Naomi
Fiquei sem palavras ao ouvi-lo dizer aquelas coisas. Nunca pensei que Kakashi fosse desse tipo.
O que atrapalhou foi a mensagem, tínhamos que trabalhar e eu havia me esquecido disso.
Entramos no carro do Kakashi e fomos para o local onde o corpo foi encontrado. Ao chegar, passamos pela fita da polícia e vimos Tenten com o corpo. Ela que cuidava dos corpos no necrotério.
- Kakashi-senpai, Naomi-chan, venham aqui. - Disse ela
- Essa é a nona garota que encontramos. - Falei - Isso tá piorando.
- Tem que ter algo em comum entre essas moças. - Kakashi coçou o queixo - Ele não pode estar matando por nada.
- Bom, acho que é por diversão. - Tenten disse - As mulheres foram torturadas até não resistirem mais. Na minha opinião, ele está apenas se divertindo. Todas são diferentes, mas nenhuma foi abusada sexualmente.
- Não é possível que seja só um. Essa mulher parece ser forte. Não seria derrubada fácil. - Com luvas, toquei o rosto dela - Esse assassino não gosta de machucar o rosto das vítimas.
- Ele preserva o rosto para que quando morra, pareça estar dormindo. - Tenten fez um sinal para alguns homens virem - Peguem ela com cuidado.
[...]
Kakashi foi para o necrotério e eu fui para a sala de Shikamaru, para vermos se não encontrávamos o assassino através de câmeras.
- Olha o que eu achei, Shika-kun. - Falei
Na imagem, apareceu um homem saindo de uma picape de cor vermelha, ele não mostrava o rosto. Deixou o corpo de qualquer maneira e saiu.
- Ele sempre troca de carro. - Disse ele - Assim fica difícil.
- Mas ele não se esforça para esconder o corpo. Larga de qualquer forma. - Olhei para o relógio na mesa - Kami! São dez e meia. Já passou da nossa hora.
- Estou de carro, quer carona?
- Não, obrigada.
- Tem certeza? Estamos investigando sequestros e feminicídios. Sabe do que eu estou falando?
- Não se preocupe comigo, Shika-kun. Eu sei me virar.
Entramos no elevador e apertei o botão do primeiro andar. Pensei em parar no andar do necrotério e chamar Kakashi para irmos, mas não queria me deparar com uma cena desagradável. - Só de pensar nisso, fiquei desconfortável.
- Tchau, Shika-kun. - Falei ao saírmos
- Tchau, Omi-chan. Vou perguntar de novo: tem certeza de que não quer uma carona?
- Não precisa, i****a. - Ri - Até mais.
O vi entrar no seu carro e sair com ele. A rua estava quase deserta por ser tarde e no meio da semana. Os quiosques e as outras lojas estavam fechadas. A praia, nem se fala; sem ninguém.
Abracei meu corpo e caminhei tranquila para o meu apartamento. No caminho, vi uma luz se aproximar e olhei para trás, era só um carro passando. - Devo estar ficando paranóica.
Tive um pressentimento de estar sendo observada e acelerei o passo. Fiquei com a mão perto da minha faca, caso eu precisasse. - Minha mãe que me ensinou a fazer isso. Sempre ando com uma faca.
Fiquei mais nervosa, sentindo o olhar. Olhei em volta, vendo nada. Acelerei o passo, comecei a correr. Corri e entrei correndo. Só fiquei aliviada quando cheguei no elevador. Apertei o botão do meu andar e esperei.
Estou ficando paranóica. Meu trabalho está prejudicando meu psicológico.
Saí pegando minhas chaves e abri a porta. Me deparando com meu apartamento bagunçado. Parecia um chiqueiro! Convidei Kiba para morar comigo para não ter que pagar um hotel. Mas não sabia que ele era tão porco!
- Kiba! - Gritei
Fui para o meu quarto, o encontrando dormindo.
Então é assim?
Fui até a geladeira, peguei uma jarra de água e voltei para o quarto, jogando a água nele.
- Ah! - Ele levantou assustado - Ficou maluca, mulher?!
- Eu fiquei maluca?! Olha o estado desse lugar!
- Ah, isso? Eu vou arrumar depois. - Ele colocou um travesseiro sobre o rosto
- Depois nada. Quero agora!
Kiba levantou batendo os pés. Voltei para a geladeira, estava com fome. Mas não tinha nada.
- Vou comprar algo para comer. Já volto.
Parei na porta quando vi algo no chão.
- Kiba, achei que tivesse parado. - Falei com o maço de maconha na mão
- Ah... eu tinha parado. Mas sabe como é, né?
- Você sabe que eu odeio cheiro de cigarro e maconha! Sabe disso!
- Foi mais forte que eu. Eu tenho autorização para isso, olha-
- Não me interessa!
- Isso me ajuda a relaxar.
- Não é atoa que está tão broxa! - Bati a porta ao sair
[...]
Saí do prédio e caminhei furiosa. Atravessei a rua, continuei, atravessei outra e entrei em uma lojinha 24 horas.
Não era muito normal eu brigar com Kiba. Mas casais brigam, né? Depois, quem sabe, podemos tentar nos acertar.
- Boa noite, Omi-chan. - Disse a senhora - Esquisito vê-la aqui a essa hora. É perigoso.
- Eu sei, Sue-chan. Mas precisava disso. - Peguei um pacotinho de biscoitos e um sorvete junto com uma garrafinha de refri.
- Sorvete e refrigerante com biscoitos de novo? Você não vai ter essa barriga sarada para sempre, querida. - Colocou as coisas na sacola
- É por isso que eu malho. - Sorri e entreguei o dinheiro - Obrigada.
- De nada. Até mais. Tenha cuidado.
- Até. Pode deixar.
Saí, esperei um carro passar e atravessei a rua. Comi o biscoito no caminho e bebi o refrigerante da garrafa, e sem querer, derrubei o pote.
- m***a. - Murmurei - Espero que não tenha caído tudo.
Verifiquei e vi que estava tudo bem. Pelo canto dos olhos, vi um carro parar ao meu lado. Uma van, na verdade.
Levantei e fui pega por trás, pelo pescoço. Tentei pegar minha faca, mas outro segurou minha mão a esticando e apontando uma seringa para o meu braço. Tentei chutá-lo, mas apertaram tão forte o meu pescoço que fiquei sem forças.
Injetaram a seringa no meu braço e desmaiei em segundos, sentindo meu corpo amolecer.