontou - Se só um de nós entrar naquela sala e desligar o aparelho, vai ser missão comprida.
- Não tão comprida. Mas já vai ser um avanço. - Vi um dos seguranças se afastar da janela - É a nossa chance. Vamos!
Corremos agachados até a janela.
- Me dá um impulso. - Falei
Kakashi me levantou e eu pude alcançar a janela. Consegui entrar e avistei o computador de cara. Fui até ele, vendo um aparelho ao seu lado; presumi que era esse e o desliguei.
Voltei para a janela, olhei para baixo e não encontrei Kakashi. Escutei passos e vozes virem do corredor, me deixando mais nervosa. Fiquei de pé na janela e pulei para uma árvore próxima. Comecei a descer, coloquei o pé no lugar errado e caí de costas no chão.
Merda. Já é a segunda vez hoje.
- Naomi. - Kakashi apareceu e me ajudou a levantar
- Aonde você estava?
- Me viram e tive que apagar eles. Conseguiu desligar o aparelho?
- Sim. Vamos logo.
Saímos correndo antes que nos vissem. E antes de adentrar na floresta, olhei para trás, vendo um alguém nos olhar por aquela janela.
[...]
Estacionamos em frente ao meu prédio.
- Bom trabalho, pessoal. Estou baixando os dados agora. Amanhã, antes de eu ir viajar, mando o que descobri para vocês. - Disse Shikamaru
- Valeu, Shika-kun. Tenha uma boa folga.
- Até breve.
Kakashi desligou o celular. Abri a porta para sair, mas fui impedida por ele, que segurou meu pulso.
- O que foi? - Perguntei
- Não vá. Por favor.
- Me dê um motivo para não ir.
O encarei, tentando obter alguma resposta.
- Não... Não dá. - Disse
- Então, eu vou. - Saí
- Naomi, espera.
Finji não escutar e entrei no prédio. Eu tinha menos de uma hora para me arrumar e muitas coisas para fazer.
[...]
Meu encontro com Obito foi divertido. Fomos ao cinema e depois, a uma pizzaria. Ele me fez rir o tempo todo. E no final, quando me levou em casa, me beijou. Sim, eu retribuí. Mas... confesso que eu esperava sentir algo a mais. Não que o beijo tenha sido r**m, mas foi porque eu não senti nada demais. Foi apenas... um beijo.
[...]
Queria dormir até tarde, mas Bull me acordou e tive que dar seu café. Liguei a televisão e fui fazendo o meu.
Escutei meu celular tocar, pensei que poderia ser Shikamaru, e acertei.
- Oi, Shika-kun. Bom dia.
- Naomi-chan, a coisa tá f**a. - Dava para perceber que ele estava nervoso. - Vocês correm um sério perigo.
- Perigo? Shika-kun, você está me assustando.
- Não é atoa. Olhe só.
Minha televisão ficou colorida e começou a aparecer imagens de crianças.
- O que é isso?
- São crianças sendo escravizadas. Não tem só crianças, veja.
Imagens de mulheres sendo agredidas começaram a aparecer. Um vídeo mostrou uma criança de uns 10 anos levando socos de um maior. Cada imagem que aparecia, me deixava mais nervosa. Deixei meu copo cair ao ver o que me assustou mais ainda.
- K-Kioshi...
- Sim.
- C-Como isso é possível? Por que estão fazendo isso? Quem é essa gente?
- São os Hyuga.
- Que? Mas eles são gente boa. Você tem certeza?
- Absoluta. E com o que eu vi, descobri que eles são responsáveis por tráfico de crianças, mulheres e drogas. Eles tem duas bases enormes e super perigosas.
- Nós temos que fazer alguma coisa.
- Não. Você tem que fugir.
- Não!
- Sim. Naomi-chan, fuja. Você e Kakashi estão correndo muito perigo. Fuja e não volte mais.
A televisão voltou ao normal. O jornal começou e nossas fotos apareceram na tela.
- Olá, bom dia. - Disse a jornalista - Uzumaki Naomi e Hatake Kakashi estão sendo procurados pelo assassinato de 12 crianças. Mais cedo, o famoso, Hyuga Hiashi, denunciou os dois agentes pelos assassinatos. Os dois foram declarados criminosos muito perigosos-
Desliguei a televisão. Estava nervosa, não conseguia raciocinar direito. Fui até a janela ao escutar barulhos, vi várias viaturas da polícia pararem e os policias saíram dos carros, entrando no prédio.
- Essa não...