HOPE

838 Palavras
Johanna, Matt e Sabina teriam mais um dia de buscas. Particularmente naquele dia, sentiam uma falta de esperança muito grande. Os dias eram tristes e lotados de medo durante as buscas. As vezes tinham sonhos que tinham os achado e isso os animava, as vezes os pesadelos eram sobre nunca mais os encontrar. Os três entraram no helicóptero abdicando mais um dia de suas vidas para encontra-los. Sabina respondeu a mensagem de Pepe desejando boa sorte, todos os dias eram assim. Ele estava sendo completamente compreensivo e um apoio mais que necessário para que a mexicana se mantesse de pé. Especialmente naquele dia, ela sentiu um aperto no coração, não do tipo r**m. Daquele que te enche de esperanças e borboletas no estômago. Matt e Johanna pareciam estar em um estágio diferente, ela chorosa e ele nervoso. A verdade é que ninguém achava que eles tinham chance de serem achados vivos como Sabina tinha. Eram poucos os que acreditavam naquela possibilidade mas ela tinha certeza, sua amiga pediu para que ela não desistisse, para que procurasse até os achar com vida. A rota do dia era diferente, era a mais improvável por isso nunca a tinham seguido até então. A imensidão do Caribe já parecia vazia. Aquilo estava começando a perder o sentido. Nenhuma dor parecia pior do que um grande buraco vazio no meio do peito. Nada parecia mais profundo e pavoroso do que não saber. Não sabiam se eles estavam vivos, se estavam bem, se tinham certa segurança, se seriam encontrados algum dia. Mas naquele dia, especialmente naquela manhã as coisas tomariam um rumo diferente dos outros meses. Os jornais já não falavam tanto, apenas quando fechava um número exato de semanas do desaparecimento, ou então quando parecia ter achado uma busca. As músicas continuavam estouradas, por sorte já que era isso que muitas vezes pagava as buscas. Os órgãos públicos já tinham desistido a muito tempo, para eles eram só mais duas vidas em meio a sete bilhões de pessoas. Muitas delas morrendo por conta do fogo na Aústralia, algumas milhares passando fome na África ou sofrendo com a superpopulação de países asiáticos, alguns fugindo de guerras no Oriente Médio e tentando desesperadamente entrar no continente europeu. Mais algumas morrendo na fronteira entre México e Estados Unidos, ou adentrando ao Brasil em busca da esperança que não encontraram na Venezuela. Esperança. É, o mundo sofria grandes problemas. Talvez duas (ou três) vidas pudessem não parecer nada. Mas importava. Importava porque eles eram humanos,  eles estavam vivos, tinham dores, medos, sentimentos. Tinham pessoas que os amavam, família, amigos e uma legião de fãs. E mesmo que não tivessem. Todo ser humano precisa de uma vida digna e de seus direitos assegurados, tudo isso parecia não importar naquele pequeno pedaço de terra. Mas sabe por que mais a vida deles importava tanto? Porque eles eram as pessoas que queriam mudar o mundo, que queriam fazer da Terra um lugar saudável e sociável, porque eram eles que levavam alegria e esperança para milhares de crianças, adolescentes e até mesmo adultos quando esse sentimento parecia não existir mais. É, naquele dia realmente as coisas pareceram bem diferentes do que nos ultimos meses. Pareciam diferentes a partir do momento que o piloto avisou que passariam em cima de uma ilha que nunca tinham procurado. O aperto que Sabina sentiu no peito e em seguida caiu em um choro compulsivo deixava quase que claro o que aconteceria minutos depois. Matt e Johanna olhavam atentos e agarrados ao último fio de esperança que tinham dentro de si. E então eles viram. Eles viram um pontinho se mexendo rápido lá embaixo. Então eles viram o disparo do sinalizador. Então eles viram outro pontinho correndo afobada em direção a faixa de areia. Então eles viram o helicóptero baixar voo. Eles viram a cabana e de longe as pessoas que mais amavam na vida. Eles viram a cada segundo que se aproximavam da terra suas vidas voltando para o eixo, o planeta voltando a girar em torno do sol, o mar voltando a brilhar, o mundo voltando a sorrir e a vida voltando a ter cor. Todo problema, toda a dificuldade, tudo que teriam que enfrentar dali em diante parecia nada, parecia sem importância. Porque teriam Bailey e Joalin com eles e essa era a única coisa que importava.  Seus corações batiam acelerado. Dos 6. De Matt, Sabina e Johanna. De Bailey, Joalin e até daquele pequeno bebê que ela carregava dentro de si. Sabina estava tão ansiosa que podia atirar seu corpo na faixa de areia antes mesmo que o helicóptero pousasse. Cada vez que ele abaixava mais e que conseguiam ver mais um detalhe dos dois ali embaixo eram surpreendidos. Eles pareciam bem, pareciam saudáveis. Eles pulavam e se abraçavam, eles choravam, choravam muito. Finalmente pousaram, sentindo talvez a maior emoção e alegria de toda suas vidas. Sem conseguir raciocinar direito e tomados pela emoção, com os olhos cheios de lágrimas. Não, ninguém tinha reparado na barriga de Joalin, pelo menos não ainda.
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