Naomi
As imagens não deixavam minha mente. Crianças e mulheres sendo escravizadas, agredidas e transportadas para outros homens... aquilo estava me torturando. E Kioshi... ver aquele rostinho feliz ser trocado por um triste, acabou comigo. Eu disse para ele que eu o protegeria, disse que o protegeria! Por que eu não cumpri? Por que?!
As gotas da chuva escorriam pelo vidro do carro como minhas lágrimas. Kakashi dormia, Bull e Pakkun estavam soltos no banco de trás, dormindo juntos, e eu, fiquei dirigindo e chorando. Já estava anoitecendo, uma música baixa tocava na rádio, que por sinal, era triste.
O carro começou a parar, vi que estávamos sem gasolina. Limpei meu rosto e fui acordar Kakashi.
- Kakashi, acorde.
- Hm?
- A gasolina acabou, vamos ter que continuar a pé.
- Espera. É sério?
- Sim. - Abri a porta - Vamos logo.
- Assim, na chuva? Não acha melhor esperarmos alguém passar?
- Não podemos ficar parados. - Abri a porta para os cachorros, que saíram e começaram a correr pela chuva.
Pelo menos, eles estão felizes.
- Espera, Naomi. - Ele tirou um guarda-chuva da mala - Tome. Para não ficar doente.
- Obrigada.
- Você me parece triste, quer me contar o que houve?
Kakashi
Não tinha como negar que estava triste.
- Eu estou bem, Kakashi. De verdade.
- Não, não está. - Coloquei as mãos no seu ombro - Eu sei por quê está assim. Tudo isso aconteceu muito rápido. Há pouco tempo, estávamos correndo atrás daquele pirralho, e agora, ele está...
Limpei a garganta.
- Eu sei que me acha chato, e que eu sou a última pessoa com quem gostaria de desabafar, mas eu estou aqui, não estou? Passamos por muita coisa juntos. Eu também me apaguei ao pirralho, claro que fiquei m*l com aquilo. Eu não sou de ferro, e você também não. Pare de se torturar e conte, me conte que ouvirei tudo.
Ela me olhou e seus olhos ficaram marejados. Fui surpreendido pelo seu abraço. Retribuí, abraçando sua cintura fina e a deixando chorar. Não precisava dizer mais nada, sabia que ela estava desabafando comigo do seu jeito.
Nesse dia, eu nem me importei de ter sentido que ela estava sem sutiã.
- Até em um momento triste você pensou nos meus p****s, Hatake?!
- Não disse isso. Só disse que senti. Só não fiquei e******o porque o momento era triste demais.
- Você é um t****o.
- t****o não, apenas gosto de mulheres. Não tem nada demais nisso.
- Pode voltar logo para a narração antes que eu te quebre?
Continuando... Tivemos que nos livrar do carro, se o encontrassem, poderiam saber para onde estávamos indo. Então, o jogamos em um lago.
Meu amado carrinho...
[...]
A chuva tinha parado, ainda caminhávamos pela estrada escura com os cachorros nos seguindo. Naomi não tinha dito mais nada, caminhava olhando o chão, com seus cabelos úmidos cobrindo seu rosto.
Uma luz iluminou a estrada. Olhamos para trás, vendo uma caminhonete velha parar ao nosso lado. O vidro do carro abaixou, revelando uma senhora de cabelos ruivos misturados com grisalhos.
- Tia vó Mito! - Naomi sorriu.
- Naomi-chan? O que faz aqui? Anda, entrem antes que venha outra chuva. - Ela abriu a porta
Naomi me apresentou a sua tia avó Uzumaki Senju Mito. Me sentei atrás com os cachorros e fomos. Descobri que na família dela quase todos são loiros e ruivos. Não prestei muita atenção na conversa das duas, acabei dormindo.
Ela me acordou pouco depois, presumi que estávamos na casa de Mito. A mais velha nos convidou para descansar ali, para de manhã, nos levar para onde queríamos. Aproveitamos para nos alimentar e alimentar nossos cachorros.
Na hora de dormir, tive que ficar na sala e Naomi foi para um quarto de hóspedes.
[...]
- Kakashi? - Escutei seu sussurro enquanto me balançava - Kakashi.
- Naomi? - A vi e cocei os olhos - O que foi?
- Eu não queria esperar para fazer isso, foi m*l.
- Para fazer o que?
Ela pegou um bolinho com uma vela.
- Feliz aniversário. - Sorriu
- Caraca. - Sorri sem jeito - Eu tinha me esquecido. Obrigada. Como sabia?
- De nada. É que eu li sua ficha quando nos tornamos parceiros. Aqui, faça um pedido. - Me entregou o bolinho
Olhei para a loira sorridente na minha frente. Mesmo com aquela dor, ainda sorriu e me fez um bolinho, ela... ela era admirável.
- Vai, faça seu pedido.
Fechei os olhos e assoprei a vela.
Ela bateu palminhas.
- O que pediu?
- Se eu contar, não vai realizar. - Brinquei e parti o bolinho ao meio - Quer dividir?
Naomi assentiu e sentou ao meu lado, pegando o pedaço e comendo comigo.
- Ficou bom? - Perguntou
- Bastante. Você que fez?
- Sim. Fiz pouco depois de chegarmos. Precisava fazer algo para relaxar.
- Você cozinha bem.
- Obrigada. Desculpa por não ter feito um maior.
- Tudo bem. O que vale é a intenção. Mas depois, pode me fazer um maior? É que ficou bom.
- Tá. E vou te ensinar.
Rimos baixo. Olhei para ela, que sorria olhando os cachorros. No canto de sua boca, tinha um resto de chocolate; limpei com o polegar, fazendo-a me olhar. Devagar, passei a mão para a sua nuca, a puxando para mais perto.
Naomi colocou sua mão na minha nuca e me puxou. Sorri e a tomei em um beijo. Um beijo lento e quente, o beijo que eu precisava, o beijo que eu mais desejei. Puxei seu corpo para mais perto do meu, queria aproveitar e sentir cada parte. Amaldiçoei a falta de ar quando nos separamos.
- Eu... tenho que ir. - Disse - Boa noite, Hatake.
Queria que ficasse mais, mas tinha que respeitar ela e a casa onde estávamos.
- Tudo bem. Boa noite.
[...]
- Já pode nos deixar aqui, tia. - Disse Naomi
- Está bem. - Mito estacionou o carro - Mandem um beijo para eles.
- Pode deixar.
Segui Naomi por uma estrada que estava cheia de lama por causa da chuva. Avistei uma casa de madeira branca no meio de um campo, com cercas brancas em volta. Passamos por um portão branco de madeira e entramos no campo, caminhamos até a casa e Naomi correu na minha frente. A porta se abriu e uma mulher ruiva com um homem loiro saíram de lá.
- Mãe! Pai!