TIME

617 Palavras
Três meses, esse foi o tempo que se passou. Maio, estavam em maio. Contar os dias, os meses se tornava cada vez mais difícil. Mas ainda pior era a esperança. Durante todos esses quase 100 dias, Bailey e Joalin esperavam alguém chegar, alguém os resgatar. A cada noite, quando iam dormir um pedaço de sua esperança era perdida, sua fé era contestada e o porquê de estarem naquela Ilha parecia não existir. Por um tempo, eles acreditaram. Já não conseguiam mais, já estava os machucando, esperar por um resgate que talvez nunca chegasse. Todo dia eram novos e velhos altos e baixos brigando dentro do peito dos dois. Eles achavam que iriam viver ali para sempre, a ponta de expectativa de voltar para casa e esperança de serem resgatados era quase nula. Afinal, realmente continuariam procurando por eles? Por quanto tempo? Não fariam isso para sempre, com certeza não. Joalin foi irresponsável entrando naquele bote e Bailey mais ainda quando se achou capaz de conduzi-lo. Mas e agora? Viveriam pagando pelos seus erros, sem o mínimo de recursos pelo resto de suas vidas? Parecia injusto. Na verdade parecia não, era injusto. Dois jovens, cheios de vida e com carreiras brilhantes tendo tempo disperdisado presos naquele pedaço de terra. Eles nunca iriam imaginar como essa experiência iria os mudar, mudar a forma dos dois de enxergar a vida e principalmente, o relacionamento deles. Durante esses três meses, os dias pareciam se repetir. O tédio as vezes era gigante mas ao mesmo tempo, descobriram ligações fortes com a natureza, com o mar, com as estrelas. Eles não estavam mais contando dólares, estavam contando estrelas. Não estavam procurando hotéis com chuveiros legais, estavam tomando banho de mar todas as manhãs. Aprender a viver da forma mais minimalista e natural possível não é fácil, principalmente quando se é forçado a isso, quando não há outra opção. Mesmo assim, tais situações mudaram quem eles são, suas essências. E não demorariam para descobrir isso. As coisas não mudaram muito no tempo que se passou, Joalin na verdade, cumpriu com sua palavra. Os dois ficavam todas as vezes que tinham vontade, o problema é que isso estava se tornando cada vez mais comum, o que era de se esperar, já que não tinham muito o que fazer na ilha. O problema disso tudo? O medo de admitir o que estavam ou sempre sentiram. A farsa do s**o sem compromisso, mesmo quando isso não importa, já que só estavam os dois naquele lugar. Preferiam mentir e acreditar nessas falácias do que se entregarem por completo um ao outro. Isso os proibiu por exemplo, de terem experimentado do melhor e mais singelo s**o romântico.  Eles precisavam demonstrar todo fogo e atração que sentiam para esconder os sentimentos, não eram carinhosos, calmos. Grande parte da culpa disso era de Joalin, o amor era uma questão difícil para a garota, ela não queria cair nessas armadilhas, pelo menos não em uma ilha deserta. Os dias se passavam sempre da mesma forma, eles ficavam e não eram incomum brigarem após as transas, um clima chato perpertuava por um tempo, até finalmente voltarem a se entender. Sem dúvidas quando estavam juntos, sem brigas e apenas curtindo o momento era muito bom. Mesmo excluindo todo e qualquer romance, quando estavam em paz e juntos, tinham os melhores momentos nos ultimos meses. Eles ainda se adaptavam um ao outro e ao local que estavam, não era fácil, por isso se tornava normal tantas idas e vindas e indecisões. Eles nunca iriam admitir, mas a verdade é que em alguns momentos, principalmente quando estavam juntos, que não queriam ir embora, poderiam ficar ali para sempre. As vezes, só eles dois conseguiam ser suficientes.
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